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Quais os fatores que levam a redução dos níveis de vitamina D no sangue de pessoas que moram na região Nordeste?

| 08 mar 2018 | ID: sof-37553
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A deficiência de vitamina D tem alta prevalência em vários países do mundo. A exposição aos raios ultravioletas solares (UVB) é essencial para a formação da Vitamina D no organismo humano. A redução da exposição dos indivíduos ao sol é um dos principais fatores de risco para diminuir as taxas de produção de Vitamina D. No entanto, a hipovitaminose D é encontrada mesmo em áreas tropicais, ambiente no qual há exposição suficiente da pele à luz solar.

Isso acontece devido a:
· Fatores culturais que influenciam na exposição ao sol como: indivíduos em uso de protetor solar e usuários de vestimenta religiosa (véu, burca, paramentos, batina).(1)
· Fatores de risco que influenciam na produção de vitamina D: 1) diminuição da capacidade de sintetizar vitamina D pela pele (envelhecimento e pigmentação da pele); 2) fatores nutricionais (ingestão de alimentos ricos em vitamina D e obesidade); 3) doenças que alteram o metabolismo da vitamina D (fibrose cística, doenças do trato gastrointestinal, doenças hematológicas, doenças renais, insuficiência cardíaca, doenças autoimunes e AIDS); 4) medicações que interferem no metabolismo da vitamina D (anticonvulsivantes, glicocorticoides, antifúngicos, antirretrovirais, colestiramina, orlistat).(2)
A vitamina D, apesar de ser denominada vitamina, trata-se conceitualmente de um pré-hormônio, por não ser produzido por uma glândula endócrina não se trata de um hormônio clássico. Juntamente com o paratormônio (PTH), atua como importante regulador na homeostase do cálcio e no metabolismo ósseo.(2,3)
A principal fonte da vitamina D é representada pela formação endógena nos tecidos cutâneos após a exposição à radiação solar ultravioleta, nos horários entre 10 e 15 horas. A dieta constitui uma fonte alternativa, porém menos eficaz, responsável por apenas 20% das necessidades corporais. As fontes alimentares são o óleo de fígado de bacalhau, peixes gordurosos (salmão, atum, cavala) e gema de ovo .(2,3)
O melhor indicador do estado nutricional relativo à vitamina D é a concentração sérica de 25(OH) D que é a forma circulante mais estável e predominante, sendo considerado o melhor marcador do status de vitamina D, classificando-se os indivíduos como: deficientes, insuficientes ou suficientes em vitamina D.(2,3)
As concentrações de 25(OH) D acima de 30 ng/mL são desejáveis e devem ser as metas para populações de maior risco, pois, acima dessas concentrações, os benefícios da vitamina D são mais evidentes, especialmente no que se refere a doenças osteometabólicas e redução de quedas. A complementação das necessidades diárias, assim como o tratamento da deficiência, deve ser realizada para indivíduos com risco para hipovitaminose D e naqueles com contraindicação clínica para exposição solar, como no câncer de pele, transplantados ou no lúpus eritematoso sistêmico.(3)
No entanto, não está recomendada a mensuração de 25(OH) D para a população geral. A avaliação está recomendada na suspeita de deficiência, em indivíduos pertencentes a populações de risco ou naqueles para cuja situação clínica seja relevante. Essa conduta é essencial para evitar diagnóstico nas fases mais tardias da doença, quando os indivíduos já apresentam implicações clínicas importantes, como raquitismo ou osteomalácia.(2,3)
A Sociedade Americana de Endocrinologia, com o objetivo de fazer recomendações para prevenir e tratar a deficiência/insuficiência de vitamina D, acredita que, em vez de fixar um valor exato, algo irreal na prática clínica, deve-se recomendar uma faixa de ingestão, algo mais razoável. Desta forma, recomenda para crianças de 0-1 ano a ingestão de 400-1000 UI (10-25 µg) de vitamina D por dia. Para crianças acima de 1 ano de idade, a recomendação é de 600-1000 UI/dia (15-25 µg/ dia), e para adultos e idosos, de 1500-2000 UI/dia (37,5-50 µg/dia).(4)

Bibliografia Selecionada

  1. Premaor MO, Furlanetto TW. Hipovitaminose D em adultos: entendendo melhor a apresentação de uma velha doença. Arq Bras Endocrinol Metab [Internet]. 2006 Feb [cited 2018 Mar 08] ; 50( 1 ): 25-37. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0004-27302006000100005&script=sci_abstract&tlng=pt
  2. Maeda SS, et al. Recomendações da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) para o diagnóstico e tratamento da hipovitaminose D. Arq Bras Endocrinol Metab [Internet]. 2014 July [cited 2018 Mar 08] ; 58( 5 ):411-433. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302014000500411&lng=en. http://dx.doi.org/10.1590/0004-2730000003388.
  3. Lima AC. Vitamina D: importância e implicações de sua deficiência na saúde da população idosa. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Nutrição) – Departamento de Nutrição, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, RN, 2016:28p. Disponível em: https://monografias.ufrn.br/jspui/bitstream/123456789/2787/1/VitaminaDimport%C3%A2nciaimplica%C3%A7%C3%B5es_2016_Trabalho%20de%20Conclus%C3%A3o%20de%20Curso
  4. Peters BSE, Martini LA. Funções Plenamente Reconhecidas de Nutrientes Vitamina D. ILSI Brasil Internacional Life SciencesInstitute Do Brasil. Comitê de Nutrição. ILSI Brasil. 2ª ed rev. São Paulo.2014:24p. Disponível em: http://ilsi.org/brasil/wp-content/uploads/sites/9/2016/05/artigo_vitamina_d.pdf