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Qual a etiologia, diagnóstico, prevenção e tratamento da influenza (Gripe)?

| 14 jul 2016 | ID: sof-23851
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A influenza é uma infecção que afeta o sistema respiratório. Ocorre em qualquer época do ano, entretanto mais freqüente durante o outono e inverno devido à queda das temperaturas1. Pode ser causada pelo vírus influenza, da família Orthomyxoviridae e classificado em três tipos A, B e C. Os tipos de maior importância clínica são influenza A e B, sendo que a influenza A causa até 75% das infecções2. O vírus influenza tipo A é classificado em subtipos determinados por glicoproteínas presentes na sua superfície. Em humanos geralmente a infecção ocorre pelos H1, H2 e H3 e N1 ou N2. Atualmente, no Brasil, estão circulando o H1N1, H1N2 e H3N23.
A transmissão da influenza ocorre por meio de secreções das vias respiratórias de pessoas contaminadas ao falar, tossir, espirrar ou ainda, pelas mãos que, após contato com superfícies recém-contaminadas podem levar o agente infeccioso para a boca, olhos e nariz. Estima-se que a influenza acometa 5 a 10% dos adultos e 20 a 30% das crianças, acarretando em 3 a 5 milhões de casos graves e até 500.000 mortes todos os anos2.
O período de incubação dos vírus varia de 1 a 4 dias, sendo os sinais e sintomas muito variáveis, podendo ocorrer desde infecção assintomática, até formas graves2. Os sinais e sintomas da influenza incluem: Infecção aguda das vias aéreas que cursa com quadro febril (temperatura ≥ 37,8°C), com a curva térmica usualmente declinando após dois ou três dias e normalizando em torno do sexto dia de evolução. A febre geralmente é mais acentuada em crianças. Os demais sinais e sintomas são habitualmente de aparecimento súbito, como: calafrios, mal-estar, cefaléia, mialgia, dor de garganta, artralgia, prostração, rinorréia, tosse seca. Podem ainda estar presentes: diarréia, vômito, fadiga, rouquidão, hiperemia conjuntival1.

As medidas gerais de prevenção são importantes. Higienizar as mãos e evitar locais com aglomeração de pessoas que possam facilitar a transmissão do vírus, cobrir a boca ao tossir ou espirrar, utilizar álcool gel nas mãos, são medidas que devem ser orientadas e reforçadas pelos profissionais de saúde à população4. Para os profissionais de saúde, torna-se fundamental a utilização da precaução padrão nas atividades cotidianas dos serviços de saúde. Compreende a higienização das mãos antes e após o contato com pacientes, uso de Equipamentos de Proteção Individual (avental e luvas) ao contato com secreções e sangue, uso de óculos e máscara caso haja risco de respingos, descarte adequado dos resíduos dos serviços de saúde, limpeza e desinfecção de superfícies com água e sabão ou detergente, fricção de superfícies e objetos com álcool a 70%, entre outros1.
O Ministério da Saúde anualmente lança campanhas nacionais de vacinação contra a gripe para grupos etários específicos e populações vulneráveis como portadores de doenças crônicas e imunodeprimidos. A vacina é considerada segura e uma das medidas mais eficazes de prevenção de casos graves da gripe, com estimativas de redução entre 32% e 45% o número de hospitalizações por pneumonias e até 75% a mortalidade por complicações da influenza3.
As vacinas utilizadas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) são trivalentes e inativadas4. A cada ano ocorre a atualização das cepas que irão compor as vacinas, com o objetivo de proteger a população contra os tipos de cepas que estão em circulação no mundo5. A detecção de anticorpos protetores em adultos saudáveis ocorre entre 2 a 3 semanas após a vacinação, com pico máximo de anticorpos após 4 a 6 semanas, permanecendo até 6 a 12 meses. Em crianças, menores de seis anos aproximadamente 80% apresentam soroconversão após uma dose da vacina, enquanto crianças maiores de 6 anos apresentam até 100% de soroconversão; mais de 50% das crianças abaixo de 3 anos são soronegativas para o vírus da influenza, sendo este o motivo para o esquema de duas doses da vacina em primovacinados e uma dose nos anos subseqüentes2.
Os tratamentos medicamentosos disponibilizado pelo Ministério da Saúde são os antivirais: fosfato de Oseltamivir (Tamiflu®) e Zanamivir (Relenza®). O tratamento precoce pode reduzir a duração dos sintomas e a redução de complicações da infecção pelo vírus influenza1, acelerando o tempo para alívio dos sintomas clínicos, redução do risco de complicação do trato respiratório inferior, com conseqüente diminuição de internações hospitalares, embora aumente a ocorrência de náuseas e vômitos6 (grau de recomendação C).
Tratamentos não farmacológicos incluem terapias com plantas medicinais como raízes de alcaçuz, Ginseng norte-americano, sabugueiro, Echinacea, romã, que apresentaram eficácia para tratamento de infecções no trato respiratório superior. Suplementos como o zinco, selênio e a vitamina C demonstram efeito de apoio contra vírus respiratórios7 (grau de recomendação D). No manejo da síndrome gripal, recomenda-se o aumento da ingesta oral de líquidos1.
O acompanhamento vacinal da população faz parte das atividades da equipe da Estratégia de Saúde da Família, que realiza o acompanhamento longitudinal e integral dos indivíduos, favorecendo práticas de proteção e promoção da saúde. O investimento no ACS tem se sido associado aos resultados positivos que este tem revertido no enfrentamento de determinados problemas de saúde, a expansão da cobertura da Atenção Primária em Saúde (APS) e a possibilidade da constituição da competência cultural como um dos atributos derivados da APS. Essa competência cultural contribui com a APS na medida em que ocorre no contexto das famílias e da comunidade, pois envolve o entendimento das condições de vida e dinâmicas familiares dos indivíduos, bem como, os antecedentes culturais da comunidade e o conhecimento das necessidades de saúde desta8. Incluir os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) nas ações de planejamento de atividades para promoção da saúde e prevenção da influenza é essencial para o melhor manejo dos casos de gripe na comunidade; é preciso fortalecer o ACS para a educação em saúde visando esclarecer a comunidade acerca das medidas mais eficazes para o combate ao vírus da influenza.

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Que medidas podem ser consideradas na prevenção e tratamento da gripe?

Bibliografia Selecionada

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Protocolo de tratamento de Influenza: 2015. Brasília: Ministério da Saúde, 2015. Disponível em: <http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2015/dezembro/17/protocolo-influenza2015-16dez15-isbn.pdf>. Acesso em 10 de abril de 2016.
  2. Brasil. Ministério da Saúde. Informe Técnico: Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza. Brasília,  2016. Disponível em: <http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2016/marco/11/informe-tecnico-campanha-vacinacao-influenza-2016.pdf>. Acesso em 10 de abril de 2016.
  3. CASTIÑEUIRAS, Terezinha Marta P.P; PEDRO, Luciana G. F; MARTINS, Pedro & Fernando S. V. CIVES. Centro de Informação em Saúde para Viajantes. UFRJ, 2009. Disponível em: <http://www.cives.ufrj.br/informacao/gripe/gripe-iv.html>. Acesso em 5 de maio de 2016.
  4. Brasil. Ministério da Saúde. Portal da Saúde. Vacinação, 2014. Disponível em: <http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/leia-mais-o-ministerio/416-secretaria-svs/vigilancia-de-a-a-z/influenza/l2-influenza/10959-vacinacao-influenza>. Acesso em 10 de abril de 2016.
  5. Brasil. Ministério da Saúde. Agencia Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA. Anvisa define composição da vacina influenza para 2016. Brasilia, 2015. Disponível em: <http://www.poderesaude.com.br/novosite/images/publicacoes_10.11.2015-II.pdf>. Acesso em: 08 de maio de 2016.
  6. Dobson J, Withely RJ, Pocock S, Monto AS. Oseltamivir treatment for influenza in adults: a meta-analysis of randomised controlled trials. The Lancet, 2015, 385: 1729-1737. Disponível em: <http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(14)62449-1/abstract>. Acesso em 05 de maio de 2016
  7. Mousa Haider Abdul-Lateef. Prevention and Treatment of Influenza, Influenza-Like Illness, and Common Cold by Herbal, Complementary, and Natural Therapies. Journal of Evidence-Based Complementary & Alternative Medicine,2016, 22(1):166-174 . Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27055821
  8. BORNSTEIN, Vera Joana, et al. Desafios e perspectivas da Educação Popular em Saúde na constituição da práxis do Agente Comunitário de Saúde. Botucatu: Interface, 2014; 18 (Supl 2) : p. 1327-1340. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/icse/v18s2/1807-5762-icse-18-s2-1327.pdf>. Aceso em: 06 jun 2016.