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Como realizar acolhimento em odontologia na Atenção Básica?

| 02 mar 2018 | ID: sof-37512
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As possibilidades de acolhimento são muitas e o importante é que as melhorias sejam feitas com a participação de toda a equipe que trabalha no serviço, se alguns profissionais não apresentam as habilidades requeridas, sugiro que sejam planejadas atividades que possibilitem a capacitação dos mesmos para o acolhimento.

É preciso que a equipe de saúde se reúna para discutir como está sendo feito o atendimento no serviço e qual a melhor forma de aperfeiçoar o processo de acolhimento sem que alguns profissionais fiquem sobrecarregados.
O acolhimento como postura e prática nas ações de atenção e gestão nas unidades de saúde favorece a construção de uma relação de confiança e compromisso dos usuários com as equipes e os serviços, contribuindo para a promoção da cultura de solidariedade e para a legitimação do sistema público de saúde. Favorece, também, a possibilidade de avanços na aliança entre usuários, trabalhadores e gestores da saúde em defesa do SUS como uma política pública essencial para a população brasileira(1).

Algumas sugestões e reflexões sobre a implantação do acolhimento nos serviços de saúde podem ajudar sua equipe a pensar o processo(2):
- Organizar as unidades de saúde com os princípios de responsabilidade territorial, adscrição de clientela, vínculo com responsabilização clínico-sanitária, trabalho em equipe e gestão participativa, entendendo-se o acolhimento como prática intrínseca e inerente ao exercício profissional em saúde. Tal medida proporciona, assim, a superação da prática tradicional, centrada na exclusividade da dimensão biológica e na realização de procedimentos a despeito da perspectiva humana na interação e na constituição de vínculos entre profissionais de saúde e usuários.
- Ampliar a qualificação técnica dos profissionais e das equipes em atributos e habilidades relacionais de escuta qualificada, de modo a estabelecer interação humanizada, cidadã e solidária com usuários, familiares e comunidade, bem como o reconhecimento e a atuação em problemas de saúde de natureza agudas ou relevantes para a saúde pública. A elaboração de protocolos, sob a ótica da intervenção multi e interprofissional na qualificação da assistência, legitima a inserção do conjunto de profissionais ligados à assistência na identificação de risco e na definição de prioridades, contribuindo, assim, para a formação e o fortalecimento da equipe.
- Implantar a sistemática de acolhimento na rede SUS de forma integrada, pactuando e explicitando com as várias unidades de saúde suas responsabilidades com a população adscrita e a atenção à demanda não agendada, visando à capacidade resolutiva e à garantia de continuidade da atenção.
- Implantar as sistemáticas de acolhimento: a) na Atenção Básica (PSF), compatibilizando o atendimento entre a demanda programada e a não programada e desenvolvendo atividades de acolhimento na comunidade como rodas de conversas de quarteirão, terapia comunitária, grupos de convivência (artesanato, caminhada), entre outros.

Algumas maneiras de fazer ou qualificar o acolhimento(2):
- Montagem de grupos multiprofissionais para mapeamento do fluxo do usuário na unidade.
- Levantamento e análise, pelos próprios profissionais de saúde, dos modos de organização do serviço e dos principais problemas enfrentados.
- Construção de rodas de conversas objetivando a coletivização da análise e a produção de estratégias conjuntas para enfrentamento dos problemas.
- No adensamento do processo, ir ampliando as rodas para participação de diferentes setores da unidade.
- Montagem de uma planilha de passos com dificuldades, tentativas que fracassaram e avanços.
- Identificar profissionais sensibilizados para a proposta.
- Construção coletiva dos passos no processo de pactuação interna e externa.
- Articulação com a rede de saúde para pactuação dos encaminhamentos e acompanhamento da atenção.
- Assinalamento constante da indissociabilidade entre a atenção e a gestão (modos de produzir saúde dos modos de gerir essa produção).

Na situação concreta do serviço, algumas questões a considerar(2):
1. Como se dá o acesso do usuário, em suas necessidades de saúde, ao atendimento em seu serviço? Alguns pontos para se observar utilizando todos os sentidos (audição, visão, tato… e também a intuição): Ao chegar à unidade, a quem ou para onde o usuário se dirige? Quem o recebe? De que modo? Qual o caminho que o usuário faz até ser atendido? O que se configura como necessidade de atendimento no serviço? Quem a define? O que não é atendido e por quê? Como você percebe a escuta à demanda do usuário? Do que e como a rede social do usuário é informada? Que profissionais participam desse processo?
2. Que tipos de agravos à saúde são imediatamente atendidos? Em quanto tempo? O que os define como prioritários? Há em seu serviço uma ordenação do atendimento? Qual? Como é feito o encaminhamento dos casos não atendidos na unidade? Que procedimentos são utilizados? Quem responde por eles? Há articulação com a rede de serviços de saúde (sistemas de referência e contra-referência)? O usuário e a rede social participam desse processo?
3. Como você percebe a relação entre o trabalhador de saúde e o usuário? Como são compostas as equipes de atendimento em sua unidade? Por grupo-classe profissional? Há trabalho de equipe multiprofissional? Em que setores? Há reuniões ordinárias? Qual a periodicidade? Qual é a composição? Quais as maiores dificuldades encontradas no funcionamento por grupo-classe ou equipe multiprofissional?
4. Como são tomadas as decisões em sua unidade? Pelas chefias? Pelo gestor geral da unidade? Por colegiados? Como são definidas as prioridades e as necessidades de mudança no processo de trabalho? Quem participa disso? De que modos são encaminhadas? Como se lida com os conflitos e as divergências no cotidiano do serviço?
5. Como é o ambiente e no que ele interfere nas práticas de acolhimento? Como são a confortabilidade e a privacidade? Como são a informação e a sinalização? Como são as condições e as relações de trabalho?

Maiores informações podem ser encontradas no Caderno de Atenção Primária, n. 28 sobre Atenção à demanda espontânea na APS, Segue o link: http://dab.saude.gov.br/portaldab/biblioteca.php?conteudo=publicacoes/cab28

Bibliografia Selecionada

1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria Executiva. Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. HumanizaSUS. Acolhimento com avaliação e classificação de risco: um paradigma ético-estético no fazer em saúde. Brasília: Ministério da Saúde. (Série B. Textos Básicos de Saúde) 2004:48p. Disponível em: http://www.saude.sp.gov.br/resources/humanizacao/biblioteca/pnh/acolhimento_com_avaliacao_e_classificacao_de_risco.pdf Acesso em 23 de agosto de 2017.
2. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. HumanizaSUS: Documento base para gestores e trabalhadores do SUS. 4. ed. 4. reimp. – Brasília : Editora do Ministério da Saúde. (Série B. Textos Básicos de Saúde) 2010:72p. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/humanizasus_documento_gestores_trabalhadores_sus.pdf  Acesso em 23 de agosto de 2017.