Quais são as causas e quando devemos tratar a hipertrigliceridemia?

| 15 janeiro 2019 | ID: sofs-41585
Solicitante:
CIAP2:
DeCS/MeSH: ,

Casos leves (entre 150 e 199 mg/dL) a moderados (entre 200 e 999 m/dL) estão relacionados à dislipidemia poligênica e a hábitos de vida. Casos graves (entre 1000 e 1999 mg/dL) e muito graves (acima de 2000 mg/dL) podem dever-se a causa secundária ou dislipidemia primária de padrão familiar.


As principais causas a serem consideradas são: hiperglicemia (DM mal controlado); hipotireoidismo; medicamentos; consumo de álcool; HIV e drogas antirretrovirais; insuficiência renal crônica, em especial síndrome nefrótica; patologias hepáticas, em especial as que cursam com colestase; síndrome de Cushing.
Para pacientes sem uma causa clara pela história clínica (diabetes descompensado ou etilismo) é recomendada uma avaliação laboratorial básica: glicemia, transaminases, fosfatase alcalina, bilirrubinas, TSH, creatinina e EQU. Demais investigações e exames devem ser guiados pela história clínica.
Indicações de tratamento
Hipertrigliceridemia leve (entre 150 e 199mg/dL) a moderada (entre 200 e 999 m/dL)
Se o objetivo for redução de eventos cardiovasculares, não há recomendação do uso de fibratos ou outras medicações para redução de triglicerídeos. Nessa situação é mais benéfico utilizar estatinas. Se o objetivo for redução do risco de pancreatite, deve ser lembrado que há uma relação crescente entre os níveis de triglicerídeos e risco de pancreatite. Apesar disso, em termos absolutos esse efeito é pequeno e não há dados que corroborem o tratamento como forma de redução desse risco. Além disso, fibratos também foram associados com aumento de risco de pancreatite em relação a placebo. Portanto, para esses níveis, não é recomendado o uso de medicações com o objetivo de prevenção de pancreatite.
Hipertrigliceridemia grave (entre 1000 e 1999 mg/dL)
A recomendação não é clara, mas de uma forma geral se recomenda o uso de fibrato para evitar a progressão a valores muito elevados de triglicerídeos.
Hipertrigliceridemia muito grave (acima de 2000 mg/dL):
Está recomendado o tratamento com fibrato para redução dos triglicerídeos e prevenção de pancreatite.
O tratamento não farmacológico se baseia em: dieta pobre em carboidratos simples (amidos, em especial os refinados); redução do consumo de gordura, em especial as saturadas; realização de exercícios combinados, tanto aeróbicos como de resistência.
No tratamento farmacológico, deve-se dar preferência aos fibratos, pois são os medicamentos mais estudados. Além disso, algumas referências relacionam seu uso com redução de eventos cardíacos não fatais. Pode-se utilizar:
Ciprofibrato 100 mg 1 vez ao dia;
Fenofibrato 200 mg 1 vez ao dia;
Gemfibrozil 600 mg 2 vezes ao dia antes do café e do jantar.
As opções de segunda linha são o ácido nicotínico de liberação prolongada, iniciar com 500 mg após a refeição da noite, dose máxima de 2 g à noite; e Ômega 3 em cápsulas de 1g, utilizar 2 a 4 cápsulas ao dia.

Bibliografia Selecionada:

1. Berglund L, Brunzell JD, Goldberg AC, Goldberg IJ, Sacks F, Murad MH, Stalenhoef AF; Endocrine society. Evaluation and treatment of hypertriglyceridemia: an Endocrine Society clinical practice guideline. J Clin Endocrinol Metab. 2012 Sep;97(9):2969-89. doi: 10.1210/jc.2011-3213. Review.  Erratum in: J Clin Endocrinol Metab. 2015 Dec;100(12):4685. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3431581/
2. Lederle FA, Bloomfield HE. Drug treatment of asymptomatic hypertriglyceridemia to prevent pancreatitis: where is the evidence? Ann Intern Med. 2012 Nov 6;157(9):662-4. Disponível em: https://www.annals.org/article.aspx?doi=10.7326/0003-4819-157-9-201211060-00011
3. Pedersen SB, Langsted A, Nordestgaard BG. Nonfasting Mild-to-Moderate Hypertriglyceridemia and Risk of Acute Pancreatitis. JAMA Intern Med. 2016 Dec 1;176(12):1834-1842. Disponível em: https://jamanetwork.com/journals/jamainternalmedicine/fullarticle/2580722
4. Preiss D, Tikkanen MJ, Welsh P, Ford I, Lovato LC, Elam MB, LaRosa JC, DeMicco DA, Colhoun HM, Goldenberg I, Murphy MJ, MacDonald TM, Pedersen TR, Keech AC, Ridker PM, Kjekshus J, Sattar N, McMurray JJ. Lipid-modifying therapies and risk of pancreatitis: a meta-analysis. JAMA. 2012 Aug 22;308(8):804-11. Disponível em: https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/1352090
5. Rosenson RS, Kastelein JJP. Approach to the patient with hypertriglyceridemia [Internet]. Waltham (MA): UpToDate, 2017. Disponível em: http://www.uptodate.com/contents/approach-to-the-patient-with-hypertriglyceridemia