Contato

SOF

Qual a importância do teste da orelhinha em recém-nascidos e qual a idade correta para a realização desse exame?

| 12 jul 2017 | ID: sof-36676
Esta SOF foi útil pra você?
Reload

Enter the code

A Triagem Auditiva Neonatal (TAN), popularmente conhecida como teste da orelhinha, tem grande importância, tanto para a criança quanto para seus familiares, visto que é uma ferramenta que possibilita identificar a deficiência auditiva nos neonatos e lactente e implementar medidas de detecção, diagnóstico e reabilitação precocemente1.

O Joint Committee on Infant Hearing (JCIH) recomenda que todo o recém-nascido passe por uma avaliação auditiva, visto que é grande a incidência de alterações auditivas em bebês, que não estão inseridos em um grupo de risco.2 O Comitê Brasileiro sobre Perdas Auditivas na Infância (CBPAI) recomenda que a implantação da triagem auditiva neonatal universal (TANU) seja feita para todas as crianças, do nascimento até os três meses de idade.3

Para que se possa fazer o diagnóstico precoce a TAN deve ser realizada, preferencialmente, nos primeiros dias de vida (24 a 48 horas) na maternidade, ou antes da alta hospitalar. No caso de nascimentos que ocorram em domicílio, fora do ambiente hospitalar, ou em maternidades sem triagem auditiva, a realização do teste deverá ocorrer no primeiro mês de vida.1,4

 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS-2005), 278 milhões de pessoas têm perdas auditivas de grau moderado a profundo, sendo que 80% destas vivem em países em desenvolvimento. A metade dos casos de deficiência auditiva poderia ser prevenida e seus efeitos minimizados se a intervenção fosse iniciada precocemente.1

O primeiro ano de vida é considerado crítico para a aquisição de fala e linguagem, pois é neste período que ocorre o ápice do processo de maturação do sistema auditivo central, existindo, portanto, maior plasticidade da via auditiva. Estudos evidenciam que crianças com perda auditiva que receberam estimulação sonora adequada nesse período, apresentaram desenvolvimento de fala e linguagem semelhante ao de crianças ouvintes. Portanto, é fundamental fortalecer todas as iniciativas capazes de antecipar o diagnóstico e a intervenção auditiva, diminuindo o tempo de privação sensorial.2

Segundo dados de diferentes estudos epidemiológicos, a prevalência da deficiência auditiva varia de um a seis neonatos para cada mil nascidos vivos, e de um a quatro para cada cem recém-nascidos provenientes de Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN). Esta prevalência é considerada elevada se comparada a outras doenças passíveis de triagem na infância, como: fenilcetonuria 1:10.000; anemia falciforme 2:10.000; surdez 30:10.000.1

No caso de deficiência auditiva permanente, o diagnóstico funcional e a intervenção iniciados antes dos seis meses de vida da criança possibilitam, em geral, melhores resultados para o desenvolvimento da função auditiva, da linguagem, da fala, do processo de aprendizagem e, consequentemente, a inclusão no mercado de trabalho e melhor qualidade de vida.1

São considerados neonatos ou lactentes com indicadores de risco para deficiência auditiva aqueles que apresentarem os seguintes fatores em suas histórias clínicas:1

• Preocupação dos pais com o desenvolvimento da criança, da audição, fala ou linguagem.

•Antecedente familiar de surdez permanente, com início desde a infância, sendo assim considerado como risco de hereditariedade. Os casos de consanguinidade devem ser incluídos neste item.

• Permanência na UTI por mais de cinco dias, ou a ocorrência de qualquer uma das seguintes condições, independente do tempo de permanência na UTI: ventilação extracorpórea; ventilação assistida; exposição a drogas ototóxicas como antibióticos aminoglicosídeos e/ou diuréticos de alça; hiperbilirrubinemia; anóxia perinatal grave; Apgar Neonatal de 0 a 4 no primeiro minuto, ou 0 a 6 no quinto minuto; peso ao nascer inferior a 1.500 gramas.

• Infecções congênitas (toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus, herpes, sífilis, HIV).

• Anomalias craniofaciais envolvendo orelha e osso temporal.

• Síndromes genéticas que usualmente expressam deficiência auditiva (como Waardenburg, Alport, Pendred, entre outras).

• Distúrbios neurodegenerativos (ataxia de Friedreich, síndrome de Charcot-Marie-Tooth).

• Infecções bacterianas ou virais pós-natais como citomegalovírus, herpes, sarampo, varicela e meningite.

• Traumatismo craniano.

• Quimioterapia.

Todos os recém-nascidos devem realizar a TAN e não apenas aqueles com indicador de risco para deficiência auditiva, uma vez que a deficiência auditiva pode ser encontrada em crianças com e sem indicadores de risco, na mesma proporção.1

Atributos da APS

A triagem auditiva neonatal é fundamental para detecção precoce de perdas auditivas e com isso favorece a instituição de terapêutica adequada a fim de minimizar os prejuízos futuros nas crianças. A equipe de saúde deve facilitar o acesso ao serviço de saúde para orientação das famílias quanto à necessidade de cumprir a triagem auditiva neonatal.

 

SOF Relacionada:

1. O que é e de quem é a responsabilidade da realização do teste da orelhinha?

 

 

Bibliografia Selecionada

1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Diretrizes de Atenção da Triagem Auditiva Neonatal. – Brasília: Ministério da Saúde, 2012. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_atencao_triagem_auditiva_neonatal.pdf
2. Joint Committee on Infant Hearing. Position statement: principles and guidelines for early hearing detection and intervention programs. Am J Audiol. 2000; 9(1):9-29. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/10943021
3. Comitê Brasileiro de Perda Auditiva na Infância. Recomendações n.01/99; 2000 do Comitê Brasileiro de Perda Auditiva na Infância. J Cons Fed Fonoaudiol. 2000; 5:3-7.
4. Rodrigues G R I, Barreiro C M L, et al. A triagem auditiva neonatal antecipa o diagnóstico e a intervenção em crianças com perda auditiva? Scielo; Audiol., Commun. Res. vol.20 no.3 São Paulo July/Sept. 2015. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2317-64312015000300246&lang=pt