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Qual o papel do Agente Comunitário de Saúde frente aos casos de abandono de tratamento para hanseníase?

| 29 mar 2018 | ID: sof-37589
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O diagnóstico precoce da hanseníase e o seu tratamento adequado evitam a evolução da doença e, consequentemente, impedem a instalação das incapacidades físicas por ela provocadas. Como hoje em dia o tratamento da hanseníase não é mais um problema, principalmente após o desenvolvimento de medicações altamente efetivas, necessitamos que o diagnóstico precoce seja o mais competente possível e que o acompanhamento do tratamento seja devidamente realizado.

É considerado como caso de abandono aquele paciente que não completou o número de doses no prazo previsto, e que não compareceu ao serviço de saúde nos últimos 12 meses. Os casos que retornam ao mesmo ou a outro serviço de saúde após abandono do tratamento devem ser notificados como outros reingressos. O reinício de tratamento de hanseníase deve ser realizado para aqueles pacientes PB e MB que não concluíram o tratamento no período preconizado conforme esquema indicado. Eles deverão reiniciar o tratamento, sempre que possível aproveitando doses anteriores desde que os prazos para conclusão sejam cumpridos.
Nesse sentido o trabalho do Agente Comunitário de Saúde (ACS) está em orientar para comparecimento a consulta médica, com o médico de família da equipe da qual faz parte todas as pessoas com: lesão(ões) de pele com alteração de sensibilidade e/ou; acometimento de nervo (s) com espessamento neural (mais fácil de ser observado em cotovelos e joelhos).
Além disso, faz parte do papel do ACS realizar a busca ativa de todos os contatos domiciliares de pacientes com diagnóstico confirmado.
Segundo o Caderno de Atenção Básica nº 21, são atribuições específicas do Agente Comunitário de Saúde:
• Identificar sinais e sintomas da hanseníase e encaminhar os casos suspeitos para a unidade de saúde;
• Acompanhar os usuários em tratamento e orientá-los: quanto à necessidade de sua conclusão no tempo preconizado e estar atento aos prováveis sinais e sintomas de reações e efeitos adversos da medicação (farmacovigilância);
• Orientar a realização de autocuidados, visando a prevenção de incapacidades;
• Realizar busca ativa de faltosos e daqueles que abandonaram o tratamento;
• Supervisionar o uso de medicamentos, quando indicado e conforme planejamento da equipe;
• Encaminhar contatos intradomiciliares para avaliação na unidade de saúde e estimulá-los a realizar o autoexame, mesmo depois da avaliação;
• Fazer, no mínimo, uma visita domiciliar por mês ao usuário com hanseníase e sua família, estimulando autocuidados e autoexame, de acordo com a programação da equipe;
• Registrar na ficha de cadastramento de famílias os dados sobre as pessoas com hanseníase no campo específico a cada visita, de forma a mantê-la atualizada;
• Compartilhar com a equipe informações colhidas durante a visita domiciliar e participar da consolidação dos dados registrados;
• Desenvolver ações educativas e de mobilização envolvendo a comunidade e equipamentos sociais (escolas, conselhos de saúde, associações de moradores, etc.), relativas à importância do autoexame; ao controle da hanseníase e combate ao estigma.

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2. Como proceder em casos de efeito adverso medicamentoso no tratamento da hanseníase?

Bibliografia Selecionada

1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Departamento de Atenção Básica. Guia para o controle da hanseníase. Brasília: Ministério da Saúde, 2002. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_de_hanseniase.pdf
2. Brasil. Ministério da Saúde. Vigilância em Saúde: dengue, esquistossomose, hanseníase, malária, tracoma e tuberculose. Brasília: Ministério da Saúde, 2008. (Cadernos de Atenção Básica, n. 21) (Série A. Normas e Manuais Técnicos). Disponível em: http://189.28.128.100/dab/docs/publicacoes/cadernos_ab/abcad21.pdf