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Quais os achados clínicos e tratamento devem ser indicados ao paciente vítima de acidente por serpente peçonhenta e não peçonhenta?

| 07 jan 2019 | ID: sof-41161
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A maioria dos acidentes, seja por uma serpente venenosa ou não, leva a algum tipo de efeito local. Uma vez que a identificação da serpente causadora do acidente nem sempre é possível de ser feita, o diagnóstico do tipo de envenenamento é baseado em critérios clínicos (sinais e sintomas) e epidemiológicos.

Nos acidentes por serpente não peçonhenta o paciente irá apresentar a lesão puntiforme da presa da serpente e leve dor local, mas não terá sinais e sintomas flogísticos (dor intensa, calor, rubor, edema) imediatamente.
Os acidentes por serpentes peçonhentas irá apresentar lesões extremamente dolorosas e severamente edemaciadas dentro de cinco minutos após o evento. O local acometido pode apresentar sangramento e bolhas, eventualmente levando à necrose do tecido. Outros sintomas iniciais comuns incluem letargia, sangramento, fraqueza, náuseas e vômitos e que indicam reação sistêmica e maior gravidade do envenenamento. Dependendo do gênero da serpente, os sintomas podem tornar-se mais graves ao longo do tempo, com sinais de hipotensão, taquipneia, taquicardia grave, hemorragia interna grave, sensibilidade alterada, insuficiência renal e falência respiratória1,2.
A conduta inicial do atendimento deve ser lavar o local com água e sabão e elevar o membro até a chegada no serviço de saúde para avaliar se teve ou não envenenamento e se necessário administrar o soro antiofídico. O uso de torniquete, sucção do veneno, sangria NÃO é recomendado.
Os acidentes por serpentes não peçonhentas devem ser realizados por tratamento sintomático (analgésicos e antinflamatórios) e observação por pelo menos 6 (seis) horas. Os acidentes por serpentes peçonhentas devem seguir o manual do Ministério da Saúde para aplicação de soroterapia, com antiveneno específico, conforme o gênero da serpente e/ou sinais e sintomas clínicos do paciente.
O uso de corticoide e anti-histamínico são utilizados 30 minutos antes da administração do soro antiofídico para diminuir o risco de reação adversa ao produto. Entretanto, o paciente ainda pode apresentar reação e o profissional deve ficar próximo durante e pelo menos 2 horas após a infusão para detecção precoce das reações adversas agudas (prurido, estridor larígeo, edema de glote, aumento de temperatura, vômito, rebaixamento do nível de consciência, entre outros).
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Bibliografia Selecionada

1.Brasil. Caderno 14 Acidentes por Animais Peçonhentos. In: Saude M da, editor. Guia de vigilância epidemiológica. 7th ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2009. p 23. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_vigilancia_epidemiologica_7ed.pdf
2.Gold BS, Dart RC, Barish RA. Bites of venomous snakes. N Engl J Med. 2002 Aug1;347(5):347-56. Disponível em: https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMra013477?url_ver=Z39.88-2003&rfr_id=ori%3Arid%3Acrossref.org&rfr_dat=cr_pub%3Dpubmed