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Qual a orientação atualizada quanto ao uso de creme dental fluoretado para bebês (0 a 36 meses)?

| 29 out 2014 | ID: sof-13917
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Há evidências favoráveis para o uso de creme dental fluoretado para bebês, na concentração convencional (não menos que 1.000 ppm), desde o nascimento do primeiro dente, em uma fina camada de pasta cobrindo menos de três quartos da escova, com duas escovações por dia e supervisão de pais/cuidadores.
A indicação do dentifrício quanto à concentração do flúor para crianças na primeira infância, de acordo com os estudos pesquisados (4), demonstram que:

  • Dentifrício com 1000ppm de flúor deve ser utilizado em crianças com o objetivo de prevenir a cárie;
  • A frequência do uso deve ser de duas vezes ao dia;
  • A quantidade usada deve ser pequena, um esfregaço para crianças abaixo de 2 anos e uma ervilha para crianças entre 2 a 5 anos;
  • A ingestão de dentifrício com flúor leva ao risco de fluorose. Este risco deve ser considerado em relação ao benefício na prevenção da cárie;|
  • Os pais/responsáveis devem ser instruídos quanto a necessidade do uso do dentifrício dependendo do risco de cárie, a frequência de escovação e a quantidade de dentifrício utilizado.

Em uma reportagem com experts (3) sobre o uso de flúor, fica claro que todas as pessoas que possuem, pelo menos, um dente na cavidade bucal devem utilizar dentifrício fluoretado de concentração convencional (1.000 a 1.500 ppm de flúor), uma vez que os benefícios superam os riscos.
Vale reforçar que, dentre todos os meios de utilização de fluoreto, o dentifrício fluoretado é o mais racional, uma vez que permite a associação da desorganização do biofilme dental, cujo acúmulo é necessário para o desenvolvimento de cárie, à exposição da cavidade bucal ao fluoreto. Assim, o uso do dentifrício fluoretado deve acontecer em qualquer idade, enquanto houver dentes, sendo supervisionado em crianças de pouca idade. Não há evidências que deem suporte ao uso de dentifrícios com baixo teor de flúor para crianças em fase pré-escolar. (2)
A Associação Brasileira de Odontopediatria corrobora para essa posição, e afirma que a partir do momento em que os dentes nascem já podem receber os benefícios do contato com o flúor (1).
De acordo com a Public Health England (5), há evidências que sugerem que a ação preventiva da escovação pode ser maximizada se os seguintes princípios forem seguidos: assim que os dentes decíduos irrompem na boca, a recomendação é escová-los, no mínimo, duas vezes ao dia com um creme dental fluoretado, contendo nada menos do que 1.000ppm de flúor, devendo essas duas vezes se dividirem em a última coisa a ser feita à noite e pelo menos uma outra vez a cada dia. É uma boa prática que crianças menores de três anos usem apenas uma mancha de creme dental (uma fina camada de pasta cobrindo menos de três quartos da escova) e não deve ser permitido comer ou lamber creme dental do tubo. Aconselha-se que a escovação aconteça sob a supervisão de adultos e respeitando essa quantidade.

Atributos da APS:

A garantia da integralidade do cuidado passa pela prestação de serviços, pela equipe, que atendam às necessidades de promoção, prevenção cura e reabilitação. Neste caso, ações de educação em saúde bucal podem atuar na prevenção de cárie em bebês, trabalhando com pais/cuidadores e locais como centros de educação infantil, estabelecendo uma relação mútua de confiança, de forma humanizada, produzindo saúde (longitudinalidade)(10).

Responsabilidade: Adélia Delfina da Motta Silva Correia, Equipe do Núcleo Técnico-Científico de Telessaúde de Mato Grosso do Sul

Bibliografia Selecionada

  1. ABO-ODONTOPEDIATRIA. Associação Brasileira de Odontopediatria. Flúor – a partir de qual idade utilizar. Disponível em: http://abodontopediatria.org.br/Fluor_partir_de_qual_idade_utilizar.pdf. Acesso em: 29 out 2014.
  2. CURY, J. A. ; TENUTA, L. M. A. Evidências para o uso de fluoretos em Odontologia. Odontologia Baseada em Evidências, São Paulo, v. 2, n. 4,p. 1-18, jan. 2010. Disponível em: http://www.abo.org.br/noticias-online/noticia114.php Acesso em: 29 out 2014.
  3. FRANÇA, S. Dentifrícios fluoretados: equilíbrio entre benefícios e riscos. Rev Assoc Paul Cir Dent, São Paulo, v. 66, n. 1, p. 6-11, jan./fev./mar. 2012. Disponível em: http://disciplinas.stoa.usp.br/pluginfile.php/42849/mod_resource/content/1/materia%20fluor%20apcd%20%281%29.pdf Acesso em: 29 out 2014.
  4. GOMES, A. P. M.; MULLER, C. E. ; SARMENTO, L. C.; LOPES, S. O. ; GOMES A.M. M.   Qual dentifrício indicar para crianças na primeira infância? 2012. Disponível em: http://www.abodontopediatria.org.br/QUALDENTIFRiCIOINDICARPARACRIANcASNAPRIMEIRAINFaNCIA.pdf. Acesso em: 29 out 2014.
  5. PUBLIC HEALTH ENGLAND. DEPARTMENT OF HEALTH. Delivering better oral health: an evidence-based toolkit for prevention. 3. ed. London: PHE, 2014. 99 p.