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Quais os cuidados e orientações que devem ser dispensados aos pacientes idosos e acamados com infecções urinárias de repetição?

| 07 abr 2017 | ID: sof-36409
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O envelhecimento populacional é um fenômeno mundial. Esse fato tem contribuído para o surgimento de doenças que apresentam forte predomínio das condições crônicas tais como: hipertensão arterial, doença coronariana, sequelas de acidente vascular cerebral, limitações provocadas pela insuficiência cardíaca e doença pulmonar obstrutiva crônica, amputações e cegueira, além da dependência determinada pelas demências. Tais condições, associado à impossibilidade de locomoção vivida por alguns idosos, podem contribuir para que a população idosa tenha seus hábitos de vida, bem como as atividades da vida diária (AVD) prejudicados, fato esse que pode contribuir para a ocorrência de Infecção do Trato Urinário.

A Infecção do Trato Urinário recorrente (ITUr) é caracterizada pela presença de dois ou mais episódios de ITU em seis meses ou três ou mais episódios ao ano após a cura da primeira infecção, especialmente em mulheres. Mais de 80% de todas as recorrências são por reinfecção3. As ITUs podem ser sintomáticas ou assintomáticas, e complicadas ou não complicadas. Essa avaliação é feita pelo médico que irá abordar individualmente cada caso1.

Alguns cuidados e orientações podem ser dispensados aos pacientes idosos e acamados que apresentam infecção urinária de repetição, dentre as quais1, 2:
• Orientar o paciente a beber bastante líquido (média de 2 litros por dia), caso não haja nenhuma contraindicação. Ex: pacientes que apresentam insuficiência renal.
• Instruir o paciente a evitar reter a urina, urinando sempre que tiver vontade;
• Procurar manter o paciente sempre com uma higiene pessoal adequada.
• Caso esteja fazendo uso de fralda, o ideal é que não fique muito tempo sem realizar a troca da mesma.
• Lavar a região perianal após as evacuações; caso não seja possível, fazer limpeza adequadamente.
• Evitar o uso indiscriminado de antibióticos, sem indicação médica.
• Evitar o uso de absorventes internos, caso as pacientes ainda estejam menstruando;
• O banho, sempre que possível, deve ser dado no chuveiro.
• Ter cuidado com técnicas de sondagem, caso sejam necessárias.
• Manter controle de doenças como diabetes pode ajudar no controle de ITU de repetição.

Complementação
Infecção do trato urinário, sintomática ou assintomática, é a infecção bacteriana mais frequente, independentemente do sexo, acometendo aproximadamente 20% das mulheres e 10% dos homens idosos. Esta prevalência praticamente duplica após os 80 anos, podendo alcançar cerca de 50% das pessoas idosas debilitadas ou hospitalizadas1.
Fatores de risco para ITU incluem cateteres urinários, hipertrofia prostática benigna e prostatite em homens, vaginite atrófica, enfraquecimento do assoalho pélvico e deficiência de estrogênio em mulheres, diabetes, bexiga neurogênica, demência, imobilidade, imunodeficiência relacionada à idade, desidratação, comprometimento funcional e contaminação fecal 1,5.
A pessoa que está com ITU pode apresentar os seguintes sintomas: disúria com ardência e queimação; urgência para urinar; frequência miccional aumentada (vai várias vezes ao banheiro); urina em pequena quantidade; sensação de não esvaziamento da bexiga; febre; incontinência urinária (perda involuntária de urina); dor suprapúbica e hematúria1,3.
A pessoa idosa pode apresentar outros sintomas que não são observados com frequência em jovens, tais como: mal-estar indefinido; falta de apetite; fraqueza; calafrios; confusão mental (delirium)1.
O diagnóstico da ITU é feito pela história clínica, exame físico e por exames laboratoriais que são solicitados pelo médico, dentre eles: exame de urina, que pode demonstrar leucócitos, hematúria ou bacteriúria; urocultura, para identificar patógeno e terapia direta; exames de imagem, que algumas vezes são necessários para complementar a avaliação médica como, por exemplo, a ultra-sonografia (ecografia), a tomografia computadorizada e a ressonância magnética. Esses exames são bastante específicos e utilizados em poucos casos. Como as pessoas idosas podem apresentar sintomas pouco característicos, a urocultura pode ter grande importância nestes pacientes1.
As bactérias que causam ITU no idoso são em geral mais resistentes que na população mais jovem, porque a maior frequência desses processos requereu repetidos ciclos de antibióticos que originaram a seleção de agentes4.
Dessa forma, recomendam-se4:
- A bacteriúria assintomática não deve ser tratada com antibióticos, pois existe o risco desnecessário de seleção de bactérias mais resistentes, da interação e reação alérgica às drogas, além dos custos do tratamento;

- Nas cistites não complicadas das mulheres idosas o tratamento por três dias de antibioticoterapia, em geral, é adequado. No entanto, alguns autores recomendam o tratamento mais prolongado, 7 a 10 dias, já que na população idosa os índices de recorrência são superiores;
- Já em idosos do sexo masculino com cistite, a duração do tratamento deve necessariamente ser mais longa, de 7 a 14 dias devido possibilidade de maior risco de prostatite associada.
- Métodos eficazes na profilaxia e prevenção de infecção urinária de repetição em idosos constituem: hidratação e estímulo a micções frequentes, pesquisa e tratamento de fatores contribuintes (HBP, disfunções miccionais, entre outros), tratamento tópico com estrógeno vaginal em mulheres menopausadas e profilaxia medicamentosa com antibióticos em baixas doses por períodos de três a seis meses.

Atributos da APS
Paciente acamado que apresenta ITU de repetição em sua grande maioria irá requerer cuidados multidisciplinares (agente comunitário de saúde, enfermeira, médico, técnico em enfermagem, fisioterapeutas e outros) e nesse caso a equipe de saúde da atenção primária deve estar presente para coordenar seu cuidado de forma integrada para garantir e organizar as intervenções evitando a fragmentação da assistência.

Bibliografia Selecionada

1. Tomiko Born. Cuidar Melhor e Evitar a Violência – Manual do Cuidador da Pessoa Idosa – Brasília : Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Subsecretaria de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, 2008. 330 p. Disponível em: http://www.sdh.gov.br/assuntos/pessoa-idosa/legislacao/pdf/manual-do-cuidadora-da-pessoa-idosa

2. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Caderno de atenção domiciliar /  2013. 2 v. : il. Disponível em: http://faa.edu.br/portal/PDF/livros_eletronicos/medicina/Caderno_Atencao_Domiciliar_vol2.pdf

3. DynaMed [Internet]. Ipswich (MA): EBSCO Information Services. 1995 -. Registo No. 904.740, Recurrent urinário trato infecção (UTI) em mulheres; [atualizado 2016 28 de novembro]. Disponível em: https://www.dynamed.com/topics/dmp~AN~T904740

4. Moreira Jr.[Internet] Rodrigues T M, Grieco A S. et all. Como diagnosticar e tratar infecção urinária. © Copyright Moreira Jr. Editora, 2010. Disponível em: http://www.moreirajr.com.br/revistas.asp?fase=r003&id_materia=4531

5. Richards M J, Stuart R L. Causes of infection in long-term care facilities: An overview. UpToDate. Nov,2016. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/causes-of-infection-in-long-term-care-facilities-an-overview?source=search_result&search=causes+of+infection+in+long+term+care+facilities+an&selectedTitle=1%7E150