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Qual o esquema terapêutico e perfil dos fármacos que estão sendo usado atualmente na estratégia da saúde família para o tratamento da Leishmaniose?

| 29 mar 2018 | ID: sof-37578
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As leishmanioses (Tegumentar Americana e Visceral) são antropozoonoses consideradas um grande problema de saúde pública e representam um complexo de doenças com importante espectro clinico e diversidade epidemiológica. A Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA) é uma afecção dermatológica que acomete pele e mucosas.(1)

O esquema terapêutico preconizado pelo Ministério da Saúde para as diversas formas clínicas de LTA:(1)
Nas formas cutâneas localizada e disseminada:
O antimoniato de N-metilglucamina cuja dose recomendada varia entre 10 e 20mg Sb+5/kg/dia, sugere-se 15mg Sb+5/kg/dia tanto para adultos quanto para crianças durante 20 dias seguidos. Apresenta-se comercialmente em frascos de 5mL, correspondendo a 405mg de antimonial pentavalente ( Sb+5), assim cada mL contem 81mg de Sb+5. Se a dose prescrita for 15mg Sb+5/kg/dia, o cálculo da dose para um paciente com 60 Kg: 15 x 60 = 900mg Sb+5/dia÷81 = 11,1mL. Nunca deve ser utilizada dose superior a três ampolas/dia ou 15mL/dia para o adulto. As injeções devem ser feitas por via parenteral (intramuscular ou endovenosa), com repouso físico após a aplicação. Como a via intramuscular pode apresentar o inconveniente da dor local, a via endovenosa é preferível. A aplicação deve ser lenta (duração mínima de 5 minutos). O principal efeito adverso do Sb+5 é decorrente de sua ação sobre o aparelho cardiovascular. Deve-se realizar eletrocardiograma semanal e uma cuidadosa ausculta cardíaca diária antes de cada infusão, com o objetivo de detectar arritmias. Não deve ser administrado em gestantes.
b) Na forma difusa:
A dose é de 20mg Sb+5/kg/dia, durante 20 dias seguidos.
c) No acometimento mucoso:
A dose recomendada e de 20mg Sb+5/kg/dia, durante 30 dias seguidos, de preferência em ambiente hospitalar. Em todos os casos, se não houver cicatrização completa em até três meses (12 semanas) após o término do tratamento, o paciente deverá ser reavaliado. Caso haja necessidade, o esquema terapêutico deverá ser repetido, prolongando-se, desta vez, a duração para 30 dias. Em caso de não resposta, utilizar um dos medicamentos de segunda escolha.(1) As lesões cutâneas ulceradas podem sofrer contaminação secundária, assim cuidados locais como limpeza com água e sabão e, se possível, compressa com permanganato de potássio na diluição de 1/5.000.(1)
Os medicamentos de segunda escolha são a anfotericina B e as pentamidinas.(1) A dose recomendada é a desoxicolato de Anfotericina B 1mg/kg/dia, diariamente ou em dias alternados (máximo de 50mg/dia), até atingir a dose total de 1 a 1,5g.(2) É contraindicada a administração em cardiopatas, hepatopatas e nefropatas. Deve-se fazer monitoramento semanal eletrocardiográfico e laboratorial das enzimas hepáticas (transaminases e fosfatase alcalina), função renal (uréia e creatinina) e potássio sérico.(1)
A pentamidina é recomendada na dose de 4mg/kg/dia, por via intramuscular profunda, de dois em dois dias, recomendando-se não ultrapassar a dose total de 2g. É recomendável o acompanhamento clínico e a reavaliação de exame bioquímico para a avaliação das funções renal (ureia e creatinina) e hepática (transaminases, bilirrubinas e fosfatase alcalina), bem como dosagem da glicemia e acompanhamento eletrocardiográfico antes, durante e no final do tratamento. É contraindicada em caso de gestação, diabetes mellitus, insuficiência renal, insuficiência hepática, doenças cardíacas e em crianças com peso inferior a 8Kg.(1)
O tratamento de leishmaniose visceral (LV) engloba terapêutica específica, em serviços de referência, e medidas adicionais como hidratação, antitérmicos, antibióticos, hemoterapia e suporte nutricional. Os medicamentos específicos para o tratamento da LV são o antimoniato pentavalente e a anfotericina B. A escolha de cada um deles deverá considerar a faixa etária, presença de gravidez e comorbidades.(3)
A primeira escolha é o antimonial pentavalente cuja dose recomendada é de 20mg/Kg/dia de Sb+5, durante 20 dias, podendo chegar a 30 dias e, no máximo, 40 dias, utilizando o limite máximo de 3 ampolas/dia.(4)
A anfotericina B lipossomal é recomendada em pacientes com insuficiência na dose de 3 mg/kg/dia, durante sete dias, ou 4 mg/kg/dia, durante cinco dias em infusão venosa, em uma dose diária.(3)
A desoxicolato de anfotericina B é recomendado na dose 1 mg/kg/dia por infusão venosa, durante 14 a 20 dias. A dose máxima diária de 50 mg. É contraindicada em caso de insuficiência renal.(3) A administração deve ser lenta, a fim de evitar efeitos adversos relacionados à infusão, em um esquema de internação.

Bibliografia Selecionada

1. Brasil. Ministério da Saúde. Manual de Vigilância da Leishmaniose Tegumentar Americana. 2. ed. Brasília : Editora do Ministério da Saúde, 2007. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_vigilancia_leishmaniose_2ed.pdf
2. Brasil. Ministério da Saúde. Doenças infecciosas e parasitárias: guia de bolso. 8. ed. rev. Brasília : Ministério da Saúde, 2010. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/doencas_infecciosas_parasitaria_guia_bolso.pdf
3. Brasil. Leishmaniose visceral: recomendações clínicas para redução da letalidade Brasília: Ministério da Saúde, 2011. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/leishmaniose_visceral_reducao_letalidade.pdf
4. Núcleo de Telessaúde Nutes Pernambuco. Segunda Opinião Formativa SOF. BVS APS, 06 abr 2015. Quais as opções terapêuticas para Leishmaniose Visceral disponíveis no Sistema Único de Saúde? ID: sof-19769. Disponível em: http://aps.bvs.br/aps/quais-as-opcoes-terapeuticas-para-leishmaniose-visceral-disponiveis-no-sistema-unico-de-saude Acesso em 7 de março de 2017.