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Quais anestésicos bucais podem ser usados na gravidez?

| 07 mar 2018 | ID: sof-37535
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A lidocaína é o anestésico mais apropriado para as gestantes. A bupivacaína apresenta a maior cardiotoxicidade, maior penetrabilidade nas membranas do coração e maior resistência após eventual parada cardíaca. Em relação à mepivacaína, mais pesquisas devem ser realizadas já que seus riscos para o feto não são bem detalhados, portanto, seu uso é desaconselhado.

A felipressina deve ser evitada em pacientes grávidas por ser derivada da vasopressina e, teoricamente, ter capacidade de levar a contração uterina. Noradrenalina na concentração 1:25.000 e 1:30.000 não devem ser usadas, tendo em vista o grande número de complicações cardiovasculares e neurológicos causados por essa substância, sendo a concentração 1:50.000 a mais indicada. A prilocaína e articaína não devem ser usadas, pois podem levar a metahemoglobinemia, tanto na mãe quanto no feto.
Alguns aspectos devem ser observados quando da utilização de anestésicos locais em gestantes, dentre eles: técnica anestésica, quantidade da droga administrada, ausência/presença de vasoconstritor e os efeitos citotóxicos. O anestésico local pode afetar o feto de duas maneiras: diretamente (quando ocorrem altas concentrações na circulação fetal) e indiretamente (alterando o tônus muscular uterino ou deprimindo os sistemas cardiovascular e respiratório da mãe). É importante ao cirurgião-dentista conhecimentos dos aspectos farmacológicos dos anestésicos locais, suas principais indicações e contraindicações, além das possíveis reações locais e sistêmicas advindas do seu uso. Imprescindível se faz também a realização de uma completa anamnese e do manejo adequado da técnica escolhida, com a finalidade de oferecer ao paciente o melhor atendimento. Quanto ao uso dos vasoconstritores em gestantes, quando os benefícios superarem os riscos, os mesmos devem ser utilizados. Sem vasoconstritor, o anestésico pode não ser eficaz, além de seu efeito passar mais rapidamente. A dor resultante pode levar o paciente ao estresse, fazendo com que haja liberação de catecolaminas endógenas em quantidades muito superiores aquelas contidas em tubetes anestésicos e, consequentemente, mais prejudiciais.

Atributos da APS
Facilitar a consulta odontológica de gestantes. O acompanhamento odontológico pela Equipe de Saúde da Família (ESF), faz parte da promoção da saúde bucal desse grupo.
Encaminhamento dos casos que necessitam de tratamento especializado aos Centros de Especialidades Odontológicos (CEOS) de cada região.
Acompanhar gestantes ao longo do tempo pela equipe ESF, para múltiplos episódios de doenças e cuidados preventivos.

Bibliografia Selecionada

1. Codato LAB, Nakama L, Melchior R. Percepções de gestantes sobre atenção odontológica durante a gravidez. Ciênc Saúde Coletiva, Rio de Janeiro. 2008; 13(3):1075-1080. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232008000300030  Acesso em: 6 dez 2017
2. Hartnett E, Haber J, Krainovich-Miller B, Bella A, Vasilyeva A, Kessler JL. Oral Health in Pregancy. J Obstet Gynecol Neonatal Nurs. 2016 Jul-Aug;45(4):565-73. Disponível em: http://www.jognn.org/article/S0884-2175(16)30159-9/pdf  Acesso em: 24 jan 2018.
3. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Atenção ao pré-natal de baixo risco [recurso eletrônico] . 1. ed. rev.  Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2013:320p (Cadernos de Atenção Básica, 32). Disponível em: http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/caderno_32.pdf
4. Kurien S,Kattimani VS, Sriram RR, Sriram SK, Rao V K P, Bhupathi A, Bodduru RR, N Patil N. Management of pregnant patient in dentistry. J Int Oral Health. 2013 Feb;5(1):88-97. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3768073/ Acesso em 24 jan 2018.
5. Malamed SF. Manual de anestesia local. 6. ed. São Paulo: Elsevier. 2013.