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Como a equipe de enfermagem pode auxiliar cuidadores e familiares no cuidado de pacientes com Doença de Alzheimer nas diversas fases da doença?

| 10 abr 2017 | ID: sof-36428
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O termo cuidador é atribuído à pessoa que auxilia aquele que necessita de cuidado físico no enfrentamento de doença e que não é capaz de se cuidar sozinho. Para muitas pessoas, a tarefa de cuidar de um familiar com Doença de Alzheimer (DA) pode ser árdua e desafiadora, pois as mudanças são significativas e precisam ser compreendidas e incorporadas na rotina da família1.
Diante da possibilidade de inúmeras limitações que o paciente com Alzheimer pode apresentar, associado às dificuldades enfrentadas pelos familiares – cuidadores na assistência prestada á esse paciente, a equipe de enfermagem tem um papel fundamental na promoção do bem estar e melhoria da qualidade de vida tanto desse paciente quanto de seus familiares-cuidadores2.
A equipe de enfermagem deve orientar familiares – cuidadores quanto aos cuidados básicos que devem ser prestados aos pacientes com DA, respeitando a evolução e as especificidades de cada etapa da doença, bem como a realidade socioeconômica e a rotina de cada família 3, 4,5.
É importante que os familiares – cuidadores sejam envolvidos no planejamento do cuidado e sejam orientados a respeito da higiene e aparência; alimentação; segurança e questões de saúde que envolve o paciente com Alzheimer.

Complementação
A Doença de Alzheimer é considerada a mais frequente doença neurodegenerativa na espécie humana, sendo responsável por 50% a 60% dos casos de demência nas pessoas idosas. A doença causa declínio progressivo das funções psicomotoras, das funções cognitivas ligadas à (memória, percepção, aprendizagem, linguagem, planejamento e habilidades visuais-espaciais) e contribui ainda para o aparecimento de quadros neuropsiquiátricos que se manifestam através de apatia, agitação, agressividade e delírios6.
Essas alterações provocadas pelo declínio progressivo das diversas funções interferem diretamente no bem estar e na qualidade de vida, tanto dos pacientes, quanto de seus familiares e cuidadores, uma vez que limitam a pessoa portadora de DA nas suas atividades da vida diária (AVDs), sejam profissionais, sociais, de lazer ou mesmo domésticas e de auto-cuidado7.
A equipe de enfermagem deve auxiliar cuidadores e familiares orientando nos seguintes cuidados1, 3,4:
Fase inicial da doença:
• Alteração de memória: Desenvolva lembretes de atividades simples, que servirão como estímulo aos pacientes como trancar a porta; coloque placas indicativas nas portas identificando o quarto, o banheiro, etc; estimular a memória através da repetição, do último pensamento que o paciente expressou quando adequado;
• Necessidade de ajuda para desenvolver as AVDs: Incentive a independência, faça com ele e não por ele; respeite e preserve sua capacidade atual de realizar atividades de vida diária; supervisione, auxilie e faça por ele apenas quando não houver nenhuma capacidade para execução de determinada tarefa; estimule a realização de atividades domésticas e de caminhadas curtas;
• Sintomas depressivos ao deparar-se com perdas: Procure realizar atividades que lhe dão prazer, tanto individuais quanto grupais; mantenha seu senso de humor e procure rir com (e não rir do) portador de DA; mantenha um humor saudável e respeitoso a fim de diminuir o estresse; procure tratar o portador da mesma forma como o tratava antes da doença;
Fase moderada da doença:
• Agravo de sintomas cognitivo: Incentive a realização de jogos que estimulem a memória; facilite a compreensão ao elaborar perguntas com respostas objetivas; dê uma orientação simples de cada vez;
• Piora na linguagem: Mantenha a comunicação e o diálogo; falar com voz calma e tranquila;
• Possibilidade de alteração de comportamento: evite conflitos com o paciente; evite discutir sobre as condições do portador na sua presença; não reaja negativamente a comentários;
Fase avançada da doença:
• Dificuldade para reconhecer pessoas: Mostre fotografias dos familiares com seus nomes para ajudá-lo a reconhecer as pessoas no ambiente familiar;
• Perda da autonomia: Atente quanto a cuidados de segurança do paciente, a fim de evitar que eles saiam desacompanhados, pois poderão se perder; Acompanhe a realização de atividades de maior risco, a fim de evitar acidentes tais como: esquecer fogo acesso, ferro elétrico ligado, torneira aberta; colocar itens pessoais ao alcance do paciente;
• Dependência para Higienização: Mantenha higienização pessoal adequados do paciente que poderão está prejudicado;
• Dependência para Alimentação: Mantenha a alimentação do paciente em horários regulares, pois muitos pacientes não são capazes nem mesmo de identificar qual foi o horário da última refeição;
• Dependência para locomoção: a dificuldade motora pode aumentar a possibilidade de quedas, por isso, é importante verificar tapetes, mesas de centro, móveis com quina, objetos de decoração, escadas, banheiras, janelas, piscinas; monitore o jeito de andar, o nível de equilíbrio e da fadiga com a deambulação; evite aglomerado de objetos no chão; providenciar superfície antiderrapante no banheiro;
• Comprometimento significativo da linguagem: mantenha uma conversa simples, sem incluir vários pensamentos, ideias ou escolhas; as perguntas devem possibilitar respostas como “sim” ou “não”;
Atributos da APS
Os cuidados de enfermagem dispensados aos pacientes com Doença de Alzheimer estão diretamente relacionados às atividades de prevenção e inclusão, e devem ter como princípio a humanização e integralidade na assistência, a fim de proporcionar bem estar e melhora na qualidade de vida desses pacientes e familiares – cuidadores.
As orientações compartilhadas com familiares e cuidadores devem ser ponto fundamental do cuidado de enfermagem, uma vez que a enfermagem não está com o paciente durante todos os momentos, e visam enfatizar a importância do afeto, da comunicação, da dedicação, da paciência diante do stress e esgotamento existente no decorrer do tratamento.

Bibliografia Selecionada

1) Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAZ). Mudanças na vida cotidiana e familiar. Disponível em: http://abraz.org.br/orientacao-a-cuidadores/cuidados-com-o-familiar-cuidador/mudancas-na-vida-cotidiana-e-familiar
2) GRANDE, AM; COUBE, MA; GIORDANI, AT. O idoso portador de Alzheimer: cuidados de enfermagem e orientações aos familiares para o cuidado domiciliar. Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP/CLM), Departamento de Saúde e Educação –Bandeirantes/PR. Disponível em: http://www.rnsaude.com.br/site/artigos/o-idoso-portador-de-alzheimer-cuidados-de-enfermagem-e-orientacoes-aos-familiares-para-o-cuidado-domiciliar.html
3) LFL. Cuidados de Enfermagem na Doença de Alzheimer. 2008. Disponível em: http://www.medicinageriatrica.com.br/2008/04/30/doenca-de-alzheimer-cuidados-de-enfermagem-parte-2/
4) Valente GSC, Lindolpho MC, Santos TD, Chibante CL, Aquino A. Sistematização da assistência de enfermagem ao idoso com doença de Alzheimer e transtornos depressivos. Rev. enferm UFPE on line., Recife, 5(esp):4103-111, maio. 2013. Disponível em:http://www.revista.ufpe.br/revistaenfermagem/index.php/revista/article/view/4194/pdf_2581
5) SANTANA, Rosimere Ferreira; ALMEIDA, Katia dos Santos; SAVOLDI, Nina Aurora Mello. ; Indicativos de aplicabilidade das orientações de enfermagem no cotidiano de cuidadores de portadores de Alzheimer. ; Revista da Escola de Enfermagem – USP; 43; 459-464; 2009. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342009000200028&lng=pt&nrm=iso
6) Valim MD, Damasceno DD, Abi-acl LC, Garcia F, Fava SMCL. A doença de Alzheimer na visão do cuidador: um estudo de caso. Rev. Eletr. Enf. [Internet] 2010;12(3):528-34. Disponível em: http://www.revenf.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1518-19442010000300016&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt
7) Decesaro, M.N., Mello, R. & Marlon, S.S. (2009). Capacidade funcional em idosos com Doença de Alzheimer. Anais do 61º Congresso Brasileiro de Enfermagem: Transformação social e sustentabilidade ambiental. Trabalho 2657/2/2. Disponível em: http://www.abeneventos.com.br/anais_61cben/files/02657.pdf