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Qual a frequência de surgimento de mucocele em comissura labial?

| 01 mar 2018 | ID: sof-37458
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A Mucocele é uma lesão não infecciosa benigna que se desenvolve em mucosa oral, geralmente resultante da ruptura do ducto de glândulas salivares menores (1,2) ou da presença de cálculos (sialolitos) que possibilitam a dispersão de mucina para o interior do tecido conjuntivo ou impedem a drenagem do muco através do ducto excretor danificado da glândula salivar(1).

Queilite angular é uma ferida que ocorre devido a um processo inflamatório no ângulo da boca (comissura labial). O acúmulo de saliva no canto da boca parece ser o principal fator desencadeante, facilitando a maceração da pele, formação de fissuras e contaminação da ferida por bactérias ou fungos. A queilite angular pode se tornar uma lesão crônica e persistente ou apresentar períodos de melhora alternados com agravamentos e retorno das lesões(1).
O desenvolvimento da mucocele é comum em regiões traumatizadas, porém sua etiologia não é bem definida(1). Crianças e adultos jovens são mais acometidos e o lábio inferior é a região mais afetada, contudo pode se desenvolver na mucosa bucal, língua e soalho bucal(1).
Clinicamente as lesões são assintomáticas, com aparência bolhosa de um cisto mucoso, geralmente arredondados, de superfície lisa(1), ligeiramente azuladas ou translúcidas e flutuantes (mucocele superficial) ou sem alteração de coloração da mucosa e mais firme à palpação (mucocele profunda), podendo haver episódios de esvaziamento e recorrência com enchimento repentino durante as refeições(3).
Geralmente, as mucoceles orais possuem crescimento lento, algumas podem desenvolver-se e regredirem espontaneamente(1,4) após um período de tempo curto, enquanto outras são crônicas necessitando de excisão cirúrgica para sua eliminação(1)e posterior exame histopatológico(5). Independentemente do tipo de tratamento cirúrgico escolhido, os pacientes devem ser orientados quanto aos fatores etiológico envolvidos, pois sua permanência poderá acarretar na recidiva das lesões(4).
O diagnóstico de mucocele é clínico e na anamnese deve-se investigar um trauma prévio(5). O profissional deve ficar atento aos diagnósticos diferenciais como hiperplasias fibrosas, papiloma focal, lipoma ou fibroma(1).

Bibliografia Selecionada

1. Valério RA, Queiroz AM, Romualdo PC, Brentegani LG, Paula-Silva FWG. Mucocele and Fibroma: Treatment and clínical features for differential diagnosis. Braz. Den. J. 2013 Sept-Oct;24(5):537-541. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-64402013000500537 Acesso em 23 de agosto de 2017.
2. Neville BW et al. Patologia Oral e Maxilofacial. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2009.
3. Baurmash HD. Mucoceles and ranulas. J Oral Maxillofac Surg 2003; 61:369-78. Disponível em: http://www.joms.org/article/S0278-2391(02)15680-1/abstract Acesso em 23 de agosto de 2017.
4. Santos TS, Martins PRS, Menezes FS, Maia MC, Carvalho RWF, Araújo FAC. Tratamento cirúrgico de mucocele utilizando a técnica de Shira: relato de caso. UFES Rev Odontol 2008; 10(4):53-8.Disponível em: http://www.publicacoes.ufes.br/RBPS/article/viewFile/459/323 Acesso em 23 de agosto de 2017.
5. Ata-Ali J, Carrillo C, Bonet C, Balaguer J, Peñarrocha M, Peñarrocha M. Oral mucocele: review of the literature. J Clin Exp Dent. 2010; 2(1):18-21. Disponível em: http://www.medicinaoral.com/odo/volumenes/v2i1/jcedv2i1p18.pdf Acesso em 23 de agosto de 2017.