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Quais as orientações para o uso da técnica de relactação/translactação?

| 05 jul 2018 | ID: sof-39860
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A translactação (leite da própria mãe) e/ou relactação (fórmula / leite animal / leite humano pasteurizado) é o procedimento utilizado para alimentar o recém-nascido e estimular a lactação.(1)

A indicação pode ser por causas relacionadas ao recém-nascido ou às mães(2). Para o recém-nascido, a indicação é decorrente da sucção pouco eficiente de prematuros ou condição que o impeça de fazer muito esforço (determinadas doenças neurológicas ou cardíacas, hipotonia muscular (ex: síndrome de Down))(2). Para as mães, essa indicação ocorre nas seguintes situações: descida tardia do leite; pós-parto imediato; uso de medicamento que dificulte a produção do leite, retomada da amamentação; em casos de recém-nascido adotados ou uma mama menor que a outra.(2)
A translactação e/ou relactação pode ser realizada com uso de sonda ou seringa. A utilização da sonda consiste em colocar o leite em um recipiente (copo) abaixo das mamas e o uso de uma sonda nasogástrica nº 4 ou 6 com uma de suas pontas dentro do recipiente e a outra junto ao mamilo, podendo fixar com micropore.(1)
Utilizando a seringa esta deve ser de 10 ou 20ml, sem o embolo, acoplada a uma sonda gástrica n° 4, com a outra extremidade ao nível do mamilo, fixada com fita adesiva na roupa da mãe, a altura do ombro e o leite colocado na seringa. O recém-nascido ficará no peito, abocanhando a aréola e a sonda e retirando leite que flui da seringa e ao mesmo tempo sugará o mamilo. A sonda devera ser fechada, dobrando‑a nas pausas das mamadas do recém-nascido, ao retornar à sucção, libera‑se a sonda. O volume de leite a ser oferecido será progressivamente aumentado até atingir o volume total recomendado. Aumentos progressivos de peso e a boa observação e díade mãe‑bebe indicarão avanços ou pausas no processo de transição para retomada do aleitamento materno.(3)
Os materiais a serem utilizados devem ser descartáveis após o seu uso, por se tratar de materiais esterilizados caso não seja possível o mesmo deve ser higienizado após cada uso, e ter sua troca semanal.
O sucesso da relactação/translactação parece ser mais fácil quando o recém-nascido tem menos de dois meses de vida, não está acostumado com bicos artificiais e apresenta menos tempo de interrupção da amamentação. Contudo conforme revisão literária o intervalo de tempo sem amamentar ao seio tem mais influência que a idade do lactente no sucesso na retomada da amamentação.(2)
Quando orientado a relactação/translactação é importante informar a mãe e a família sobre o aleitamento materno para o recém-nascido, além de orientar como amamentar/técnicas (pontos chave do posicionamento e da pega adequada); como colocar o bebê no peito; quando oferecer o peito; como terminar a mamada; quando tirar o leite das mamas; como armazenar o leite materno; e relactação/translactação, e esterilização.(2)
Atributos da APS
Importante identificar os conhecimentos, as crenças e as atitudes que a gestante possui em relação à amamentação, que tipo de experiência tem ou se já vivenciou alguma vez a amamentação. Considerando que a mulher passa por longo período de gestação até que possa concretamente amamentar seu filho, entende-se que o preparo para a amamentação deva ser precoce. No caso de gestante adolescente a abordagem deve ser sistemática e diferenciada, por estar em etapa evolutiva de grandes modificações corporais, que são acrescidas daqueles referentes à gravidez e que podem dificultar a aceitação da amamentação. Para valorizar o método, favorecer a adesão e prevenir obstáculos para a amamentação recomenda-se fornecer orientação à mulher e familiares sobre o preparo das mamas e a técnica do aleitamento materno. A oferta de reuniões de grupo que objetivem informar as vantagens e o manejo para facilitar a amamentação oferece às gestantes oportunidades de troca de experiências.(4)

 

Bibliografia Selecionada

1. Florianópolis. Secretaria Municipal de Saúde. Protocolo de Enfermagem Volume 3. Saúde da Mulher na Atenção Primária: Acolhimento às demandas da mulher nos diferentes ciclos de vida. Florianópolis: novembro 2016. Disponível em: http://www.pmf.sc.gov.br/arquivos/arquivos/pdf/28_11_2016_22.36.14.03084a93d0f0eec988fa25f3095b594a.pdf
2. Oliveira TL, Moraes BA, Salgado LLF. Relactação como possibilidade terapêutica na atenção a lactentes com necessidades alimentares especiais. Demetra: Alimentação, Nutrição e Saúde. 2014;9(supl.1):297-309. Disponível em: http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/demetra/article/viewFile/10528/9708
3. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Atenção humanizada ao recém nascido de baixo peso : Método Canguru : manual técnico. 2. ed., 1. reimpr. – Brasília : Editora do Ministério da Saúde, 2013:204p. : il. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/atencao_humanizada_recem_nascido_canguru.pdf
4. Núcleo Telessaúde Rio Grande do Sul. Biblioteca Virtual em Saúde. Atenção Primária à Saúde. Quais cuidados com as mamas devem ser repassados à gestante no pré-natal, principalmente quanto à exposição solar e estímulo mamário? Segunda Opinião Formativa, 02 out. 2014. Id: sof-6934. Disponível em: http://aps.bvs.br/aps/quais-as-orientacoes-de-cuidados-com-as-mamas-devem-serinteressantes-de-serem-repassadas-apara-uma-gestante-durante-o-pre-natal-principalmente-quanto-exposicao-solar-e-estimulo-mamario/
5. King FS. Como ajudar as mães a amamentar. F. Savage King; Tradução de Zuleika Thomson e Orides Navarro Gordon. – 4ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2001:189p.: il. Disponível em: http://www.redeblh.fiocruz.br/media/cd03_13.pdf
6. Mariano GJS. Relactação: Identificação de práticas bem sucedidas. Rev. Enf. Ref. [Internet]. 2011 Mar [citado 2018 Jul 05] ; serIII(3):163-170. Disponível em: http://www.scielo.mec.pt/pdf/ref/vserIIIn3/serIIIn3a17.pdf