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Qual o papel da enfermagem diante do resultado de citomegalovírus IgM reagente de gestantes?

| 09 nov 2017 | ID: sof-37120
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Diante do resultado de citomegalovírus IgM reagente de gestantes, a enfermagem tem um papel fundamental em esclarecer as dúvidas através de atividades educativas e preventivas. Por exemplo: sobre o vírus, hábitos de higiene, aglomerações, hábitos sexuais, orientação no uso de objetos pessoais dentre outros (1,2).

Devido às complexidades em torno do diagnóstico da citomegalovirose materna e fetal e falta de intervenções para prevenir a transmissão ou o desenvolvimento de doença congênita por CMV, a triagem pré-natal não é recomendada. Nos últimos anos, o foco foi deslocado para a triagem pós-natal (3).
No Brasil, a soropositividade para o CMV observada entre gestantes oscila entre 76,6% e 97,5%. A citomegalovirose é atualmente a infecção congênita viral mais comum em todo o mundo, tendo uma prevalência de 0,2% a 2,2%. Além disso, é a principal causa infecciosa de malformação do SNC (4).
Após um período de incubação de 28-60 dias, a citomegalovirose induz a produção de IgM seguido de IgG. A viremia pode ser detectada durante 2-3 semanas após a infecção primária, em indivíduo previamente soronegativo. A citomegalovirose primária geralmente é assintomática, mas os indivíduos podem experimentar uma síndrome mononucleose-like, com febre, calafrios, mialgia, mal-estar, leucocitose/linfocitose, função hepática alterada e linfadenopatia (3).
Atualmente, técnicas laboratoriais representam decisivo método de detecção da infecção materna pelo CMV, já que apenas o diagnóstico clínico não denota confiabilidade plena, devido à presença de sintomas inespecíficos e leves (5). O diagnóstico de suspeita clínica de citomegalovirose primária materna é baseado em sorologia. Entretanto, a presença de IgM-CMV não é útil para sincronizar o início da infecção, pois ele está presente em apenas 75 a 90% das mulheres com infecção aguda e pode permanecer positivo por mais de um ano depois desse primeiro episódio (5).
A infecção materna pode ser primária ou recorrente (por reativação viral), sendo a chance de infecção congênita maior nos casos de infecção primária. Quanto mais precoce a contaminação do feto, maior o risco de malformações e pior o prognóstico (5).
Um estudo de corte transversal realizado no Mato Grosso do Sul, envolvendo 32.512 mulheres submetidas à pesquisa de citomegalovírus durante o pré-natal, detectou uma prevalência de 0,05% . Como não há imunidade nem existe tratamento efetivo disponível, não há evidências de melhora do prognóstico perinatal com o rastreamento, estando atualmente às orientações voltadas à prevenção da contaminação (3).
A transmissão vertical (TV) do CMV pode ser transplacentária após uma infecção materna primária ou recorrente, mas também pode ocorrer se houver exposição às secreções contaminadas do trato genital inferior (TGI) no momento do parto ou durante a amamentação (3). Entretanto o risco fetal é muito maior na ocorrência de infecção primária (30% a 40% de infecção fetal, 10% de doença neonatal sintomática e 15% com sequelas a longo prazo) (4).
Apesar da grande maioria das infecções congênitas serem assintomáticas ao nascimento, entre 10 e 15% das crianças pode desenvolver sequelas que incluem deficiência auditiva e alterações neurológicas. Em grande parte das crianças as sequelas são progressivas e tornam-se perceptíveis ao longo da infância (geralmente nos primeiros 2 anos) (4,6).

Atributos
A Unidade Básica de Saúde (UBS) deve ser a porta de entrada preferencial da gestante no sistema de saúde. É o ponto de atenção estratégico para melhor acolher suas necessidades, inclusive proporcionando um acompanhamento longitudinal e continuado, principalmente durante a gravidez (2,7).
Até que não se disponha de prevenção eficaz da infecção congênita por CMV ou de tratamento que definitivamente modifique a sua evolução durante o pré-natal, é fundamental que, após o nascimento, crianças sejam identificadas como portadoras de infecção congênita para que possam ter o acesso e ser tratadas, acompanhadas integralmente e terem eventuais deficiências minimizadas por estimulação precoce, seja esta auditiva, seja esta neuromotora (3).

Bibliografia Selecionada

1. Núcleo de Telessaúde do Rio Grande do Sul. Qual a melhor forma de aconselhamento para gestantes de alto risco? Segunda Opinião Formativa, 9 jun 2009. Disponível em: http://aps.bvs.br/aps/qual-a-melhor-forma-de-aconselhamento-para-gestantes-de-alto-risco
2. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Gestação de alto risco: manual técnico.  5. ed. – Brasília : Editora do Ministério da Saúde, 2010. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/gestacao_alto_risco.pdf
3. Fernandes CE, Sá MFS , editores. Guia prático: infecções no ciclo grávido-puerperal / Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). São Paulo, 2016. v.2. Série Orientações e Recomendações FEBRASGO.
4. Martins-Costa S, Ramos JGL, Valiati B, Vettorazzi J. Infecções na Gestação In: Duncan BB, Schmidt MI, Giugliani ERJ. Medicina ambulatorial: condutas em Atenção Primária à Saúde Baseadas em Evidências. 4ed. Porto Alegre: Artmed, 2013.
5. Amorim MMR; Melo ASO. Avaliação dos exames de rotina no pré-natal (Parte 1). Rev Bras Ginecol Obstet. [Internet]. 2009 Mar [cited 2017 Nov 08]; 31(3):148-55. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-72032009000300008&lng=en&nrm=iso&tlng=pt http://dx.doi.org/10.1590/S0100-72032009000300008.
6. Núcleo de Telessaúde de Sergipe. Qual a conduta em casos de citomegalovírus na gestação? Quais as repercussões da infecção para a gestante e o bebê? Segunda Opinião Formativa, 21 out 2014. Disponível em: http://aps.bvs.br/aps/qual-a-conduta-em-casos-de-citomegalovirus-na-gestacao-quais-as-repercussoes-da-infeccao-para-a-gestante-e-o-bebe/
7. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Atenção ao pré-natal de baixo risco [recurso eletrônico] .  1. ed. rev. – Brasília : Editora do Ministério da Saúde, 2012. 318 p.: il. – (Cadernos de Atenção Básica, n° 32). Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cadernos_atencao_basica_32_prenatal.pdf