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Deve-se recomendar o uso de irrigação nasal com soro para tratamento da rinossinusite?

| 21 mar 2017 | ID: sof-36338
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A irrigação salina nasal é recomendada para o alívio dos sintomas da rinossinusite crônica, 1,2 e mostra-se particularmente útil quando há crosta de secreções nasais, devido à drenagem espessa crônica³. Pode ser usada isoladamente para sintomas leves, ou antes, de outras medicações tópicas, para limpeza da mucosa. A irrigação salina nasal não apresenta risco considerável para a saúde se realizada devidamente4.  Há evidência do benefício também na rinite alérgica, inclusive em gestantes5. Em crianças com sinusite aguda e com rinite alérgica concomitante, a irrigação nasal melhora significativamente a rinorreia, a congestão nasal, a coceira na garganta, a qualidade do sono, e o fluxo de ar nasal6.  Um artigo de revisão publicado em 2009 pela American Family Physician atribuiu a irrigação nasal uma força de evidência nível “A” como terapia eficaz adjuvante para os sintomas da rinossinusite crônica, e nível “B” para rinites irritativas e alérgicas e infecções virais do trato respiratório superior 7.

Irrigações nasais realizadas com grande volume (> 200 mL de cada lado) e baixa pressão positiva são mais eficazes do que sprays salinos para o tratamento dos sintomas nasais e sinusite crônica8, 9.
Os benefícios do uso de solução salina nasal são provavelmente devido a efeitos locais, como diminuição da viscosidade das secreções nasais, diminuição do edema da mucosa nasal, e remoção de detritos, bactérias, alergenos e mediadores inflamatórios pela ação mecânica da “lavagem” pela irrigação salina. A maior eficácia de irrigação ao invés de pulverização salina pode ser devida ao maior volume e desbridamento mecânico conseguido com as irrigações8.
Uma variedade de dispositivos para irrigação nasal, como garrafas de apertar, seringas, bulbos, podem ser eficazes, desde que o sistema proporcione um volume adequado de solução (> 200 mL de cada lado) para dentro do nariz 4 .
Apesar de sua eficácia na redução dos sintomas de rinossinusite, a realização de irrigação nasal salina com grande volume e baixa pressão não é intuitiva e pode ser assustadora para alguns pacientes. A necessidade de aprender a executar a irrigação nasal, superar o medo da água na cavidade nasal e encontrar o tempo para realizar a irrigação regularmente podem ser barreiras para este tratamento10.

A irrigação da mucosa nasal com solução salina isotônica (0,9%) é uma medida clássica e segura, bastante útil na mobilização das secreções e hidratação da mucosa, como tratamento coadjuvante e preventivo das doenças inflamatórias e infecciosas nasossinusais. Já as soluções salinas hipertônicas (até 3%) aumentam a frequência do batimento ciliar e reduzem o edema da mucosa nasal, com melhora do transporte mucociliar (TMC) e diminuição da obstrução nasal. A lavagem nasal com solução salina é indicada como terapia coadjuvante das rinopatias alérgicas, rinossinoside aguda (RSA), como medida preventiva nas RS intermitentes e rinossinusite crônica (RSC), e nos pós-operatório das cirurgias nasossinusais11. Pacientes com rinossinusite devem ser orientados quanto ao uso correto da irrigação nasal, a fim de que a adesão ao tratamento seja facilitada e haja efetividade no tratamento implementado. Para isso é necessário que o profissional de saúde facilite o acesso desse paciente ao serviço de saúde e forneça informações necessárias a execução adequada do procedimento.

Bibliografia Selecionada

  1. 1. Harvey R, Hannan SA, Badia L, Scadding G. Nasal saline irrigations for the symptoms of chronic rhinosinusitis. Cochrane Database Syst Rev. 2007 Jul 18;(3):CD006394. Review. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/17636843
  2. Richard M. Rosenfeld, MD, MPH, Jay F. Piccirillo, MD, Sujana S.Chandrasekhar, MD, Itzhak Brook, MD, MSc, Kaparaboyna Ashok Kumar, MD, FRCS, MaggieKramper, RN, FNP, Richard R.Orlandi, MD, James N. Palmer, MD, Zara M. Patel, MD, AnjuPeters, MD, Sandra A. Walsh, Maureen D. Corrigan; Clinical Practice Guideline (Update); Otolaryngology-Head and Neck Surgery, Vol 152, Issue 2_suppl, pp. S1 – S39, First published date: April-22-2016; 10.1177/0194599815572097 Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25832968
  3. Li H, Sha Q, Zuo K, Jiang H, Cheng L, Shi J, Xu G;  Nasal saline irrigation facilitates control of allergic rhinitis by topical steroid in children. ORL J Otorhinolaryngol Relat Spec. 2009;71(1):50. Disponível em:  http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed?term=19047814
  4. UpToDate; Richard D deShazo,  Pharmacotherapy of allergic rhinitis; [Literature review current through: Mar 2016. | This topic last updated: Oct 28, 2015] .Acesso institucional em 08/04/2016. Disponível em: http://www.uptodate.com/contents/pharmacotherapy-of-allergic-rhinitis
  5. Garavello W, Somigliana E, Acaia B, Gaini L, Pignataro L, Gaini RM; Nasal lavage in pregnant women with seasonal allergic rhinitis: a randomized study. Int Arch Allergy Immunol. 2010;151(2):137. Disponível em:  http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed?term=19752567
  6. Wang YH, Yang CP, Ku MS, Sun HL, Lue KH;  Efficacy of nasal irrigation in the treatment of acute sinusitis in children. Int J Pediatr Otorhinolaryngol. 2009;73(12):1696. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed?term=19786306
  7. Rabago D, Zgierska A. Saline nasal irrigation for upper respiratory conditions. Am Fam Physician. 2009 Nov 15;80(10):1117-9. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19904896
  8. Pynnonen MA, Mukerji SS, Kim HM, Adams ME, Terrell JE. Nasal saline for chronic sinonasal symptoms: a randomized controlled trial. Arch Otolaryngol Head Neck Surg. 2007 Nov;133(11):1115-20. PMID: 18025315 Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18025315
  9. Chong LY, Head K, Hopkins C, Philpott C, Glew S, Scadding G, Burton MJ, Schilder AG. Saline irrigation for chronic rhinosinusitis. Cochrane Database Syst Rev. 2016 Apr 26;4:CD011995. doi: 0.1002/14651858.CD011995.pub2. Review. PubMed PMID: 27115216. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27115216
  10. Egan M, Hickner J. Saline irrigation spells relief for sinusitis sufferers. Ewigman B, ed. The Journal of Family Practice. 2009;58(1):29-32. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3183918
  11. Diretrizes Brasileiras de Rinossinusites. Rev. Bras. Otorrinolaringol.  vol.74 no. 2 suppl. São Paulo  2008. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-72992008000700002