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Como o NASF pode auxiliar as equipes de Saúde da Família para o cuidado às gestantes no acompanhamento pré-natal de alto risco?

| 11 abr 2017 | ID: sof-36435
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Em conformidade com a lógica de trabalho recomendada a partir do apoio matricial, o Núcleo de Apoio à Saúde da Família NASF) pode apoiar as equipes de Saúde da Família (equipes de SF) no cuidado às gestantes em acompanhamento pré-natal de alto risco através de diferentes ações, como por meio de consultas e grupos compartilhados com as equipes de SF, visitas domiciliares e outras estratégias definidas conforme a necessidade verificada caso a caso. A equipe de SF deve se manter responsável pelo seguimento da gestante encaminhada a um diferente ponto de atenção, mesmo quando o acompanhamento for realizado em um serviço de referência especializado em pré-natal de alto risco, de maneira que seu vínculo com a Atenção Básica em Saúde/Atenção Primária em Saúde (ABS/APS) seja sustentado1,2.

Dessa forma, a equipe de SF de referência poderá continuar atendendo a gestante para orientações de saúde, concomitantemente ao atendimento realizado no serviço especializado, com o apoio do NASF sempre que necessário1. As ações a serem realizadas dependerão das singularidades de cada usuária, integrando-se a atenção no pré-natal de alto risco nos serviços especializados com aquela oferecida na ABS/APS2. Há, entretanto, a necessidade de que sejam respeitadas as competências de cada ponto de atenção, considerando-se a importância da abordagem integral às gestantes conforme suas especificidades clínicas, socioeconômicas e demográficas2.

Nesse sentido, são atribuições da ABS/APS no pré-natal de alto risco2:

I – Captação precoce da gestante de alto risco, com busca ativa das gestantes;

II – Estratificação de risco;

III – Visitas domiciliares às gestantes de sua população adscrita;

IV – Acolhimento e encaminhamento responsável ao estabelecimento que realiza o pré-natal de alto risco, por meio da regulação;

V – Acolhimento e encaminhamento responsável de urgências e emergências obstétricas e neonatais;

VI – Vinculação da gestante ao pré-natal de alto risco;

VII – Coordenação e continuidade do cuidado; e

VIII – Acompanhamento do plano de cuidados elaborado pela equipe multiprofissional do estabelecimento que realiza o pré-natal de alto risco.

O NASF tem a possibilidade, portanto, de discutir e pactuar com as equipes apoiadas as ações que pode realizar para fortalecê-las no cuidado dessas gestantes, conforme suas atribuições. São exemplos de possibilidades, o apoio para a identificação e ativação da rede de suporte familiar e social, a participação em atividades educativas individuais e em grupo, o reforço para frequência nas consultas especializadas e maior adesão aos tratamentos instituídos, além de poder oferecer suporte também no primeiro atendimento na suspeita de intercorrências, em acordo com a formação dos profissionais que o compõem e nos casos em que o acesso da gestante aos serviços especializados seja difícil3. Enfatiza-se que este acompanhamento não substitui a consulta médica do especialista e o seguimento no serviço de referência de alto risco4.

Em situações de dúvida sobre as intervenções que podem ser executadas, é possível realizar contato com os serviços definidos pelo gestor como unidades de referência para atenção às gestantes de alto risco, o que pode auxiliar as equipes que estão acompanhando o caso sobre as possibilidades de atuação. A existência de um sistema de referência e contrarreferência eficiente também é fundamental para que a gestante possa manter seu vínculo com a AB/APS. O serviço ambulatorial especializado em pré-natal de alto risco deve manter a equipe de SF informada acerca da evolução da gravidez e dos cuidados à gestante encaminhada2. O estabelecimento dessa comunicação dinâmica entre os serviços deve qualificar o cuidado à gestante, contribuindo para a corresponsabilização pelo cuidado3. O NASF pode, também, apoiar as equipes no estabelecimento dessa relação com os serviços especializados.

Por fim, o apoio do NASF para atenção ao pré-natal de alto risco na ABS/APS deve considerar as singularidades de cada usuária e a pactuação prévia realizada com as equipes de SF, considerando-se que têm responsabilidade pela coordenação do cuidado e compromisso com a garantia de atenção à saúde progressiva, continuada e acessível a todas as mulheres2,5.

 

Bibliografia Selecionada

  1. Brasil. Cadernos de Atenção Básica: Atenção ao pré-natal de baixo risco. Brasília: Ministério da Saúde; 2012. Disponível em :http://189.28.128.100/dab/docs/publicacoes/geral/caderno_atencao_pre_natal_baixo_risco.pdf [acesso em 06 novembro 2016].
  2. Brasil. Ministério da Saúde. Portaria no 1020, de 29 de maio de 2013. Institui as diretrizes para a organização da Atenção à Saúde na Gestação de Alto Risco e define os critérios para a implantação e habilitação dos serviços de referência à Atenção à Saúde na Gestação de Alto Risco, incluída a Casa de Gestante, Bebê e Puérpera (CGBP), em conformidade com a Rede Cegonha. 2013. Disponível em:  http://www.husm.ufsm.br/janela/legislacoes/gestao-alto-risco/gestao-alto-risco/portaria-no-1020-de-29-de-maio-de-2013.pdf [acesso em 06 novembro 2016].
  3. Brasil. Ministério da Saúde. Gestação de alto risco. 5 ed. Brasília: Editora do Ministério da Saúde; 2010. Disponível em: https://pt.slideshare.net/luiscbene/gestacao-alto-riscomsade [acesso em 06 novembro 2016].
  4. Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo. Parecer COREN-SP – CT. PRCI no 4720. Ementa: realização de consulta de enfermagem para gestante de alto risco. Disponível em: http://portal.coren-sp.gov.br/sites/default/files/parecer_coren_sp_2014_034.pdf [acesso em 06 novembro 2016].
  5. Universidade Federal do Maranhão. Unasus – UFMA. Redes de Atenção à Saúde: a Rede Cegonha. Marques CPC (org.). São Luís: UFMA; 2015. Disponível em: http://www.multiresidencia.com.br/site/assets/uploads/kcfinder/files/REDE%20CEGONHA.pdf[acesso em 06 junho 2016].