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A peniscopia com ácido acético deve ser realizada para identificar lesões subclínicas por HPV?

| 11 jan 2019 | ID: sof-41476
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A peniscopia com ácido acético não deve ser realizada rotineiramente para rastrear lesões subclínicas causadas por HPV. Ainda que algumas lesões sejam identificadas apenas após a aplicação do ácido acético à 3 – 5%, existem vários argumentos para não realizar esse teste:

• Não altera a conduta. O tratamento para o HPV está indicado quando existem lesões clínicas, sejam elas verrugas anogenitais macroscópicas ou lesões pré-cancerígenas. As lesões subclínicas tipicamente resolvem-se espontaneamente e não necessitam de tratamento;
• Não existe evidência clara que a erradicação das verrugas anogenitais em homens diminui a chance de transmissão do HPV. Essa informação tampouco foi comprovada para o tratamento de lesões subclínicas;
• O teste tem baixa especificidade, apresenta com frequência resultados falso-positivos. Qualquer lesão do estrato córneo ficará mais esbranquiçada à aplicação do ácido acético, como nas seguintes situações: epitélio em cicatrização, candidíase, líquen plano e psoríase.
• O teste tem baixa sensibilidade, apresenta com frequência resultados falso-negativos. Biópsias em áreas não aceto-brancas revelam a existência de HPV.
• Tem baixo valor preditivo positivo. Portanto, não pode ser usado para definir o diagnóstico.
• Costuma causar desconforto por ardência.
O diagnóstico de infecção por HPV tem considerável impacto psicossocial. Portanto, realizar um teste que não altera conduta e tem alta possibilidade de ser falso-positivo, traz mais prejuízos do que benefícios aos pacientes.

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