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Qual conduta adotar em pacientes com Xerostomia?

| 01 ago 2016 | ID: sof-31817
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Em pacientes com xerostomia deve-se realizar a estimulação do fluxo salivar e a substituição de secreções salivares  com estimulantes tópicos, saliva artificial e sialogogos1. Ademais, o paciente deve ter o acompanhamento odontológico de pelo menos seis em seis meses para o controle de placa bacteriana e estímulo à higiene bucal (escovação e uso do fio dental), para minimizar, assim, o risco de desenvolvimento de cárie dentária1.
Os estimulantes tópicos consistem em chupar balas, pastilhas e gomas de mascar sem adição de açúcar e consumir frutas secas que estimulem o fluxo salivar1,2. A saliva artificial tenta imitar as propriedades protetoras da saliva humana natural e é indicada para pacientes que com a estimulação tópica e ingestão contínua de água não apresentem melhoras na secura bucal1,2. A medicação é encontrada nas formas de pulverização, géis, líquidos para bochecho e pastilhas disponíveis sem a necessidade de receitas médicas. É aconselhável que o paciente utilize agentes distintos ao longo do dia para lubrificar a mucosa, principalmente em momentos de conversação, antes da alimentação e antes de dormir. O produto deve ser aplicado em toda mucosa bucal, incluindo o palato duro2. Os sialogogos são medicações que estimulam a salivação através do sistema nervoso parassimpático2 como a pilocarpina ou cevimelina que são indicados para pacientes que não apresentam melhoras no quadro utilizando estimulantes tópicos e saliva artificial2,3. A pilocarpina é uma droga utilizada para o tratamento sistemático de xerostomia em pacientes que realizam tratamento de radioterapia em região de cabeça e pescoço (Salagen® dosagem: 5mg – 3x/dia) e em pacientes com Síndrome de Sjӧgren (Salagen® dosagem: 5mg – 4x/dia)4. Já a cevimelina é mais indicada para pacientes com a Síndrome de Sjӧgren (Evoxac dosagem: 30mg – 3x/dia)5.

Complementação:
A sensação de boca seca é comum, porém, quando essa condição passa a ser diária, pode levar a problemas sérios de saúde ou indicar a existência de uma doença mais grave6. A xerostomia é a sensação crônica e subjetiva de boca seca que ocorre principalmente em pacientes com hipofunção da glândula salivar reduzindo o fluxo salivar ou alterações bioquímicas salivares que podem ser provocadas por medicação induzida, radioterapia de cabeça e pescoço e algumas condições sistêmicas que causam complicações como cárie dentária, doenças periodontais, halitose, cálculos da glândula salivar, candidíase oral, sensação de queimação oral, disgeusia, disfagia, desconforto na mastigação e fala1,2,3,6.
Pacientes que utilizam medicações como antidepressivos, inibidores seletivos de recaptação (SSRIs) especialmente combinados com benzodiazepinas, diuréticos, anti-hipertensivos, inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), hipoglicemiantes orais, ácido acetilsalicílico (AAS) e suplementos férricos estão associados à xerostomia6.
Dentre os fatores etiológicos associados à xerostomia, se destacam o envelhecimento, pois, pacientes idosos fazem uso de inúmeras medicações que podem levar a hipofunção glandular e já possuem uma redução salivar característica da idade; pacientes em tratamento quimioterápico ou radioterápico podem danificar as glândulas salivares e alterar a composição salivar; efeitos colaterais de certas doenças e infecções como a Síndrome de Sjӧgren, o HIV / SIDA, doença de Alzheimer, diabetes, anemia, artrite reumatoide e hipertensão6.
A avaliação do fluxo salivar, sialometria, é um teste de rastreamento no diagnóstico de uma doença, o profissional pode escolher uma técnica envolvendo a coleta da saliva total ou de uma glândula específica, além da amostra poder ser obtida com ou sem estímulo. Quando da amostra obtida sem estímulo, pode-se realizar a drenagem ativa, onde o paciente acumula na boca a saliva e periodicamente expele em um recipiente por um período de cinco minutos. As taxas de fluxo de saliva total (ml/min) sem estímulo são consideradas muito baixa (<0,1), baixa (0,1-0,25) e normal (>0,25), já nos casos de coleta com estímulo as taxas são consideradas muito baixa (<0,7), baixa (0,7-1,0) e normal (>1,0)7.
A Síndrome de Sjӧgren possui como característica clínica a presença de xerostomia e secura nos olhos, é uma doença autoimune que promove inflamação nas glândulas lacrimais e salivares6,8. Todo paciente portador da Síndrome de Sjӧgren deve, independente de sua gravidade e sintomas, realizar a prevenção de secura, a estimulação tópica de secreções e profilaxia dentária1.

Atributos da APS
A xerostomia geralmente está associada a condições sistêmicas e ao uso de certos medicamentos, assim, deve-se garantir ao paciente um tratamento integral e a continuidade da atenção nos distintos níveis de complexidade do sistema de serviços de saúde.

Bibliografia Selecionada

  1. Baer NA. Treatment of dry mouth and other non-ocular sicca symptoms in Sjӧgren’s syndrome. UptoDate [Internet]. [citado 2016 Jun 9]. Disponível em: http://www.uptodate.com/contents/treatment-of-dry-mouth-and-other-non-ocular-sicca-symptoms-in-sjogrens-syndrome
  2. Dost F, Farah CS. Stimulating the discussion on saliva substitutes: a clinical perspective. Australian Dental Journal. 2013; 58(1):11-7. Disponível em: http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/adj.12023/pdf
  3. Hong-Seop KHO. Understanding of xerostomia and strategies for the development of artificial saliva.Chin J Dent Res. 2014; 17(2):75-83. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25531014
  4. UptoDate [Internet]. Pilocarpine. [citado 2016 Jun 9]. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/treatment-of-systemic-and-extraglandular-manifestations-of-sjogrens-syndrome?source=search_result&search=Pilocarpine&selectedTitle=11%7E29
  5. UptoDate [Internet]. Cevimeline: Drug information. [citado 2016 Jun 9]. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/search?source=RELATED_SEARCH&search=Cevimeline
  6. Altamimi MA. Update knowledge of dry mouth – A guideline for dentists. Afr Health Sci. 2014; 14(3):736-42. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4209628/
  7. Falcão DP, Mota LMH, Pires AL, Bezerra ACB. Sialometria: aspectos de interesse clínico. Rev Bras Reumatol. 2013; 53(6):525-31. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0482-50042013000600011
  8. Hackett KL, Deane KH, Strassheim V, Deary V, Rapley T, Newton JL et al. A systematic review of non-pharmacological interventions for primary Sjögren’s syndrome. Rheumatology (Oxford). 2015; 54(11):2025-32. Disponível em: http://rheumatology.oxfordjournals.org/content/early/2015/06/30/rheumatology.kev227.full.pdf+html