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Qual a conduta clínica do cirurgião-dentista frente à anquiloglossia em crianças no atendimento da APS?

| 21 mar 2017 | ID: sof-36344
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Pacientes que apresentam anquiloglossia devem ser acompanhados por uma equipe multidisciplinar1 sendo assim, cabe ao cirurgião-dentista encaminhá-los para consultas com otorrinolaringologistas e fonoaudiólogos, para que em consenso decidam se o melhor tratamento para aquele determinado indivíduo será a intervenção cirúrgica ou apenas a fonoterapia2. Anquiloglossia, também conhecida como língua presa, é caracterizada por um encurtamento de uma estrutura que conecta a língua ao assoalho bucal chamada frênulo lingual3, restringindo o movimento lingual. É uma anomalia congênita e acomete com maior frequência o sexo masculino1,4 , podem estar associadas a síndromes como Ehlers-Danlos, Backwith-Wiedemann, além disso, o uso de cocaína materno pode influenciar no desenvolvimento da anquiloglossia4.

Crianças que possuem anquiloglossia apresentam dificuldades de amamentação, alimentação, distúrbios na fala como dificuldades na articulação das palavras com sons linguais, má higiene oral que pode promover o desenvolvimento de doenças periodontais, formação de diastemas entre os incisivos centrais e podem sofrer constrangimento social1,2,3,4.

Sobre o critério diagnóstico de anquiloglossia existem controvérsias, pois vários estudos estabelecem critérios diagnósticos diferentes2,3,4.  Por isso, a intervenção cirúrgica deve considerar aspectos morfológicos e funcionais da língua e deve ser indicado se promover melhora nesses aspectos4.  Uma característica pacientes com anquiloglossia é a formação de um “coração” no ápice lingual quando ocorre a dobra da ponta da língua para baixo ao ser projetada para fora da boca3.

Existem duas técnicas para tratamento cirúrgico, a frenotomia, que consiste na incisão do frênulo, indicado para bebês, é um procedimento conservador, simples e rápido que pode ser realizado no consultório odontológico e a frenectomia que consiste na remoção completa do frênulo, um procedimento mais invasivo e difícil de ser realizado em crianças mais novas. O acompanhamento do pós-operatório com um fonoaudiólogo é necessário para auxiliar o paciente na melhora da mobilidade lingual, treinar a musculatura e reduzir o potencial de cicatrização1,4.

O paciente com anquiloglossia deve ter seu acesso facilitado ao serviço de saúde a fim de a avaliação e cuidado dispensado a esse paciente possa ser realizados em momento oportuno evitando assim possíveis complicações relacionadas à anquiloglossia. A atenção dispensada a esse paciente deve ser integral, realizada por uma equipe interdisciplinar e continuada até que suas dificuldades sejam eliminadas.

Bibliografia Selecionada

  1. Isaacson GC. Ankyloglossia (tongue-tie) in infants and children. Uptodate [homepage na internet]. [acesso em 05 de julho de 2016]. Disponível em: http://www.uptodate.com/contents/ankyloglossia-tongue-tie-in-infants-and-children?source=see_link
  2. Brito SF, Marchesan IQ, Bosco CM, Carrilho AC, Rehder MI. Frênulo lingual: classificação e conduta segundo ótica fonoaudiológica, odontológica e otorrinolaringológica. Rev. CEFAC. São Paulo. 2008 Jul-Set;10(3):343-351 Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rcefac/v10n3/v10n3a09.pdf
  3. Witwytzkyj LP, Cordeiro MC, Coelho TTT. Análise clínica das propostas de classificação do frênulo da língua por índice e porcentagem. Rev CEFAC. 2014 Mar-Abr;16(2):537-545 Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rcefac/v16n2/1982-0216-rcefac-16-2-0537.pdf
  4. Junqueira MA, Cunha NNO, Silva LLC, Araújo LB, Moretti ABS, Couto Filho CEG, Sakai VT. Surgical techniques for the treatment of ankyloglossia in children: a case series. J Appl Oral Sci. 2014;22(3):241-8 Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/jaos/v22n3/1678-7757-jaos-22-03-0241.pdf