Contato

SOF

Como o médico da atenção primária pode acompanhar pacientes com Insuficiência Cardíaca Direita?

| 21 fev 2018 | ID: sof-37362
Esta SOF foi útil pra você?
Reload

Enter the code

Insuficiência Cardíaca Direita é amplamente conhecida como uma consequência de disfunção do coração em bombear o sangue (ventrículo esquerdo) e/ou dificuldade em metabolizar os tecidos; ou em consequência de doenças pulmonares (DPOC, HAP, Cor pulmonale). Esta síndrome clínica é caracterizada por congestão tecidual, incluindo distensão venosa jugular, edema periférico, ascite e congestão de órgãos abdominais. Há comprometimento acentuado do Ventrículo direito (VD) com sua dilatação e/ ou regurgitação tricúspide(1-2).

A prevenção clínica é feita com os elementos de um estilo de vida saudável: fazer refeições ricas em alimentos cardioprotetores (proteínas, baixo consumo de gordura e sal, vegetais, grãos, evitar álcool, alimentos ricos em ômega 3), realizar atividade física regular, manter o peso corporal ideal e viver em ambiente livre de tabaco incluindo moradia e trabalho. Bem como avaliação por um profissional médico incluindo anamnese, exame físico, medida da pressão arterial, circunferência abdominal, peso e altura, IMC e exames laboratoriais(1,3).
Em sua maioria o tratamento é feito de acordo com o fator causal da insuficiência cardíaca direita que em sua maioria é a insuficiência cardíaca esquerda; então o tratamento é realizado através de beta-bloqueadores (carvedilol, metoprolol, nebivolol e bisoprolol), IECA ou BRA, antagonistas de aldosterona, as vezes com necessidade de associação de diuréticos, hidralazina e nitrato, digoxina, ivabradina, antiarrítmicos e até anticoagulantes. Em alguns casos o tratamento cirúrgico também está indicado(1,3).
O acompanhamento é realizado através de anamnese e exame físico (observação de piora dos sinais e sintomas – classe funcional), taxa de adesão ao tratamento medicamentoso e não medicamentoso, eletrocardiograma (observar bradicardia, taquicardia e mudanças no padrão do exame), radiografia de tórax (avaliar congestão pulmonar, índice cardio-torácico aumentado (>0,5); exames laboratoriais (avaliar padrão de anemia, hiponatremia, função renal e hipo/hipercalemia). Quando disponível também pode ser utilizado o ecocardiograma (avaliando-se a fração de ejeção, função diastólica do VE, dissincronia cardíaca) e ergoespirometria (avaliando-se a tolerância ao exercício físico, que com uso de Beta-bloqueadores temos como parâmetro o VO2 pico <12 ml.kg-1.min-1) e assim instituir reabilitação cardíaca para melhorar a qualidade de vida do paciente e o seu seguimento clínico conjunto ao especialista(1).

Bibliografia Selecionada

1- Bocchi EA, Marcondes-Braga FG, Bacal F, Ferraz AS, Albuquerque D, Rodrigues D, et al. Sociedade Brasileira de Cardiologia. Atualização da Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Crônica – 2012. Arq Bras Cardiol 2012: 98(1 supl. 1): 1-33 Disponível em: http://publicacoes.cardiol.br/consenso/2012/Diretriz%20IC%20Cr%C3%B4nica.pdf
2- Braunwald E, Zipes DP, et al. Braunwald’s Heart Disease: A Textbook of Cardiovascular Medicine, 9th ed, Saunders Elsevier, 2011.
3- Duncan BB, et al. Medicina Ambulatorial: Condutas de Atenção Primária baseadas em evidência. 3.ed. Porto Alegre: Artmed, 2004