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Quais os principais problemas de saúde bucal relacionados ao trabalho dos professores?

| 03 mai 2016 | ID: sof-23332
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O trabalho docente não expõe o professor a agentes mecânicos, físicos e químicos que possam causar alterações odontológicas de forma direta. Estudos apontam que os principais agravos relacionados ao trabalho dos professores são transtornos psíquicos, como estresse, depressão, ansiedade, exaustão, Bournout; doenças do aparelho respiratório (laringite, dor de garganta, tosse, alterações da voz); e doenças do aparelho osteomuscular , como dores nas pernas, dor nas costas, e lesão por esforço repetitivo (LER)1,2.
Embora os professores não sofram de problemas de saúde bucal decorrentes diretamente do seu trabalho, dois agravos podem ser decorrentes de transtornos psicológicos e uso de medicamentos: a xerostomia e o bruxismo.
A xerostomia, ou sensação de boca seca, resulta de certas doenças ou pode ser efeito secundário de alguns medicamentos. Até o presente, a xerostomia tem sido relacionada com a ingestão de mais de 500 medicamentos. As drogas implicadas com mais frequência são os antidepressivos tricíclicos, os anti-histamínicos, os benzodiazepínicos, os atropínicos e os betabloqueadores3.
Já o bruxismo é uma forma involuntária e inconsciente, caracterizada pelo ato de ranger, apertamento maxilo-mandibular ou movimento de deslizamento dos dentes, tendo manifestação no período diurno, chamado bruxismo cêntrico e durante o sono, chamado bruxismo excêntrico. Vários fatores etiológicos predispõem uma pessoa ao desenvolvimento do bruxismo, sendo além dos fatores locais e hereditários, os psicológicos, a ansiedade, o estresse e as situações emocionais4.

A Odontologia do Trabalho tem como atributos a identificação, avaliação e vigilância dos fatores ambientais (relacionando-se com o local de trabalho), que possam constituir risco à saúde bucal em qualquer das fases do processo de produção. É a parte da atenção à saúde que trata de promover, preservar e recuperar a saúde bucal do trabalhador, consequente dos agravos, afecções ou doenças do exercício profissional, e que tem manifestações bucais. Sua ação deve ser voltada para a prevenção de todos os agravos laborais, ou seja, objetiva a prevenção de doenças decorrentes da atuação profissional e dos acidentes de trabalho 5,6.
As exposições ocupacionais que podem desencadear alterações bucais podem ser classificadas em agentes mecânicos, físicos e químicos 5,6.

  • Agentes mecânicos: pregos, fios de costura, grampos de cabelo, lápis, e outras pequenas peças ou ferramentas, são apontados como responsáveis por tipos característicos de desgaste dental. Refere- se também a ocorrência de abrasão dental em trabalhadores expostos a grandes partículas de poeira, em sopradores de vidro e em músicos que utilizam instrumentos de sopro.
  • Agentes físicos: relacionados a temperaturas extremas (frio e calor), variações de pressão atmosférica e à radiação ionizante, que podem estar associadas a lesões de mucosa, doença periodontal, disfunção têmporo-mandibular e xerostomia.
  • Agentes químicos orgânicos e inorgânicos (ácidos, álcalis, metais e açúcares), assim como derivados de processos industriais, que podem acarretar lesões da mucosa oral, cárie dentária, doença periodontal, alterações salivares, dentre outros. São os principais responsáveis por alterações bucais de origem ocupacional.

As condições de trabalho, ou seja, as circunstâncias sob as quais os docentes mobilizam as suas capacidades físicas, cognitivas e afetivas para atingir os objetivos da produção escolar podem gerar esforço excessivo de suas funções psicofisiológicas.O professor é um trabalhador que, muitas vezes, se submete a longas jornadas de trabalho, cotidianamente vivencia desavenças entre os alunos, apartadas e conciliadas por ele, seus intervalos para descanso e alimentação costumam ser curtos, os salários que recebe, geralmente, não condizem com a quantidade de horas que se dedica ao trabalho. Muitas vezes pode ser vítima de violência dos alunos e/ou de outras pessoas. Essa gama de situações pode levá-lo a adoecimentos e a diversificados eventos acidentários2.
Desta forma, sugere-se que o tema Saúde do Trabalhador com foco nos professores seja trabalhado de forma multiprofissional, em especial com médico e profissionais do NASF: psicólogo, fonoaudiólogo e fisioterapeuta, abordando os principais problemas de saúde que acometem esta classe. No caso da saúde bucal, podem ser realizadas consultas odontológicas convencionais e orientação de higiene e de dieta com redução do uso de açúcar. Sugere-se que a anamnese do paciente contemple a pesquisa de medicamentos em uso e questione a ocorrência de problemas como estresse, ansiedade ou depressão relacionados ao trabalho, e posteriormente seja realizado exame clínico para possível diagnóstico de xerostomia ou bruxismo.

Bibliografia Selecionada

  1. Gasparini SM; Barreto SM; Assunção AA. O professor, as condições de trabalho e os efeitos sobre sua saúde. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 31, n. 2, p. 189-199, maio/ago. 2005. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ep/v31n2/a03v31n2.pdf>. Acesso em: 11 abr. 2016.
  2. Alves LA et al. Alterações da saúde e a voz do professor, uma questão de saúde do trabalhador. Rev Latino-am Enfermagem 2009 julho-agosto; 17(4). Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-11692009000400020&script=sci_arttext&tlng=pt>. Acesso em: 11 abr. 2016.
  3. Fávaro RAA; Ferreira TNR; Martins WD. Xerostomia: etiologia, diagnóstico e tratamento. Revisão. Clin. Pesq. Odontol., Curitiba, v.2 , n.4, p. 303-317, abr./jun. 2006. Disponível em: <http://goo.gl/4fmoVx>. Acesso em: 11 abr. 2016.
  4. Gama E; Andrade AO; Campos RM. Bruxismo: Uma revisão da literatura. Ciência Atual | Rio de Janeiro | Volume 1, Nº 1,2013. Disponível em: <http://inseer.ibict.br/cafsj/index.php/cafsj/article/view/2/pdf>. Acesso em: 11 abr. 2016.
  5. Almeida TF; Vianna MIP. O Papel da Epidemiologia no Planejamento das Ações de Saúde Bucal do Trabalhador. Saúde e Sociedade v.14, n.3, p.144-154, set-dez 2005. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/sausoc/v14n3/10.pdf>. Acesso em: 11 abr. 2016.
  6. Carvalho ES et al. Prevenção, promoção e recuperação da saúde bucal do trabalhador. RGO, Porto Alegre, v. 57, n.3, p. 345-349, jul./set. 2009. Disponível em: <http://www.revistargo.com.br/viewarticle.php?id=1836>.Acesso em: 11 abr. 2016.