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É recomendável o uso de kit de coleta de citopatologia oncótica após período de validade da esterilização, mesmo estando o invólucro lacrado em bom estado de conservação?

| 05 set 2017 | ID: sof-36790
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Existem inúmeros estudos relacionados ao processo de esterilização. Porém inexistem estudos com evidências científica sobre o uso do kit de coleta de citopatologia oncótica após período de validade com o invólucro lacrado em bom estado de conservação.

A validade do produto na prateleira, segundo a RDC nº 15 de 2012, é a data limite para uso do produto esterilizado, ou seja, prazo adotado por cada instituição, sustentado por algumas estratégias: avaliação da integridade dos pacotes e resistência das embalagens; eventos relacionados ao seu manuseio/estocagem (em gavetas, empilhados com dobras e elásticos envolvendo o pacote estéril); condições de umidade e temperatura; segurança da selagem e rotatividade do estoque armazenado (1,2).

 Os riscos associados aos procedimentos mais comuns realizados na Atenção Primária a Saúde (APS) são poucos conhecidos (3). Comumente são realizados na APS, procedimentos com certo grau de invasividade, como a coleta de exame para colpocitologia oncótica pelo método de Papanicolaou, no qual são considerados de menor risco porque as membranas mucosas possuem uma capacidade relativa de proteção contra a invasão de patógenos, para os quais se podem antecipar algum evento adverso associado (1,3).

Para estes procedimentos, é importante assegurar que microrganismos não pertencentes à microbiota local não penetrem neste tecido e que patógenos não sejam transferidos de um paciente a outro (1). Contudo os procedimentos de maior risco são aqueles que envolvem a invasão de tecidos estéreis, como administração de soluções injetáveis, punção venosa, sondagem vesical e alguns procedimentos odontológicos. Sendo assim, os itens utilizados nestes procedimentos devem estar estéreis (1).

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), o produto médico-hospitalar descartável, ou de uso único, é definido como o dispositivo que, após a sua utilização, perde as características originais ou que, em função de outros riscos reais ou potenciais à saúde do usuário não deve ser reutilizado (4).

Segundo a consulta pública número 98 de dezembro de 2001, proposta pela ANVISA, os produtos médico-hospitalares de uso único são utensílios médicos, odontológicos e laboratoriais destinados a ser usado na prevenção, diagnóstico, terapia, reabilitação ou anticoncepção que somente podem ser utilizados uma única vez. Estes não podem ser reprocessados em todo o território nacional e devem conter em seu rótulo a nomeação de “uso único” e a informação de que seu reprocessamento é proibido (4,5).

Neste sentido, as embalagens têm seu tempo de validade conforme a influência do evento ou event-related (evento relativo), relacionado ao time-related (tempo relativo). Desta forma, aquele ocorrido no histórico e nas condições de armazenamento do produto estéril refere-se ao tempo de validade seguro para o uso do material esterilizado (2,6,7,8,9). O que é fundamental neste caso são os eventos que se relacionaram ao pacote estéril e não propriamente à data de validade para o uso seguro, considerando que não existem prazos de validade que possam ser aplicados universalmente para todas as instituições de saúde (10,11).

 

Atributos

ACESSO: Para o controle do câncer do colo do útero, a melhora do acesso aos serviços de saúde e à informação são questões centrais. Isso demanda mudanças nos serviços de saúde, com ampliação da cobertura e mudanças dos processos de trabalho, e também articulação intersetorial, com setores do setor público e sociedade civil organizada (12).

 

Bibliografia Selecionada

1. Padoveze MC, Figueiredo RM. O papel da Atenção Primária na prevenção de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde. Rev Esc Enferm USP 2014; 48(6):1137-44. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v48n6/pt_0080-6234-reeusp-48-06-1137.pdf

2. Associação Brasileira de Enfermeiros de Centro Cirúrgico, Recuperação Anestésica e Centro de Material e Esterilização – SOBECC. Práticas recomendas SOBECC: centro de material e esterilização, centro cirúrgico e recuperação pós anestésica. 6 ed. São Paulo: SOBECC; 2013

3. Mesquita K. O et al.SEGURANÇA DO PACIENTE NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE: REVISÃO INTEGRATIVA. Cogitare Enferm. 2016 Abr/jun; 21(2): 01-08. Disponível em: http://revistas.ufpr.br/cogitare/article/view/45665/28526.

4. SOF.Biblioteca Virtual em Saúde. Quais vantagens de se utilizar um espéculo descartável para coleta de citopatológico?
Telessaúde Rio Grande do Sul | 23 jun 2009 | ID: sof-597. Disponível em: http://aps.bvs.br/aps/quais-vantagens-de-se-utilizar-um-especulo-descartavel-para-coleta-de-citopatologico/

5. Brasil. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Consulta Pública n. 98, de 6 de dezembro de 2001. Dispõe sobre produtos médicos de uso único e o reprocessamento do grupo de produtos médico hospitalares que especifica e dá outras providência [Internet]. Brasília, DF: Agência Nacional de Vigilância Sanitária; 2001 [citado 2009 Jul 3]. Disponível em: http://www4.anvisa.gov.br/base/visadoc/CP/CP%5B2731-1-0%5D.PDF

6. Brasil. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 15, de 15 março de 2012. Dispõe sobre requisitos de boas práticas para o processamento de produtos para saúde e dá outras providencias. Diário Oficial da União (Brasília), 2012 Mar. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2012/rdc0015_15_03_2012.html

7. Rutala WA, Weber DJ. Guideline for disinfection and sterilization in healthcare facilities. Atlanta (EUA): Centers for Disease Control and Prevention (CDC); 2008. Disponível em: https://www.cdc.gov/infectioncontrol/pdf/guidelines/disinfection-guidelines.pdf

8. Association for the Advancement of Medical Instrumentation (AAMI). Comprehensive guide to steam sterilization and sterility assurance in health care facilities. ANSI/AAMI st79; 2009.

9. Association of Operating Room Nurses (AORN). Recommended practices for sterilization in the perioperative practice setting. In: AORN perioperative standards and recommended practices. Denver; 2012.

10. Associação Paulista de Epidemiologia e Estudos em Controle de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde (APECIH). Limpeza, desinfecção e esterilização de artigos em serviços de saúde. 1 ed. São Paulo: APECIH; 2010.

11. Joan LS, Norhashimawati AV, Khor S. Time versus event-related sterility; linen & pouch packaging remain sterile over a year of storage and handling. Singapore Nurs J. 2010;37(1):34-43.

12. BRASIL. Ministério da Saúde. Controle dos cânceres do colo do útero e da mama. 2. ed. Brasília:  2012. (Cadernos de Atenção Básica, 13). Disponível em: http://dab.saude.gov.br/portaldab/biblioteca.php?conteudo=publicacoes/cab13