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Qual a recomendação nutricional em casos de hipertensão gestacional?

| 24 mar 2017 | ID: sof-36326
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Em casos de hipertensão gestacional (caracterizada pela ocorrência de hipertensão arterial após a 20ª semana sem a presença de proteinúria), a conduta indicada é semelhante àquela para casos de pré-eclâmpsia (PE) leve, tomando-se o cuidado com os picos hipertensivos (D): repouso compulsório com restrição de exercícios físicos exagerados; evitar ganho excessivo de peso materno; proibir álcool e tabagismo; consultas quinzenais com avaliação laboratorial; rastrear crescimento fetal restrito; diagnóstico do bem-estar fetal; e, parto acompanhando as indicações obstétricas, com indicação eletiva no termo1. A Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial indica que, na prevenção de pré-eclâmpsia, não há estratégia inequivocamente efetiva para todas as gestantes2. Não se recomenda suplementação de cálcio (> 1g ao dia) para gestantes com ingestão normal desse micronutriente, e sim para aquelas com baixa ingestão de cálcio e em risco moderado e aumentado de PE2. A suplementação de cálcio (> 1g/d) é associada com redução do risco de PE, prematuridade e mais baixo risco de morte relacionada à hipertensão gestacional, particularmente em mulheres com dieta baixa em cálcio2. Há indicação do aumento da ingestão diária de Ca (pelo menos 1g ao dia) para toda a população de gestantes, particularmente as hipertensas crônicas, através da dieta3.

Em relação a outras medidas nutricionais para tratamento de pessoas com hipertensão arterial sistêmica (HAS), é necessária a adoção de um plano alimentar saudável e sustentável, com foco na análise do padrão alimentar global ao invés de destacar um nutriente ou alimento específico2. A alimentação hipossódica é considerada de difícil adesão pela maioria das pessoas submetidas a esta recomendação3 e a utilização de dietas radicais resulta em abandono do tratamento2. Dessa forma, deve ser indicada a pessoas com insuficiência renal, cardíaca ou hipertensão grave refratária3. Em outras situações na gestação, especialmente entre hipertensas leves e moderadas, não existem evidências consistentes que garantam benefícios, seja em termos de prevenção ou tratamento de síndromes hipertensivas. Assim, recomenda-se na rotina que o consumo de sal seja individualizado, preconizando-se utilizar menor quantidade na adição aos alimentos de maneira que não comprometa o sabor, retirar o saleiro de mesa e não ingerir produtos industrializados processados (como enlatados, embutidos, conservas, molhos prontos, caldos prontos, temperos prontos, defumados, bebidas isotônicas)3,4. De maneira geral, em casos de hipertensão, dietas ricas em potássio devem ser incentivadas, não sendo necessária a suplementação deste micronutriente4. Para a definição da conduta a ser tomada, é indicada discussão de caso entre a equipe de Saúde da Família e, sempre que necessário, com os profissionais do Núcleo de Apoio à Saúde da Família. Uma avaliação clínica completa e bem realizada permite o adequado estabelecimento das condições clínicas e a correta valorização de agravos que possam estar presentes desde o início do acompanhamento5. Dessa forma, poderá ser definida a conduta conjuntamente e, se necessário, a identificação de outros pontos de atenção que devam ser acionados para oferecer o melhor cuidado possível à usuária, promovendo a integralidade da atenção e buscando a resolubilidade desejada.

Bibliografia Selecionada

  1. Vasconcelos MJA, Almeida MVL, Kahhale S, Peraçoli JC, Sass N, Ramos JG. Projeto Diretrizes: Hipertensão na gravidez. 2002. Disponível em http://diretrizes.amb.org.br/_BibliotecaAntiga/hipertensao-na-gravidez.pdf [acesso em 11 janeiro 2017].
  2. Sociedade Brasileira de Cardiologia. 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 102, n. 3, 2016. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/abc/v107n3s3/0066-782X-abc-107-03-s3-0025.pdf [acesso em 11 janeiro 2017].
  3. Universidade Federal do Estado de São Paulo. Hipertensão arterial e nefropatias na gestação: diretrizes e rotinas assistenciais. 2 ed. São Paulo: UNIFESP; 2007. Disponível em  http://www.hipertensaonagravidez.unifesp.br/download/manual_HA07.pdf [acesso em 11 janeiro 2017].
  4. Costa RP, Silvia CC. Doenças cardiovasculares. In: Cuppari L. Nutrição: nutrição clínica no adulto. 2 ed. Barueri: Manole; 2005. p. 287-312.
  5. Brasil. Ministério da Saúde. Gestação de alto risco: manual técnico. 5 ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2010. Disponível em http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/gestacao_alto_risco.pdf [acesso em 11 janeiro 2017].