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Qual o esquema terapêutico para crianças menores de 30 kg com diagnóstico de hanseníase?

| 26 out 2017 | ID: sof-36931
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O esquema terapêutico para crianças com diagnóstico de hanseníase, considera o peso corporal como fator mais importante do que a idade (1) e a dose dos medicamentos do esquema padrão é ajustada de acordo com a idade e o peso(2).

Esquema terapêutico para crianças menores de 30 kg (1):

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Fonte: Coordenação-Geral de Hanseníase e Doenças em Eliminação – CGHDE/DEVIT/SVS/MS

A hanseníase pode acometer todas as faixas etárias, contudo a redução de casos em menores de 15 anos é prioridade do Programa Nacional de Controle da Hanseníase (PNCH) da Secretaria de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde, pois quando a doença se manifesta na infância, especialmente na faixa etária de zero a cinco anos, indica alta endemicidade, carência de informações sobre a doença nessa faixa etária e falta de ações efetivas de educação em saúde (3).

Segundo a OMS, em 2015 foram registrados 210.758 novos casos de hanseníase no mundo. O Brasil encontra-se em segundo lugar em relação aos números de casos novos detectados no ranking mundial, com 26.395 registros, dos quais 7,35% foram em menores de 15 anos (4,5).

A força da morbidade, magnitude e tendência da endemia expressa na população infantil é considerada o principal indicador de monitoramento do agravo, pois sugere intensa circulação do Mycobacterium leprae, transmissão ativa e recente, além de presença de casos índices ainda não identificados e não assistidos pelo sistema de saúde (4).

O contato de indivíduos com a hanseníase na forma bacilífera é considerado a principal fonte de transmissão da doença, principalmente no espaço domiciliar. Em países endêmicos, a população infantil, em geral, entra em contato precocemente com um doente bacilífero. Como o risco de um sujeito saudável desenvolver hanseníase aumenta em nove vezes quando um membro da família é afetado, preconiza-se a realização do exame de contatos intradomiciliares de todos os casos novos diagnosticados (4).

Em crianças, o diagnóstico da hanseníase exige exame criterioso, diante da dificuldade de aplicação e interpretação dos testes de sensibilidade. Em um estudo feito na Indonésia com crianças que apresentavam deficiência de Vitamina A foi observado uma diminuição da produção do IF-y ex vivo, citocina responsável por exercer funções críticas na imunidade inata e adquirida do tipo Th1, essa de grande importância para o controle da hanseníase (6).

Quando disponíveis, os exames laboratoriais complementares como hemograma, TGO, TGP e creatinina devem ser solicitados no início do tratamento, episódios reacionais e efeitos adversos a medicamentos no seguimento dos doentes. A análise dos resultados desses exames não deve retardar o início da PQT, exceto nos casos em que a avaliação clínica sugerir doenças que contraindiquem o início do tratamento (1).

Atributos da APS

Acesso/integralidade/longitudinalidade: A equipe da Atenção Primária a Saúde, deve informar que os contatos familiares recentes ou antigos de pacientes MB e PB devem ser examinados, independente do tempo de convívio. Sugere-se avaliar anualmente, durante cinco anos, todos os contatos não doentes, quer sejam familiares ou sociais. Após esse período os contatos devem ser liberados da vigilância, devendo, entretanto, serem esclarecidos quanto à possibilidade de aparecimento, no futuro, de sinais e sintomas sugestivos da hanseníase (1). Contudo sendo de suma importância, os profissionais dos serviços de saúde quanto à gestão, realizar o planejamento, uniformização, monitoramento e avaliação no que se refere ao acolhimento, diagnóstico, tratamento e cura, prevenção de incapacidades e organização do serviço (7).

 

Bibliografia Selecionada

1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Diretrizes para vigilância, atenção e eliminação da Hanseníase como problema de saúde pública : manual técnico-operacional [recurso eletrônico] .Brasília : Ministério da Saúde, 2016. 58 p. : il. Disponível em: http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2016/fevereiro/04/diretrizes-eliminacao-hanseniase-4fev16-web.pdf
2. Biblioteca Virtual em Saúde –BVS- SOF- Qual o tratamento dever ser adotado para crianças diagnosticadas com hanseníase na forma multibacilar? NUTES Pernambuco | 01 abr 2015 | ID: sof-19667. Disponível em: http://aps.bvs.br/aps/qual-tratamento-deve-ser-adotado-para-criancas-diagnosticadas-com-hanseniase-na-forma-multibacilar/
3. Pires CAA, Malcher CMSR, Abreu Júnior JMC, Albuquerque TG, Corrêa IRS, Daxbacher ELR. Hanseníase em menores de 15 anos: a importância do exame de contato. Rev. paul. pediatr. [Internet]. 2012 June [cited 2017 Oct 19] ; 30( 2 ): 292-295. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-05822012000200022&lng=en http://dx.doi.org/10.1590/S0103-05822012000200022.
4. Freitas BHBM, Cortela DCB, Ferreira SMB. Tendência da hanseníase em menores de 15 anos em Mato Grosso (Brasil), 2001-2013. Rev Saude Publica. 2017;51:28. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rsp/v51/pt_0034-8910-rsp-S1518-87872017051006884.pdf
5. World Health Organization. Global leprosy update, 2015 :time for action, accountability and inclusion. Wkly Epidemiol Rec. 2016;91(35):405-20. Available from: http://www.who.int/wer/2016/wer9135/en/
6. Brasil. Ministério da Saúde. Portaria nº 149, de 3 de fevereiro de 2016. Aprova as Diretrizes para Vigilância, Atenção e Eliminação da Hanseníase como Problema de Saúde Pública, com a finalidade de orientar os gestores e os profissionais dos serviços de saúde. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2016/prt0149_04_02_2016.html
7. Brasil. Ministério da Saúde. Portal da Saúde. Orientações:Vigilância Epidemiológica. Disponível em: http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/leia-mais-o-ministerio/705-secretaria-svs/vigilancia-de-a-a-z/hanseniase/11296-orientacoes