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O que significa um resultado de citopatológico com Gardnerella vaginalis?

| 02 mar 2018 | ID: sof-37498
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A Gardnerella vaginalis é uma bactéria que faz parte da flora normal, principalmente das mulheres sexualmente ativas. Porém quando ocorre um desequilíbrio nesta flora, ocorre um predomínio desta bactéria; então instala-se um quadro chamado de vaginose bacteriana(1).

A vaginose bacteriana é o distúrbio ginecológico extremamente comum nas mulheres. É caracterizada micro biologicamente por uma mudança na flora vaginal, as quais são caracterizadas por um desequilíbrio polibacteriano, ocorrendo significativa redução dos Lactobacillus spp. e elevação do pH (maior que 4,5), sendo que esta flora que era dominante é substituída por outra, que inclui Gardnerella vaginalis, Mycoplasma hominis e espécies de Mobiluncus e Bacteroides(2).
Como sendo um dos principais agentes causadores de infecções em mulheres em idade reprodutiva, sejam associados pela falta de hábitos de higiene adequados, número de parceiros sexuais, grau de esclarecimento ou desequilíbrios da microflora vaginal, por apresentar graves consequências e complicações, é de fundamental importância o desenvolvimento de ações educativas para prevenção, controle e a solução para este problema(1).
A Gardnerella Vaginalis apresenta uma sintomatologia bastante incômoda para as mulheres, pois além do corrimento vaginal ocorre na maioria das vezes odor vaginal desagradável, que se acentua durante a menstruação e após uma relação sexual, com a presença do esperma de pH básico no ambiente vaginal, costuma ocorrer à liberação de odor semelhante ao de peixe podre, comprometendo desta forma, o equilíbrio biopsicossocial, perturbando inclusive o relacionamento sexual(3).
Suas principais consequências e complicações são: a infertilidade, endometrite, aumento do risco de infecção pelo HIV se houver contato com o vírus, há aumento também do risco de se contrair outras infecções como a gonorréia, tricomoníase, dentre outras. Ainda uma complicação importante relacionada à saúde reprodutiva é que, durante a gestação esta infecção pode causar prematuridade ou recém-nascido de baixo peso, aborto e endometrite pós-cesárea(4).
Esta infecção é diagnosticada quando apresentar três dos seguintes critérios (critérios de Amsel): pH vaginal maior que 4,5; presença de “clue cells” ou células-alvo no fluído ou esfregaços vaginais; leucorréia fluída, cinza ou branca; ou teste com KOH positivo. Embora o exame citologia cérvico-vaginal não seja a escolha para avaliação da microbiota vaginal, este exame apresenta sensibilidade de 92% e especificidade de 97% para detecção de vaginose bacteriana(5).
Não se trata de infecção de transmissão sexual, apenas, pode ser desencadeada pela relação sexual em mulheres predispostas, ao terem contato com o esperma, que por apresentar pH elevado, contribui para desequilibrar a flora vaginal em algumas mulheres suscetíveis. O uso de preservativo pode ter algum benefício nos casos recidivantes. Além disso, a Vaginose Bacteriana aumenta o risco de aquisição das IST, incluindo o HIV, além da possibilidade de trazer complicações às cirurgias ginecológicas e à gravidez (associada com ruptura prematura de membranas, corioamnionite, prematuridade e endometrite pós-cesárea). Quando presente nos procedimentos invasivos, como curetagem uterina, biópsia de endométrio e inserção de dispositivo intrauterino (DIU), aumenta o risco de DIP(4).

Bibliografia Selecionada

1. Brasil. Ministério da Saúde. Diagnóstico laboratorial de doenças sexualmente transmissíveis, incluindo o vírus da imunodeficiência humana. Brasília, 2014:270p. Disponível em: http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/85343/7/9789241505840_por.pdf Acesso em: 22 de agosto de 2017.
2. Wanderley MS, Miranda CRR, Freitas MJC, Pessoa ARS, Lauand A, Lima RM. Vaginose Bacteriana em Mulheres com Infertilidade e em Menopausadas. Rev. Bras. Ginecol. Obstet, 2001; 23(10): 641-646. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbgo/v23n10/8488.pdf Acesso em: 22 de agosto de 2017.
3. Ribeiro AA, Oliveira DF, et al. Agentes microbiológicos em exames citopatológicos: estudo de prevalência. Rev Bras Anál Clín. 2007;39(3):179-81. Disponível em: http://www.rbac.org.br/wp-content/uploads/2016/08/RBAC_Vol39_n3-Completa.pdf Acesso em 22 de agosto de 2017.
4. Brasil. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT): atenção integral às pessoas com infecções sexualmente transmissíveis (IST). Brasília, 2015. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/protocolo_clinico_diretrizes_terapeutica_atencao_integral_pessoas_infeccoes_sexualmente_transmissiveis.pdf Acesso em: 22 de agosto de 2017.
5. Rodio RC, Mylius LC, Buffon A, Manfredinni V. Avaliação do padrão citológico e microbiológico detectado pela coloração de Papanicolaou. NewsLab. 2010;102(3):108-16.