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Como orientar a gestante adolescente na atenção básica?

| 11 jan 2018 | ID: sof-37245
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Embora a gestação na adolescência represente um fator de risco, a realização do pré-natal pela equipe de atenção básica e todas as ofertas do pré-natal devem ser oferecidas a esta gestante. A equipe de saúde deve encaminhar esta gestante somente em caso de dúvidas ou intercorrências (1).

A análise da gravidez e da maternidade nessa faixa etária não pode ser desvinculada das motivações individuais, nem descontextualizada das condições sociais em que as adolescentes estão inseridas. Nem sempre a gravidez na adolescência é algo não planejado, indesejado ou fruto do não conhecimento de métodos anticoncepcionais(²).
Os processos educativos no pré-natal da mãe adolescente devem ser os mais dialogados e precoces possíveis (²): captação utilizando o teste rápido para gravidez, abordar as mudanças no corpo materno, o processo fisiológico da gravidez, os direitos da gestante e o cuidado com os recém nascidos; e aproveitar para debater a anticoncepção e planejamento familiar.
O profissional de saúde deve estar atento às situações de violência. Grupos de educação em saúde são bem avaliados, sempre buscando a participação do cônjuge e dos ascendentes (pais e avós da adolescente). Para a adesão da adolescente ao espaço que lhe é oferecido é necessário permitir que ela seja ouvida, possa expor suas ideias, sentimentos e experiências, e que também seja respeitada e valorizada. Exige-se, portanto, que os serviços de saúde tenham um enfoque com base na especificidade deste grupo e na integralidade da atenção à saúde, não apenas nos aspectos técnico e biológico, mas também nos aspectos psicossociais, históricos, sociais, culturais, políticos, nos valores e comportamentos.
É nessa etapa da vida que acontece a descoberta da sexualidade, que pode ser vivenciada intensamente, por meio de práticas sexuais sem proteção, tornando-se um problema devido à falta de informação, de comunicação entre os familiares ou devido ao medo de assumi-la. A gravidez nessa faixa etária está associada a diversos problemas físicos, sociais e emocionais que a revelam como um importante problema de Saúde Pública. Sabe-se também que a gestação na adolescência se associa significativamente a recém-nascido de baixo peso e pré-natal inadequado. Toda a assistência pré-natal deve ser garantida, e seguem algumas recomendações (³):
1. O pré-natal deve sofrer adaptações para a adolescente e a equipe multiprofissional deve facilitar o acesso, buscar a captação precoce e estar sempre aberto ao diálogo, para sanar dúvidas e facilitar o cuidado;
2. Garantir a sequência do cuidado no puerpério e o cuidado da criança;
3. Buscar garantir o cuidado a qualquer intercorrência, acessando a rede de referências quando necessário;
4. Os pais da adolescente e o da criança devem ser incluídos nas ações de pré-natal;
5. O ultrassom de primeiro trimestre deve ser garantido não somente para ter clareza da idade gestacional/data provável do parto mas para monitorar risco de parto prematuro. Ultrassom morfológica entre a 16ª e 20ª semana é recomendada devido ao maior risco de anomalias congênitas;
6. Oferecer e estimular a realização dos testes para doenças sexualmente transmissíveis (HIV, Sífilis);
7. Pesquisar abuso de álcool e drogas, transtornos na saúde mental e violência contra a mulher, pois estes indicadores são mais elevados nesta população;
8. Avaliar a necessidade de uma maior quantidade de consultas de pré-natal, de acordo com os riscos encontrados nas consultas, seja nos diálogos ou exames complementares;
9. Reforçar o suporte para o aleitamento materno exclusivo devido a maiores taxas de descontinuidade nesta população;
10. Agir com competência cultural em relação ao estar grávida, ao manejo das intercorrências e aos cuidados com o recém-nascido, sempre visando o cuidado com a família.

Bibliografia Selecionada

1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Atenção ao pré-natal de baixo risco. Cadernos de Atenção Básica (32).Brasília : Ministério da Saúde, 2012. 318 p. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cadernos_atencao_basica_32_prenatal.pdf Acesso em: 19 dez 2017
2. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção a Saúde. Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas. Proteger e cuidar da saúde de adolescentes na atenção básica. Brasília : Ministério da Saúde, 2017. 234 p. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/proteger_cuidar_adolescentes_atencao_basica.pdf Acesso em : 19 dez 2017
3. Fleming N, O’Driscoll T, Becker G, Spitzer RF; CANPAGO COMMITTEE. Adolescent Pregnancy Guidelines. J Obstet Gynaecol Can. 2015 Aug;37(8):740-756. doi:10.1016/S1701-2163(15)30180-8. PubMed PMID: 26474231. Disponível em: http://www.jogc.com/article/S1701-2163(15)30180-8/pdf