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Como deve ser a abordagem, feita por um profissional de saúde da APS, a uma paciente que esteja apresentando pensamento suicida?

| 29 mar 2018 | ID: sof-37609
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O profissional de saúde deve fazer uma abordagem centrada no diálogo, mantendo um contado mais próximo possível, com esse paciente. Dessa forma é importante: achar um lugar adequado onde uma conversa tranquila possa ser mantida com privacidade razoável; reservar o tempo necessário para ouvir o paciente; ter uma escuta qualificada. O objetivo é preencher uma lacuna criada pela desconfiança, desespero e perda de esperança e dar à pessoa a esperança de que as coisas podem mudar para melhor(1).

É importante que o profissional saiba como se comunicar, sendo necessário: ouvir atenta e calmamente; entender os sentimentos da pessoa (empatia); emitir mensagens não-verbais de aceitação e respeito; expressar respeito pelas opiniões e valores da pessoa; manter um diálogo honesto e com autenticidade; mostrar sua preocupação, cuidado e afeição; focalizar nos sentimentos da pessoa(1).
O profissional de saúde durante a comunicação com o paciente, deve atentar-se: não interromper muito frequentemente; não ficar chocado ou muito emocionado; não demonstrar que possa está ocupado; não tratar o paciente de maneira que o coloca numa posição de inferioridade; não fazer comentários invasivos e pouco claros(1).
Após a adoção dessas medidas o profissional deve avaliar a necessidade de outras intervenções tais como: ajuda de outro profissional na condução do caso; internação caso haja risco eminente de suicídio como verbalização do plano elaborado.
Complementação
Suicídio é o ato intencional de matar a si mesmo. Pensar em Suicídio é se entregar a uma busca incansável dos porquês. É refletir sobre quais sentimentos, faltas, lacunas ou mistérios rondavam aquela existência. Muitos questionamentos surgem, como por exemplo, por que as pessoas se matam, o que aconteceu com aquela pessoa para desistir de viver e se matar, etc. Isto consequentemente nos leva a uma busca por respostas no sentido de aliviar o sofrimento e a sensação de indignação e inconformismo, por alguém ter decidido acabar com sua própria vida(3).
A literatura mostra que a associação entre suicídio e transtornos mentais é de mais de 90%. Entre os transtornos mentais associados ao suicídio, a depressão se destaca. Os outros transtornos mentais que aparecem na literatura associados ao suicídio são os transtornos bipolares do humor, abuso de álcool, esquizofrenia e transtornos de personalidade(1,2,3).
A ideia do suicídio como um aparente desfecho para uma história de muito sofrimento, de um quadro depressivo, um ato de desespero ou insanidade, reacende uma discussão sobre a dificuldade que é a compreensão e a abordagem destas pessoas no desenrolar de suas tramas pessoais, além das dificuldades de detecção de sinais de desesperança, dos pedidos de ajuda, verbais e não verbais comuns frente ao surgimento do desejo de morte e da própria ideação suicida(3).
O suicídio ainda é tratado como tabu, surge à necessidade de desmistificar o tema, levando em consideração o trauma que o suicídio acarreta ao meio social. Como se trata de um assunto polêmico, gerador de muita angústia e disparador de fantasias, é preciso sensibilizar a sociedade para a importância de um olhar menos amedrontado e mais acolhedor, onde o sofrimento do outro possa ser mais escutado, possibilitando intervenções(3).
Identificar as fontes de apoio disponíveis, para os pacientes em sofrimento psíquico, é muito importante e pode contribuir para mudança de comportamento desse paciente. Família, amigos, colegas, igrejas, centros de crise (CAPS), profissionais de saúde podem ser identificadas como fontes de apoio(1).
Atributos da APS
É importante que familiares e profissionais de saúde estejam atentos a manifestação de alguns sinais que possam ser indicativos de que esse paciente possa está correndo risco de suicídio. A integralidade na assistência é ponto fundamental para identificar possíveis sofrimentos psíquicos.

Bibliografia Selecionada

1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Área Técnica de Saúde Mental. Prevenção do Suicídio: Manual dirigido a profissionais das equipes de saúde mental. Brasília. Ministério da Saúde. 2006:76p. Disponível em: http://www.cvv.org.br/downloads/manual_prevencao_suicidio_profissionais_saude.pdf
2. Organização Mundial da Saúde. Departamento de Saúde Mental. Transtornos Mentais e Comportamentais. Prevenção do suicídio: um manual para profissionais da saúde em atenção primária [Internet]. Genebra: A organização; 2000 [citado 2009 Jun 30]. Disponível em: http://www.who.int/mental_health/prevention/suicide/en/suicideprev_phc_port.pdf
3. Barbosa FO, Macedo PCM, Silveira RMC. Depressão e Suicídio [Internet]. Rev. SBPH. 2011 Jun;14(1):233-243. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-08582011000100013