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Como proceder frente a verificação de pressão arterial em pacientes mastectomizadas?

| 24 abr 2017 | ID: sof-36487
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Fica inviável a realização da aferição da pressão arterial (PA) sistêmica no braço decorrente da mastectomia. Se ambos os membros foram realizados o esvaziamento axilar, o procedimento da técnica deverá ser desenvolvido em membro inferior. A técnica de Korotkoff (ausculta da pressão) no membro superior afetado pelo esvaziamento axilar, pode desencadear o linfedema1,2,3,6.

A verificação em membros inferiores pode ser realizada com o paciente em posição deitada, com o manguito colocado na região da panturrilha cobrindo pelo menos 2/3 da distância entre o joelho e o tornozelo. A pressão sistólica medida na perna pode ser mais elevada do que no braço devido ao fenômeno da amplificação do pulso distal. Esta diferença pode variar de alguns milímetros no lactente até 10-20 mmHg na criança maior ou no adulto. Por outro lado, a PA medida no braço nunca deve exceder a medida da perna, pois esta variação, se confirmada, sugere o diagnóstico de coarctação da aorta 3.

A medida da pressão arterial tem sua técnica padronizada e publicada em diversas diretrizes internacionais,e cuidados a serem executados para garantir uma medida adequada da PA4:

- Explicar o procedimento ao paciente;

- Certificar-se de que o paciente: não está com a bexiga cheia; não praticou exercícios físicos; não ingeriu bebidas alcoólicas, café, alimentos, ou fumou até 30 min antes da medida;

- Deixar o paciente descansar por 5 a 10 min em ambiente calmo, com temperatura agradável. O linfedema é definido como um acúmulo de linfa nos espaços intersticiais, causado pela destruição dos canais de drenagem axilar, provocada pela cirurgia e/ou radioterapia ou ainda pela progressão locorregional da doença. Acarreta a diminuição da força muscular, tensão muscular, dor e aumento do peso do membro superior acometido, facilitando o desenvolvimento de assimetrias posturais1.

Após a realização da mastectomia, é necessária uma avaliação constante do membro homolateral à cirurgia para detecção precoce do linfedema, objetivando o tratamento adequado. Devem ser avaliadas as alterações ortopédicas; coloração e aspecto da pele; realização da palpação e perimetria (medida da circunferência de ambos os membros superiores), confirmando localização, extensão e características do linfedema 2. Que pode diversificar em sua classificação de nível, variando de I a III 6.

Quando não tratado, o edema aumenta progressivamente, podendo acarretar diagnósticos de linfedema permanente e resistente ao tratamento, gerado pelo acúmulo de linfa que leva à estagnação de proteínas e consequente fibrose, tornando-se um meio de cultura propício para o desenvolvimento de linfangites e erisipelas, condições estas que agravam ainda mais o sistema linfático, previamente danificado, além de predisporem quadros de linfangiossarcoma, tumor raro, porém de alta letalidade. O tratamento do linfedema vai desde o uso de medicamentos e de acessórios compressivos até a abordagem cirúrgica 2,7.

Para a prevenção de edema a paciente que realizar mastectomia deve utilizar roupas e acessórios folgados no membro afetado; evitar aferir pressão arterial; evitar mudanças de temperatura extremas; e manter o membro elevado sempre que possível 6.

O acompanhamento deste paciente deve ocorrer conforme projeto terapêutico singular (PTS) que deve ser desenvolvido pela equipe multiprofissional da Atenção Básica (AB), onde deva constar a frequência da reavaliação do membro afetado pela linfonodectomia axilar, na prevenção de linfedema, e quanto à frequência da verificação da PA e sua necessidade frente ao quadro clínico do mesmo.

Bibliografia Selecionada

  1. Souza VP, Panobianco MS, Almeida AM, et al. Fatores predisponentes ao linfedema de braço referidos por mulheres mastectomizadas. Rio de Janeiro. 2007. Disponível em: http://www.facenf.uerj.br/v15n1/v15n1a14.pdf ; [acessado em 13 set 2016].
  2. Panobianco MS, Parr MV, Almeida AM, et al. Estudo da adesão às estratégias de prevenção e controle do linfedema em mastectomizadas. 2009. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-81452009000100022 ; [acessadol em 13 set 2016].
  3. Koch VH, Furusawa EA. Diretrizes para medida da Pressão Arterial, MAPA e MRPA. Disponível em: http://www.sbp.com.br/src/uploads/2015/02/Diretirzes_mapa.pdf ;[acessado em 13 set 2016].
  4. Schmidt A, Filho AP, Maciel BC. Medida indireta da pressão arterial sistêmica. 2004. Disponível em: http://revista.fmrp.usp.br/2004/vol37n3e4/5medida_indireta.pdf ;[acessado em 13 set 2016].
  5. Geleilete TJM, Coelho EB, Nobre F. Medida casual da pressão arterial. 2009. Disponível em: http://departamentos.cardiol.br/dha/revista/16-2/13-medida.pdf; [acessado em 13 set 2016].
  6. Instituto Oncoguia. Linfedema. 24/03/2013. Disponível em: http://www.oncoguia.org.br/conteudo/linfedema/1332/109/ ; [acessado em 13 set. 2016].
  7. Castro AMS,Moreno CL, Matarãn GAP, et al Prevención del linfedema tras cirugía de cáncer de mama mediante ortesis elástica de contención y drenaje linfático manual: ensayo clínico aleatorizado. / [Preventing lymphoedema after breast cancer surgery by elastic restraint orthotic and manual lymphatic drainage: a randomized clinical trial]. 2011. Disponível em: http://pesquisa.bvs.br/aps/resource/pt/mdl-21145085; [acessado em 22 abr 2017].