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Qual a relação existente entre tuberculose, alcoolismo e carência alimentar?

| 01 nov 2016 | ID: sof-35671
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As bibliográficas consultadas apontam para o aumento da vulnerabilidade à tuberculose relacionada a fatores como alcoolismo e carência alimentar. (1,2,3,4,5)  O alcoolismo crônico é considerado importante fator de risco para o desenvolvimento da tuberculose, visto que há alta incidência de casos e de formas mais avançadas de tuberculose pulmonar entre esses pacientes. O abandono do tratamento e o risco de desenvolvimento de efeitos colaterais aos medicamentos antituberculose pelos alcoolistas são maiores quando comparados aos não-alcoolistas. Isso determina algumas ações específicas no Programa de Controle da Tuberculose, como a indicação do Tratamento Diretamente Observado (TDO) a esses pacientes. (2)  Quanto à carência alimentar, dietas com baixo valor proteico relacionam-se a alterações na função imunológica mediada por células T, tornando o organismo mais suscetível à infecção por Mycobacterium tuberculosis e ao desenvolvimento da doença. (1)

COMPLEMENTAÇÃO
Posição socioeconômica desfavorável (pobreza), sexo masculino, idade adulta, comorbidade de tuberculose e Aids, diabetes, alcoolismo, dependência química, tabagismo, má nutrição e barreiras de acesso aos serviços de saúde têm sido associados à tuberculose na literatura científica. O reconhecimento dos fatores associados à ocorrência de tuberculose expõe a complexidade do problema e a necessidade de estabelecerem-se novas estratégias para o seu enfrentamento. (6)
O alcoolismo exerce influência sobre o prognóstico e o tratamento da tuberculose (TB), visto que há alta incidência de casos e de formas mais avançadas de TB pulmonar entre pacientes alcoolistas. O problema deve ser tratado na comunidade e, também, mais considerado pela equipe de saúde que trabalha diretamente com doentes de TB, buscando encontrar meios precisos de identificar esses pacientes e oferecer tratamento concomitante ao uso ou abuso de álcool. (7)
Os alcoolistas apresentaram probabilidade quase quatro vezes maior de abandonar o tratamento. A sensação de recuperação de saúde, o uso da bebida alcoólica ou drogas e o desconforto do tratamento – incluindo efeitos adversos – são motivos para o abandono do tratamento, segundo a percepção de alguns pacientes. Detectar o consumo de álcool, ou sua dependência, durante o tratamento da TB, é importante para evitar possíveis complicações ao usuário do Programa de Controle da Tuberculose – PCT. (7)
O paciente com dependência a algumas substâncias é um desafio difícil. O tratamento para a dependência deve ser oferecido se possível. Deve ser encorajada a completa abstinência ao álcool ou aos medicamentos. Contudo, o uso de álcool ou medicamentos não é uma contraindicação absoluta para o tratamento. Se o tratamento for repetidamente interrompido devido ao abuso de substâncias do paciente, o tratamento da TB-MDR deve ser suspenso até que o tratamento do problema de adição seja um êxito. O TDO dá ao paciente o contato e apoio dos trabalhadores de saúde que muitas vezes ajuda na redução da dependência a substâncias. (8)

ATRIBUTOS
A prevenção de doenças é um fator muito importante para a não disseminação da doença e aumento da taxa de cura, sendo o diagnóstico precoce e o seguimento adequado do tratamento os principais fatores para tal fato. Assim, a acessibilidade a serviços de saúde deve ser valorizado. O acompanhamento da equipe multiprofissional no controle da TB é de extrema importância, pois contribui para a criação de vínculo e acessibilidade para o doente, ajudando na redução da doença. (9)
O alcoolismo é um conhecido fator de risco para os desfechos desfavoráveis da tuberculose, e esforços para uma abordagem multidisciplinar nesses casos devem ser empreendidos para contornar as dificuldades de adesão e tolerância desses pacientes. (9)

EDUCAÇÃO PERMANENTE
A detecção precoce de casos de TB, sobretudo dos bacilíferos, e a instituição rápida de terapia efetiva são consideradas como ações fundamentais para o controle da TB. O tratamento reduz rapidamente o número de organismos infecciosos transmitidos pelo paciente, e assim previne a transmissão a indivíduos susceptíveis e a ocorrência de casos secundários. Em outras palavras, reduz o número de pacientes com TB na comunidade através da cura dos casos prevalentes. A quimioterapia adequada também reduz a mortalidade por TB e diminui a prevalência de doença resistente às drogas. (10)

Bibliografia Selecionada

  1. San Pedro A, Oliveira RM. Tuberculose e indicadores socioeconômicos: revisão sistemática da literatura. Rev Panam Salud Publica. 2013;33(4):294–301. Disponível em:http://www.scielosp.org/pdf/rpsp/v33n4/a09v33n4.pdf
  2. Andrade, Rubia Laine de Paula, Villa, Tereza Cristina Scatena, & Pillon, Sandra. (2005). A influência do alcoolismo no prognóstico e tratamento da tuberculose. SMAD. Revista eletrônica saúde mental álcool e drogas, 1(1). Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1806-69762005000100008&lng=pt&tlng=pt
  3. Lönnroth, K., Williams, B. G., Stadlin, S., Jaramillo, E., & Dye, C. (2008). Alcohol use as a risk factor for tuberculosis – a systematic review. BMC Public Health8, 289. http://doi.org/10.1186/1471-2458-8-289. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2533327/pdf/1471-2458-8-289.pdf
  4. Rehm, J., Samokhvalov, A. V., Neuman, M. G., Room, R., Parry, C., Lönnroth, K., … Popova, S. (2009). The association between alcohol use, alcohol use disorders and tuberculosis (TB). A systematic review. BMC Public Health9, 450. http://doi.org/10.1186/1471-2458-9-450.
    Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2796667/pdf/1471-2458-9-450.pdf
  5. Przybylski, G., Dąbrowska, A., & Trzcińska, H. (2014). Alcoholism and other socio-demographic risk factors for adverse TB-drug reactions and unsuccessful tuberculosis treatment – data from ten years’ observation at the Regional Centre of Pulmonology, Bydgoszcz, Poland. Medical Science Monitor : International Medical Journal of Experimental and Clinical Research,20, 444–453. http://doi.org/10.12659/MSM.890012. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3965286/pdf/medscimonit-20-444.pdf
  6. Pinheiro, Rejane Sobrino,Oliveira, Gisele Pinto de,Oliveira, Evangelina Xavier Gouveia,Melo, Enirtes Caetano Prates,Coeli, Cláudia Medina,Carvalho, Marilia Sá (2013) Determinantes sociais e autorrelato de tuberculose nas regiões metropolitanas conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, Brasil. Rev Panam Salud Publica;34(6) 446-451,dez. 2013. Retrieved from http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1020-49892013001200011
  7.  Silva, C. B. D., Lafaiete, R. D. S., & Donato, M. (2011). O consumo de álcool durante o tratamento da tuberculose: percepção dos pacientes. SMAD. Revista eletrônica saúde mental álcool e drogas, 7(1), 10-17. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1806-69762011000100003
  8. Brasil. Ministério da Saúde – Programa Nacional de Controlo da Tuberculose. Manual de Diagnóstico e Tratamento de Tuberculose Resistente e Multi-Droga Resistente. 2009. Disponível em: http://www.who.int/hiv/pub/guidelines/mozambique_tb2.pdf
  9. Orofino R L, Et al. Preditores dos desfechos do tratamento da tuberculose. J. bras. Pneumol. Vol.38 no.1 São Paulo Jan./Feb. 2012. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1806-37132012000100013
  10. Brasil. Ministério da Saúde Departamento de Gestão e Incorporação de Tecnologias em Saúde da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos – DGITS/SCTIE. Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (CONITEC) – Relatório n° 49. PROPOSTA DE INCORPORAÇÃO DO XPERT MTB/RIF COMO TESTE PARA DIAGNÓSTICO DE TUBERCULOSE E PARA INDICAÇÃO DE RESISTÊNCIA ÀRIFAMPICINA. Disponível em: http://www.fundacaoataulphodepaiva.com.br/wp-content/uploads/2013/03/Relatorio-XpertMTBRIF-CP5.pdf