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Qual é o perfil de resistência antimicrobiana ambulatorial às fluoroquinolonas em casos de cistite não complicada causada por Escherichia coli no Brasil?

| 10 jul 2018 | ID: sof-23892
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Há carência de estudos de qualidade aplicáveis à Atenção Primária à Saúde sobre o tema no Brasil. Os principais estudos utilizam amostras de urina de pacientes atendidos em serviços de média e alta complexidade, o que pode introduzir importantes vieses no trabalho, prejudicando o grau de generalização dos resultados para os pacientes atendidos em Unidades Básicas de Saúde.

Em linhas gerais, estes estudos brasileiros mostram que o perfil de suscetibilidade da E. coli às fluoroquinolonas (norfloxaxina, ciprofloxacina e levofloxacina) é favorável (<20%), embora a resistência da bactéria a esses antibióticos tenha crescido nos últimos anos, o que merece atenção de profissionais de saúde e gestores(1,2,3). Desta forma, é importante que o profissional de saúde esteja atento, pois há pesquisas que demonstram uma taxa de resistência da E. coli às fluoroquinolonas superior a 20% a depender do cenário do estudo(³).
Miranda et al.(3) encontraram uma taxa de resistência antimicrobiana global (não delimitada à E. coli como causa da ITU não complicada) às fluoroquinolonas de 12% em pacientes com infecção urinária não complicada atendidos na emergência de um hospital universitário, sendo que dados de 2005 e 2011 mostram as seguintes sensibilidades da E. coli: à norfloxacina, de 92.7% para 85.7%; à ciprofloxacina, de 92.9% para 84.9%; e à levofloxacina, mantidas em 100% nos dois momentos avaliados.
Os resultados de sensibilidade global às quinolonas no estudo de Miranda et al.(3) mostram que: à norfloxacina, variou de 91.3% para 75.6% de 2005 para 2011; à ciprofloxacina, de 90.1% para 83.4%; à levofloxacina, não houve variações, mantendo-se em 100%; e ao ácido nalidixico, de 88.7% para 78.1%.
Quadro semelhante pode ser visto em termos internacionais, sendo que até recentemente a sensibilidade da E. coli às fluoroquinolonas era superior a 90% em grande parte dos territórios da América do Norte e Europa, o que vem mudando no decorrer do tempo(4,5).
Desta forma, o uso da fluoroquinolonas em casos de infecção urinária não complicada deve ser feito com cautela, respeitando o perfil de resistência aos antimicrobianos locais6.
Atributos da APS
É fundamental para o sucesso do tratamento que o diagnóstico correto seja associado ao emprego racional dos antibióticos. Assim previne-se o aumento da resistência bacteriana e diminuem-se os gastos para o paciente e para os serviços de saúde. Portanto, o monitoramento da resistência e da sensibilidade dos patógenos pode evitar o erro terapêutico e o desenvolvimento de multirresistência bacteriana.

Bibliografia Selecionada

1. Oplustil CP et al. Multicenter evaluation of resistance patterns of Klebsiella pneumoniae, Escherichia coli, Salmonella spp and Shigella spp isolated from clinical specimens in Brazil: RESISTNET Surveillance Program. Braz J Infect Dis. 2001 Feb;5(1):8-12. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/bjid/v5n1/a02v05n1.pdf
2. Rocha JL, Tuon FF, Johnson JR. Sex, drugs, bugs, and age: rational selection of empirical therapy for outpatient urinary tract infection in an era of extensive antimicrobial resistance. Braz J Infect Dis. 2012 Mar-Apr;16(2):115-21. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/bjid/v16n2/v16n2a02.pdf
3. Miranda EJ et al. Susceptibility to antibiotics in urinary tract infections in a secondary care setting from 2005-2006 and 2010-2011, in São Paulo, Brazil: data from 11,943 urine cultures. Rev Inst Med Trop Sao Paulo. 2014 Jul-Aug;56(4):313-24. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rimtsp/v56n4/0036-4665-rimtsp-56-04-313.pdf
4. Sanchez GV, Master RN, Karlowsky JA, Bordon JM. In vitro antimicrobial resistance of urinary Escherichia coli isolates among U.S. outpatients from 2000 to 2010. Antimicrob Agents Chemother. 2012 Apr;56(4):2181-3. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3318377/
5. Naber KG, Schito G, Botto H, Palou J, Mazzei T. Surveillance study in Europe and Brazil on clinical aspects and Antimicrobial Resistance Epidemiology in Females with Cystitis (ARESC): implications for empiric therapy. Eur Urol. 2008;54(5):1164. Disponível em: https://www.europeanurology.com/article/S0302-2838(08)00620-9/pdf
6. Barros E et al. Infecção do trato urinário. Duncan BB et al., orgs. Medicina Ambulatorial: condutas de atenção primária baseadas em evidências. 4. ed. Porto Alegre: Artmed; 2013.