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Quais ações podem ser realizadas pelo dentista da equipe de saúde bucal visando a prevenção e a detecção precoce do câncer de boca?

| 28 fev 2018 | ID: sof-37365
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Para o estabelecimento de um programa com ações preventivas e detecção precoce é fundamental que a equipe conheça a epidemiologia e os fatores de risco associados ao câncer de boca.

Epidemiologia e fatores de risco
Em relação aos fatores de epidemiologia e risco para as neoplasias malignas bucais, em especial, o carcinoma de células escamosas, as taxas mais altas de incidência ainda se encontram entre homens acima de 40 anos, porém tem aumentado os casos entre mulheres e jovens não fumantes, provavelmente relacionado ao papiloma vírus humano (HPV) que desempenha um papel cada vez mais importante como fator etiológico do câncer da região orofaríngea. Outros fatores de risco incluem fatores genéticos, exposição à radiação solar (raios ultravioletas), deficiências vitamínicas, imunossupressão e outras exposições ambientais e ocupacionais.
É sabido que o câncer bucal pode levar meses antes de apresentar algum sinal ou sintoma percebido pelo paciente. A prevenção e o diagnóstico precoce dessa doença fazem com que os níveis de cura alcancem mais de 90% dos casos.
Prevenção
A prevenção primária visa ações ou iniciativas que possam reduzir a incidência e a prevalência da doença, modificando os vícios/hábitos da comunidade, buscando interromper ou diminuir os fatores de risco como o tabaco, o álcool e a exposição solar sem proteção dos lábios, antes mesmo que a doença se instale.
As ações que podem ser realizadas pelo cirurgião-dentista da equipe de saúde bucal (ESF) visando a prevenção podem ser realizadas através de:
- Intervenções centradas na promoção da saúde, incluindo ações individuais e coletivas educativas, de prevenção e detecção precoce das lesões de mucosa e câncer de boca, para todas as faixas etárias, direcionadas ao controle dos fatores e condições de risco, estimulando o exame sistemático da cavidade bucal pelos profissionais de saúde para detecção precoce;
- Realização de exames bucais preventivos e periódicos em pessoas com maior vulnerabilidade para o desenvolvimento do câncer de boca, possuindo mais de um dos seguintes fatores de risco: ser do sexo masculino, ter mais de 40 anos, ser tabagista e etilista, sofrer exposição ocupacional a radiação solar sem proteção, apresentar uma deficiência imunológica (congênitas e/ou adquiridas);
- Integração da Equipe Saúde Bucal aos programas de controle do tabagismo, etilismo e outras ações de proteção e prevenção do câncer;
- Informação sistemática da população sobre locais de referência para exame de prevenção do câncer de boca.
Detecção precoce
Quanto ao diagnóstico precoce de lesões de mucosa e do câncer de boca, as ações devem ser desenvolvidas sistematicamente pelas equipes de saúde bucal na atenção básica. O estabelecimento do diagnóstico precoce é fundamental para que se assegurem medidas preventivas que possam levar a um bom prognóstico na abordagem da doença.
Em relação ao diagnóstico do câncer de boca, um dos passos mais importantes é a realização de uma boa anamnese seguida de um correto e completo exame físico extrabucal (exame da face, regiões submandibular e submentual e articulação têmporomandibular) e intrabucal (exame de lábios, bochecha, língua e palato, orofarienge, gengiva e dentes), incluindo visualização e palpação, de forma a detectar anormalidades na primeira consulta e nas consultas de urgência.
Vale lembrar que a cavidade oral apresenta alta sensibilidade e, portanto, uma lesão pode ser facilmente percebida por um indivíduo orientado para sinais de alerta: feridas que não cicatrizam nos lábios e na boca, manchas brancas ou avermelhadas nas gengivas, língua ou mucosa oral, tumorações ou endurecimentos (caroços) na região da boca ou pescoço.
Da mesma forma, os profissionais de saúde devem conhecer e valorizar a presença desses sinais para, independentemente de ter sido um achado clínico ou uma queixa do paciente, conduzir adequada e oportunamente os procedimentos diagnósticos necessários e encaminhar os casos positivos para tratamento especializado. Os pacientes devem ser encorajados a não fazer uso de tabaco e de álcool com o objetivo de diminuir o risco para o câncer de boca, assim como para doenças do coração, pulmão, acidente vascular cerebral e cirrose.
Cabe salientar que qualquer lesão dos tecidos moles da boca que não apresente regressão espontânea ou com remoção de possíveis fatores causais (como dentes fraturados, com bordas cortantes, próteses mal adaptadas etc) em no máximo 02 semanas, deve ser referenciada ao profissional cirurgião-dentista para esclarecimento diagnóstico.

Bibliografia Selecionada

1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde Bucal. Brasília: Ministério da Saúde, 2008. 92 p. – (Série A. Normas e Manuais Técnicos) (Cadernos de Atenção Básica; 17) ISBN 85-334-1228-2. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_bucal.pdf
2. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Rastreamento. Brasília: Ministério da Saúde, 2010. 95 p.: il. – (Série A. Normas e Manuais Técnicos) (Cadernos de Atenção Primária, n. 29) ISBN 978-85-334-1729-8. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/caderno_atencao_primaria_29_rastreamento.pdf
3. Torres-Pereira CC, Angelim-Dias A, Melo NS, Lemos Jr CA, Oliveira EMF de. Abordagem do câncer da boca: uma estratégia para os níveis primário e secundário de atenção em saúde. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 28 Sup:S30-S39, 2012. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2012001300005
4. Poon CS, Stenson KM. Overview of the diagnosis and staging of head and neck cancer. Disponível em:
https://www.uptodate.com/contents/overview-of-the-diagnosis-and-staging-of-head-and-neck-cancer?source=search_result&search=oral%20cancer&selectedTitle=4~150