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Em caso de exposição pulpar, após a aplicação direta do hidróxido de cálcio P.A, pode-se utilizar o hidróxido de cálcio fotoativado seguido de sistema adesivo?

| 05 jun 2018 | ID: sof-39791

Solicitante:
CIAP2:
DeCS/MeSH: Capeamento da Polpa Dentária, Hidróxido de Cálcio, Exposición de la Pulpa Dental (TH)

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O cimento de hidróxido de cálcio fotoativado pode ser utilizado sobre o pó de hidróxido de cálcio ou sobre a pasta (feita com o pó e água destilada), como também pode ser utilizado como agente capeador direto sobre a exposição pulpar(1).

O sistema adesivo não deve ser realizado diretamente sobre os cimentos de hidróxido de cálcio, para isso se faz necessária a utilização do cimento ionomérico, que protege o hidróxido de cálcio do ataque ácido do sistema adesivo(2), auxilia no aplainamento do assoalho cavitário (axial e/ou pulpar) e aperfeiçoa o vedamento marginal(1).
Ao se utilizar resina composta como material restaurador, as técnicas para proteção direta do complexo dentinopulpar são as seguintes: como 1ª opção: pasta ou pó de hidróxido de cálcio + cimento de hidróxido de cálcio + cimento de ionômero de vidro + sistema adesivo; como 2ª opção: cimento de hidróxido de cálcio autoativado + cimento de ionômero de vidro + sistema adesivo; e como 3ª opção: cimento de hidróxido de cálcio fotoativado + cimento de ionômero de vidro + sistema adesivo(1).
O hidróxido de cálcio é o material de proteção pulpar mais aceito na prática clínica odontológica, pois, apresenta baixo custo, possui biocompatibilidade, propriedades como a ação antimicrobiana eliminando a irritação pulpar, estimula a formação de dentina esclerosada/reparadora(1,2,3,4) e protege a polpa contra os estímulos termelétricos(2). Pode ser utilizado na forma de pó, pasta e cimento (auto ou fotoativado)(1).
Quando em contato direto com a polpa, o hidróxido de cálcio provoca uma necrose superficial de coagulação reduzindo os estímulos da inflamação(1).
O hidróxido de cálcio em forma de pasta não possui boas propriedades adesivas, por isso proporciona uma vedação pobre, além de ser solúvel e estar sujeito à dissolução com o passar do tempo(4). A pasta não apresenta resistência mecânica por falta de processo de endurecimento e justamente por esse fator, se faz necessário a utilização de uma sobrebase com cimento de hidróxido de cálcio ou ionômero de vidro(2).
O cimento de hidróxido de cálcio auto e fotoativado podem ser igualmente efetivos, porém o cimento de hidróxido de cálcio fotoativado supera as deficiências apresentadas pelo cimento de hidróxido de cálcio autoativado, pois exibe propriedades físicas melhoradas, solubilidade significativamente reduzida e um módulo de elasticidade maior. Além disso, possui um tempo bem maior de trabalho, porque só reage, endurece ou polimeriza pelo efeito da luz visível, sob o controle do profissional, enquanto o autoativado endurecem mais rapidamente em contato com os fluidos pulpares(1,2).
Vale lembrar que, mesmo restaurando de forma definitiva com resina, o elemento dentário deve ser controlado clínica e radiograficamente por período de 45 a 60 dias, para verificação do resultado do tratamento.
Atributos da APS
O acesso aos serviços de saúde é um direito de todo usuário do Sistema Único de Saúde (SUS) e mantém forte relação com os princípios de acolhimento e vínculo. Nesse contexto, o paciente que apresenta exposição pulpar deve ter o acesso facilitado ao serviço de saúde pelo profissional da atenção primária, para que o mesmo possa ser assistido em suas necessidades. O acompanhamento desse paciente, ao longo do tempo, poderá contribuir para que possíveis complicações sejam evitadas em tempo oportuno.

Bibliografia Selecionada

1. Soares MR. Proteção do Complexo Dentinopulpar [monografia]. Ribeirão Preto: USP/ Universidade de Ribeirão Preto; 2009.
2. Mondelli J. Proteção do Complexo Dentinopulpar. São Paulo: Artes Médicas; 1998.
3. Freires IA, Cavalcanti YW. Proteção do complexo dentinopulpar: indicações, técnicas e materiais para uma boa prática clínica. Rev Bras Pesq Saúde. 2011;13(4):69-80.  Disponível em: http://periodicos.ufes.br/RBPS/article/viewFile/3002/2376
4. Hilton TJ, Ferracane JL, Mancl L. Comparison of CaOH with MTA for direct pulp capping: a PBRN randomized clinical trial. J Dent Res. 2013 Jul; 92(7 Suppl):16s-22s. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23690353