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É possível que uma pessoa tenha alergia desencadeada por atividade física?

| 30 ago 2016 | ID: sof-35454
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Existem dois casos em que a atividade física pode desencadear uma resposta alérgica: na urticária colinérgica e na anafilaxia induzida pelo exercício.

Urticária colinérgica – as erupções na pele são pequenas e ocorrem devido ao aumento de temperatura do corpo. Aparecem entre 2 a 30 minutos depois do exercício físico ou aquecimento passivo (banho quente e sauna). Podem ocorrer, também, em virtude da transpiração e do suor, tanto em situações de ansiedade, como também durante as atividades físicas. Isso porque nesses casos há o aumento da temperatura corporal. Os sintomas aparecem, em geral, na parte superior do tórax e no pescoço, espalhando-se, em seguida, por todo o corpo. A manifestação principal é a coceira intensa. Podem ocorrer também sintomas paralelos como salivação, lacrimejamento e diarreia, que são encontrados ocasionalmente. Angioedema (inchaço na camada mais profunda da pele, especialmente nos lábios, mãos, pés, olhos ou região genital), queda de pressão e alteração respiratória ocorrem raramente. Homens e mulheres são afetados na mesma proporção e a associação com alergias é elevada. A confirmação do diagnóstico pode ser feita provocando-se o aparecimento das lesões por meio de exercícios como corrida, esteira, bicicleta ergométrica entre outros. O tratamento das crises pode ser abordado com o uso de compressas de água gelada nos locais das lesões e com o uso de alguns medicamentos, os quais devem ser orientados pelo médico da atenção primária.

Anafilaxia induzida pelo exercício – Deve-se dar uma especial atenção a esta que é uma das mais sérias respostas alérgicas ao exercício, embora seja evento raro. Manifesta-se por coceira generalizada, manchas vermelhas na pele, angioedema (inchaço na camada mais profunda da pele, especialmente nos lábios, mãos, pés, olhos ou região genital), sensação de calor generalizado, sintomas gastrointestinais, sensação de falta de ar e chiado devido a obstrução de vias aéreas, e alterações vasculares, podendo chegar ao choque anafilático. O quadro clínico surge entre dois e 30 minutos após a realização de exercícios vigorosos, permanecendo por até três horas. A incidência é maior em adultos jovens, embora já tenha sido diagnosticada em indivíduos com 60 anos de idade. Alguns pacientes apresentam sintomas somente se o exercício for realizado após ingestão de alguns alimentos, particularmente aipo, trigo e frutos do mar. Estas crises podem ser evitadas preconizando-se a ingestão desses alimentos entre quatro a seis horas antes da prática do exercício. Outros fatores que parecem estar implicados no desencadeamento do quadro são: o uso de drogas como o ácido acetil-salicílico e outros anti-inflamatórios não-hormonais, além de condições climáticas como calor intenso e proximidade do período menstrual. A confirmação do diagnóstico pode ser feita com teste de provocação – corrida em esteira por cinco a dez minutos ou bicicleta ergométrica por 30 minutos (desde que monitorado e com equipamento de ressuscitação presente). O tratamento é voltado para os sintomas e as medidas preventivas são fundamentais, tendo em vista o potencial de perigo que representam os sintomas. Além da recomendação para interrupção dos exercícios, quando do início dos sintomas, devem ser destacadas as orientações para:
- a prática de exercícios físicos em companhia de alguém;
- esperar pelo menos 4 a 6 horas após uma refeição;
- evitar a associação de anti-inflamatórios não esteróides com exercícios; e
- que mulheres com essa sensibilidade evitem as atividades físicas próximas ao período menstrual.

 

Bibliografia Selecionada

  1. Lima, Sabrina O.; Rodrigues, Cristiane S.; Camelo-Nunes, Inês C; Solé, Dirceu. Urticárias físicas. Rev. bras. alerg. imunopatol. – Vol. 31, Nº 6, 2008. Disponível em: http://www.asbai.org.br/revistas/Vol316/ART-6-08-Urticarias-fisicas.pdf
  2. Vieira, Helena Maria Correa de Sousa. Urticária na infância. Departamento de Alergia e Imunologia. Sociedade Brasileira de Pediatria. Disponível em: http://www.sbp.com.br/src/uploads/2015/02/urticaria_infancia.pdf. Acesso em 15/agosto/2016.
  3. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Departamento de Atenção Básica. Dermatologia na Atenção Básica. 1ª edição. Brasília: Ministério da Saúde, 2002. 142p. (Série Cadernos de Atenção Básica; n. 09) Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guiafinal9.pdf  Acesso em 30/agosto/2016