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Existe realmente tratamento para o vitiligo? Se sim, qual é o melhor?

| 05 jun 2018 | ID: sof-39788
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Sim, existe tratamento para pessoas com o diagnóstico de vitiligo, os resultados de cada proposta terapêutica, entretanto, podem variar de paciente para paciente. Por esse motivo, a estratégia terapêutica para o vitiligo é individualizada. Não há, até o momento, bases científicas para a indicação de um tratamento único ideal para todos os portadores da patologia. Sendo assim, somente um profissional qualificado e com experiência no assunto poderá indicar a melhor opção.

Para a escolha da estratégia de tratamento, deve-se levar em consideração, além das singularidades do indivíduo recebedor do cuidado, três aspectos-chave da doença: normalização do estresse dos melanócitos, inibição da autoimunidade e promoção de regeneração de melanócitos(4).
Dentre as opções terapêuticas -conhecidas e estudadas atualmente- podemos citar o uso de: corticoides e psoralênicos (tópicos e/ou sistêmicos), imunomoduladores, betacaroteno, exposição a ultravioleta A e à luz solar de forma controlada. Também é possível utilizar tecnologias como o laser, técnicas cirúrgicas ou de transplante de melanócitos. De forma complementar, a camuflagem com produtos cosméticos pode auxiliar boa parte dos pacientes ao longo do processo terapêutico. Dependendo da superfície corporal acometida, a despigmentação cutânea total pode ser considerada (3,4,6,10,12). A doença pode ter um excelente controle com a terapêutica adequada e repigmentar completamente a pele, sem nenhuma diferenciação de cor. Muitas vezes, porém, esse processo pode ser vagaroso e demorar meses ou anos.
Por se tratar de uma afecção que em geral proporciona bastante impacto estético cujos tratamentos atuais apresentam resultados muito variáveis e pouco previsíveis, algumas pessoas são induzidas ao uso de drogas “inovadoras” e “milagrosas” que não possuem ação comprovada cientificamente. Por esse motivo, ainda hoje, o vitiligo é um campo fértil para visionários e impostores (3,4). Dessa forma, é fundamental que os profissionais da saúde que acompanham pacientes com vitiligo sejam claros sobre a compreensão atual da patologia e seus alvos terapêuticos.
É importante lembrar que pacientes com vitiligo necessitam de uma análise clínica ampliada. Precisam ser avaliados “para além da pele” de forma a garantir a exclusão ou o cuidado de outras patologias eventualmente associadas (1,3).
Apesar de acometer prioritariamente a pele, os melanócitos de outros órgãos e tecidos também podem ser afetados na doença: como olho (causando irite e coriorretinite), ouvido interno e leptomeninges (7,8,9). A síndrome de Vogt-Koyanagi é caracterizada por vitiligo unilateral, poliose, meningite e disacusia, manifestações provavelmente ocasionadas pela destruição de melanócitos em cada um desses órgãos e tecidos (9).
Pacientes com vitiligo também têm um risco aumentado de desenvolver outras doenças auto-imunes, incluindo tireoidite auto-imune, diabetes mellitus tipo 1, anemia perniciosa e doença de Addison (4).
O vitiligo é uma doença autoimune que frequentemente causa um profundo impacto psicológico em seus portadores. A desfiguração cosmética devido ao vitiligo pode potencialmente levar à humilhação, má imagem corporal e perda de autoestima. Em algumas partes do mundo, o estigma social associado com vitiligo tem impacto significativo na interação social, perspectivas de emprego, casamento e relações sexuais. Na literatura há diversos relatos de morbidades psiquiátricas nesses pacientes como: ansiedade, depressão, fobia social e até mesmo ideação suicida (11)
Lai YC, Yew YW, Kennedy C, Schwartz RA et al. (2017) em sua publicação, também enfatizaram a redução na qualidade de vida em pacientes com esse diagnóstico. Recentemente, escalas específicas para vitiligo foram validados para este propósito: o VitiQol em Chicago, a escala de impacto do vitiligo-22 (VIS-22) na Índia e o Índice de Qualidade de Vida em pacientes com Vitiligo (VLQI) na Turquia. No Brasil, até o momento não há registro de escalas validadas, o que levanta então a pertinência de proposições compatíveis com a realidade brasileira.
Atributos da APS
Apesar de, na maior parte dos casos, portadores de vitiligo serem referenciados para serviços especializados em dermatologia, a Equipe de Saúde da Família deve continuar prestando suporte ao paciente. O acesso facilitado, a proximidade do cuidado e a possibilidade de uma abordagem mais integral do indivíduo favorecem reavaliações mais precoces no curso do tratamento e proporcionam mais agilidade na detenção e manejo de quadros potencialmente associados.

Bibliografia Selecionada

1. Brasil. Ministério da Saúde. Biblioteca Virtual em Saúde. Dicas em Sáude: Vitiligo. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/dicas-em-saude/2205-vitiligo [acesso em 2018 abr 23]
2. Rio de Janeiro. Fiocruz. Canal da Saúde: Vitiligo. Disponível em: http://www.canal.fiocruz.br/video/index.php?v=Vitiligo-LES-1759 [acesso em 2018 abr 23]
3. Sampaio SAP, Rivitti EA. Manual de Dermatologia Clinica de Sampaio e Rivitti. 3ª Ed.Artes Médicas, 2008.
4. Rashigh M, Harris JE. Vitiligo Pathogenesis and Emerging Treatments. Dermatol Clin. 2017 Apr;35 (2):257–265 doi: 10.1016/j.det.2016.11.014 Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28317534
5. Gill L, Zarbo A, Isedeh P, Jacobsen G, Lim HW, Hamzavi I. Comorbid autoimmune diseases in patients with vitiligo: a crosssectional study. J Am Acad Dermatol. 2016 Feb;74(2): 295–302. doi: 10.1016/j.jaad.2015.08.063. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26518171
6. Cunha PR, Pessotti NS, Mattos CB, Salai AF. New approach in the treatment of refractory vitiligo: CO2 laser combined with betamethasone and salicylic acid solution. Dermatol Ther. 2017 Jan; 30(1): e12410. doi: 10.1111/dth.12410. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27548998
7. Boissy R, Hornyak TJ. Extracutaneous melanocytes. In: Nordlund JJ, Hearing VJ, King RA, et al, editors. The pigmentary system: physiology and pathophysiology. 2nd edition. Oxford (England): Blackwell Scientific Press; 2006:91–107. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/9780470987100.ch4
8. Albert DM, Nordlund JJ, Lerner AB. Ocular abnormalities occurring with vitiligo. Ophthalmology. 1979 Jun;86(6): 1145–60. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/534100
9. Nordlund JJ, Taylor NT, Albert DM, Wagoner MD, Lerner AB.The prevalence of vitiligo and poliosis in patients with uveitis. J Am Acad Dermatol. 1981 May;4(5):528–36. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/7195407
10. Nordlund JJ, The Medical Treatment of Vitiligo: An Historical Review. Dermatol Clin. 2017 Apr;35(2):107–116 doi. 10.1016/j.det.2016.11.001. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28317520
11. Lai YC, Yew YW, Kennedy C, Schwartz RA. Vitiligo and depression: a systematic review and meta-analysis of observational studies. Br J Dermatol. 2017 Sep; 177(3):708–18. doi: 10.1111/bjd.15199. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27878819
12. Cabrera G, March P, Pravikoff D. Vitiligo. CINAHL Nursing Guide, November 17, 2017