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Quais são as técnicas de condicionamento no atendimento a pacientes odontopediátricos?

| 28 fev 2018 | ID: sof-37314
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Durante o atendimento a pacientes odontopediátricos podem ser utilizadas técnicas não farmacológicas como dizer-mostrar-fazer; controle de voz; comunicação não verbal; reforço positivo; distração; presença/ausência do responsável; estabilização protetora – contenção física (1); mão sobre a boca (desde que com a autorização por escrito dos pais ou responsáveis) ( 2,3); ou ainda ser utilizadas técnicas farmacológicas que podem ser realizadas através da sedação consciente ou da sedação inconsciente (1).

Reconhecer a fase de desenvolvimento em que o paciente se encontra e avaliar a maturidade emocional e psicológica são de fundamental importância para a decisão da técnica ideal a ser adotada (4).
As técnicas de manejo objetivam desenvolver na criança um comportamento mais apropriado enquanto recebe o tratamento, e ainda ajudam a criança a aprender, entender e cooperar na cadeira odontológica. Além disso, o manejo infantil ainda visa estabelecer uma comunicação com a criança, educar o paciente, construir uma relação de confiança e prevenir e aliviar o medo e a ansiedade (1). Portanto, é importante conhecer as seguintes informações sobre as técnicas:
Dizer – mostrar – fazer: Emprego da sequência: Explicação apropriada para a idade – demonstração (visual, auditiva, olfativa, tátil) – realização do procedimento (1);
Controle de voz: Alteração do volume, tom ou ritmo da voz (explicação prévia ao responsável) para conquistar a atenção do paciente e definir papéis do adulto e da criança (1);
Comunicação não verbal: Comunicação por contato, postura, expressão facial, linguagem corporal (1);
Reforço positivo: Reconhecimento dos comportamentos adequados para estimular sua manutenção; inclui modulação da voz, expressão facial, elogio verbal, demonstrações físicas de afeto, prêmios (1);
Distração: Desvio da atenção do paciente de situações percebidas como desagradáveis (1);
Presença/ausência do responsável: Negociação, com a criança resistente maior de 3 anos, sobre a presença do acompanhante no local do atendimento condicionada à sua colaboração. Ética e legalmente o (a) responsável pela criança tem o direito de ficar junto a ela; educar o (a) mesmo para permanecer junto à criança caso ele (a) deseje, ou seja necessário(1);
Estabilização protetora (contenção física): Restrição dos movimentos do paciente, com ou sem seu consentimento, para reduzir o risco de lesões durante o procedimento; inclui abridor de boca em criança não cooperativa (1).
Mão sobre a boca: A técnica da mão sobre a boca tem sido descrita por diversos autores e consiste em colocar a criança firmemente na cadeira odontológica. Se a criança movimentar braços e pernas, o dentista e a auxiliar odontológica conterão a criança, prevenindo seu próprio dano e danos à equipe e ao equipamento. Se nenhuma comunicação é possível devido à criança estar gritando e chorando, o dentista posiciona a mão sobre a boca da criança para abafar o ruído, e simultaneamente se aproxima do ouvido e diz baixo, sem gritar, calmamente e sem raiva “você tem que parar de gritar, quero conversar com você, quero olhar os seus dentes”. Geralmente a criança interrompe os gritos e o dentista remove a mão. Imediatamente reforça o comportamento da criança com um elogio: “sabia que você era capaz de colaborar” ou “gosto de você porque você é um bom ajudante” (2,3).
No caso das técnicas farmacológicas a sedação é indicada para pacientes medrosos, ansiosos, para quem as técnicas básicas da orientação do comportamento não foram bem sucedidas; pacientes que não podem cooperar devido à falta de maturidade psicológica ou emocional e/ou incapacidade mental, física ou médica; pacientes para quem o uso da sedação pode proteger distúrbios psíquicos e/ou reduzir o risco médico (5).
Logo, para se obter um tratamento favorável em odontopediatria, o dentista deve conhecer variadas formas e técnicas de manejo do comportamento e estar apto a avaliar exatamente o nível de desenvolvimento da criança, como suas atitudes, temperamentos e prever a sua reação ao tratamento. Para possibilitar o exame e procedimentos odontológicos visando a promoção de saúde no atendimento infantil, o gerenciamento do comportamento da criança é muito importante (6).

Bibliografia Selecionada

1. Campos CC, et al. Clínica Odontológica Infantil Passo a Passo. Adaptação do comportamento da crianças em odontologia. V.1. Goiânia: UFG/FO: FUNAPE, 2010: 1-12. Disponível em: https://pahpe.odonto.ufg.br/up/299/o/Passo_a_passo_Clinica_Odontologica_Infantil_completo.pdf
2. Romito ACD, Zardetto CGDC, Corrêa MSN. Gerenciamento comportamental em odontopediatria por meio de técnicas não farmacológicas. In: Corrêa MSN. Sucesso no atendimento odontopediátrico: aspectos psicológicos. São Paulo: Santos Editora. 2002.
3. Pentagna M. Técnica da mão sobre a boca. [dissertação]. Rio de Janeiro: Rio de Janeiro: Faculdade de Odontologia da UERJ. 2001.
4. Ferreira E, et al. O uso da contenção física como técnica de condicionamento no atendimento odontológico de bebês: revisão de literatura. Revista Gestão & Saúde. v. 14, n.1, p 31-36, 2016.
5.  Klatchoian DA (coordenadora), Noronha JC, Toledo OA. Adaptação comportamental do paciente odontopediátrico. In: Associação Brasileira de Odontologia. Manual de Referência ABO – odontopediatria. 1ª ed. São Paulo. Editora Santos. 2009: 49–71. Disponível em: http://www.abodontopediatria.org.br/manual1/Capitulo-6-Adaptacao-Comportamental-do-Paciente-Odontopediatrico.pdf
6. Correa MSNP. Sucesso no atendimento odontopediátrico – Aspectos psicológicos 1ª Ed. São Paulo (Santos), 2002.