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Qual a conduta em condições benignas da língua com sintomas clínicos?

| 11 abr 2017 | ID: sof-36442
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Pacientes com condições benignas de língua como Língua Geográfica e Língua Fissurada que apresentem sintomas de queimação, sensibilidade e dor devem ser orientados a controlar o estresse e evitar alimentação condimentada e ácida1,2,3,4. Em situações de dor ou incômodo excessivo indica-se o uso de corticosteroide tópico, como pomada triancinolona 0.1% em orobase, aplicada na área afetada uma vez ao dia, por um período entre 7 a 10 dias,4. Pomadas anti-inflamatórias fitoterápicas à base de camomila também podem ser prescritas. Benefícios consideráveis podem ser obtidos através da realização de bochechos com bicarbonato de sódio diluído em água4. É importante orientar o paciente quanto à higiene da língua, utilizando escova extra macia, para remoção de biofilme e restos alimentares das fissuras linguais5.

A Língua Geográfica ou Glossite Migratória Benigna é uma condição benigna da língua de causa desconhecida, caracterizada por lesões que começam como pequenas manchas brancas e, à medida que se estendem ou migram, desenvolvem uma zona atrófica vermelha central devido à perda das papilas filiformes. A língua se apresenta com áreas vermelhas, bem demarcadas, nas partes dorsal e lateral da língua, com bordas brancas irregulares.Alguns pacientes podem apresentar sintomas de queimação, sensibilidade e dor, principalmente quando da ingestão de alimentos cítricos, condimentados ou quentes1. As lesões variam na aparência e no tempo, podendo ser de poucas horas a várias semanas. Podem apresentar um período de remissão, em que podem reaparecer no mesmo local ou em áreas diferentes. A etiologia é obscura, mas pode estar relacionada a estresse, condições alérgicas, distúrbios hormonais, diabetes juvenil, fatores genéticos, deficiências nutricionais2,3,4. A língua geográfica tem sido associada, coincidentemente, a diferentes situações, como psoríase, dermatite seborreica e atopia4.

A língua fissurada, outra condição clínica benigna, afeta o dorso da língua é caracterizada pela presença de sulcos ou fissuras5. O paciente não costuma referir sintomas, embora algumas pessoas possam queixar-se de ardência discreta ou dor, principalmente na ausência de higienização5. Nestas situações o acúmulo de biofilme e debris pode levar a um processo inflamatório ou infecção pela Cândida albicans5. A associação entre língua geográfica e língua fissurada é bastante comum, e os sintomas da língua geográfica parecem ser mais comuns nesta associação, possivelmente pela presença de infecção fúngica secundária nas bases das fissuras4.

De modo geral, devido à sua condição benigna e autolimitada, não é preconizada a realização de nenhum tratamento para língua geográfica e/ou fissurada quando o paciente não relatar sintomatologia, apenas se recomenda a tranquilização do paciente e explicação da etiopatologia da condição, assim como orientações de higiene,4,5. Essas condições, portanto, não têm indicação de encaminhamento para consulta com especialista. O diagnóstico, o tratamento e o acompanhamento devem ser realizados pelo profissional de saúde da Atenção Básica em Saúde/Atenção Primária em Saúde (ABS/APS), considerando seu papel de coordenador do cuidado do usuário na rede de atenção à saúde1,5.

Bibliografia Selecionada

  1. PILZ C, CARRARD VC. Língua Geográfica. Resumo clínico. RegulaSUS. Telessaúde Rio Grande do Sul. Disponível em: https://www.ufrgs.br/tsrs/telessauders/documentos/protocolos_resumos/estomatologia_resumo_clinico_lingua_geografica_TSRS.pdf. [Acesso em  27/10/2016].
  2. CARVALHO FVQ, TRIGUEIRO M, MANGUEIRA DFB. Glossite Migratória Benigna ou língua geográfica: relato de caso clínico. Int J Dent, Recife. 2010; 9 (3): 165-8. Disponível em: http://revodonto.bvsalud.org/pdf/ijd/v9n3/10.pdf. [Acesso em  27/10/2016].
  3. Telessaúde Rio Grande do Sul. Qual o tratamento para língua geográfica? Segunda Opinião Formativa. 10 Maio 2010. ID: sof-4325. Disponível em: http://pesquisa.bvs.br/aps/resource/pt/sof-4325. [Acesso em  27/10/2016].
  4. REGEZI JA. Patologia Oral: correlações clinicopatológicas. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012.
  5. PILZ, C.; CARRARD, V.C. Língua Fissurada. Resumo clínico. RegulaSUS. Telessaúde Rio Grande do Sul. Disponível em: https://www.ufrgs.br/telessauders/documentos/protocolos_resumos/estomatologia_resumo_clinico_lingua_fissurada_TSRS.pdf. [Acesso em  28/10/2016].