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Qual o curativo ideal nos casos de Erisipela bolhosa ?

| 09 nov 2017 | ID: sof-37130
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Nas formas de erisipela bolhosa a evolução pode ser mais lenta, sendo necessário, em média, 20 dias para a completa repitelização ser atingida (1). Nos casos em que a ferida apresente exsudato (nenhum ou baixo), utilizar umidificantes (hidrocolóide, hidrogel). Para os casos de feridas secas ou exsudativas utilizar desbridantes (papaína 6 a 4% esfacelo; 2% tecido de granulação). E para casos de tecido desvitalizado utilizar colagenase fibrase.(2).

É importante proceder com técnica de irrigação em todas as trocas de curativo, auxiliando na remoção de tecidos desvitalizados, reduzindo a carga bacteriana, promovendo a limpeza e melhorando a visualização do leito da ferida. Não está indicado secar ou esfregar o leito da lesão após a irrigação, deve secar apenas a área perilesional (2).
A erisipela é uma infecção da derme e epiderme com importante comprometimento do plexo linfático subjacente, cujo principal agente etiológico é Streptococcus beta hemolítico do grupo A de Lancefield ou, eventualmente, dos grupos B, C e G (3). Em mais de 80% dos casos situa-se nos membros inferiores e são fatores predisponentes a existência de solução de continuidade na pele, o linfedema crónico e a obesidade (1). Caracteriza-se por placas eritematosas acompanhadas de dor e edema, podendo dar à pele um aspecto de casca de laranja. As lesões expandem-se perifericamente, tornam-se quentes e com limite demarcado (3). No entanto pode ocorrer em qualquer faixa etária, e o pico se dá entre 60 e 80 anos. Os locais mais acometidos são os membros inferiores, seguidos da face e membros superiores. Contudo é mais frequente em pacientes do sexo feminino, sendo observada na maioria dos casos uma porta de entrada bem definida, como úlceras, traumas, micoses superficiais, picadas de inseto e feridas maltratadas (4).
As complicações da erisipela, dividem-se em precoces, observadas à data do diagnóstico, e tardias, do tipo recidiva ou sequelas. As complicações precoces são raras e a nível local destacam-se o abcesso e/ou necrose (3-12%), cujo reconhecimento é importante por requerer frequentemente tratamento cirúrgico, e a trombose venosa profunda que, embora rara (2-7,8%), deve ser considerada quando a resposta à antibioterapia não for favorável. Estima-se que a insuficiente duração da antibioticoterapia é responsável pela recidiva em 65% dos casos (1).
O tratamento é composto por orientações e medicação sistêmica, feito com antibiótico terapia oral (ou intramuscular) e, se necessário, sintomáticos (analgésicos) (4). Com a instituição de terapêutica adequada à evolução de uma erisipela é geralmente favorável (80%), observando-se apirexia nas 48-72h após início da antibioterapia, seguida pela melhoria progressiva dos sinais locais (geralmente entre 4º e 6º dia) e resolução completa em duas semanas (1). Se o comprometimento do estado geral for importante ou se houver alguma comorbidade grave, o paciente pode necessitar de hospitalização (4).
Considerando-se a atual epidemia de obesidade que afeta inúmeros países, é cada vez mais importante conhecer melhor os determinantes do comportamento alimentar, bem como os meios que favorecem a adoção de práticas alimentares e estilos de vida saudáveis (5). Existem vários tipos de dietas (dieta balanceada, dieta rica em gordura e pobre em carboidrato, dieta pobre em gordura) e todas podem ser benéficas se forem adequadas individualmente (5).
O uso de intervenções múltiplas envolvendo estratégias combinadas e farmacoterapia, quando indicado, é recomendado. Tem se debatido sobre o nível de intervenção desejável sobre a pessoa com sobrepeso. A posição de orientar todas as pessoas e tratar mais intensivamente aquelas com fatores de risco tem sido a mais expressa nos consensos (5).

Atributos da APS
As práticas educativas em saúde e nutrição devem ter como eixos centrais a promoção de saúde, compreendida como promoção da qualidade de vida e da cidadania, e o incentivo à adoção de padrões alimentares sustentáveis e que preservem a saúde, a cultura, o prazer de comer, a vida, os recursos naturais e a dignidade humana (integralidade, coordenação de cuidados) (6). Sendo de suma importância a equipe de saúde orientar sobre frequência à recorrência dos episódios de erisipela, e na maioria das vezes isso ocorre por falta de higiene cuidadosa do paciente, não tratamento das micoses interdigitais ou predisposição imunológica à afecção. Nos casos de recidiva, deve ser pesquisada e eliminada a infecção secundária por Staphlilococcus aureus (4).

Bibliografia Selecionada

1. Caetano M. Erisipela. Acta Med Port 2005; 18: 385-394. Disponível em: http://actamedicaportuguesa.com/revista/index.php/amp/article/view/1040/708
2. Núcleo de Telessaúde Rio Grande do Sul. Telecondutas-Lesão por Pressão. Versão Digital 2017. Disponível em: https://www.ufrgs.br/telessauders/documentos/telecondutas/tc_lesaopressao.pdf
3. Braga LBF, Thompson NR, Gadelha BQ, Veloso ARA, Hoerlle MO, Coelho VMA, et al. Relato de Caso Miíase associada a erisipela bolhosa. Rev. patol. trop. 2011 Jul-Set; 40(3): 271-276 Disponível em: https://www.revistas.ufg.br/iptsp/article/view/15978/9828
4. Bernardes CHA, Augusto JCA, Lopes LTC, Cardoso KT, Santos JR, Santos LM. Experiência clínica na avaliação de 284 casos de erisipela. An. Bras. Dermatol. [Internet]. 2002 Oct [cited 2017 Nov 09] ; 77( 5 ): 605-609. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0365-05962002000500011&lng=en&nrm=iso/&tlng=pt
5. Obesidade In: Gusso G, Lopes JMC. Tratado de Medicina de família e comunidade: princípios, formação e prática. 2 v Porto Alegre: Artmed, 2012. cap. 160, p.1417-1427.
6. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Estratégias para o cuidado da pessoa com doença crônica : obesidade – Brasília : Ministério da Saúde, 2014. 212 p. : il. – (Cadernos de Atenção Básica, n. 38). Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/estrategias_cuidado_doenca_cronica_obesidade_cab38.pdf