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Quanto tempo uma mulher pode engravidar após o aborto?

| 28 fev 2018 | ID: sof-37322
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A abordagem mais ampla deve enfocar o Planejamento Familiar pós abortamento. É importante que a mulher esteja ciente que pode estar apta a engravidar em torno de 15 dias após o abortamento. Recomenda-se a abstinência sexual enquanto existir sangramento e que se avalie profundamente o desejo de uma nova gestação e como se organiza a família.(1)

Quanto a às diferenças entre o abortamento completo e a realização de curetagem uterina, elas devem ser analisadas pelas complicações ou não, por exemplo, pode ocorrer um sangramento importante causando anemia num abortamento espontâneo e isso gerar cuidados adicionais após o evento.
Pensando no planejamento familiar pós abortamento e nos casos de sem nenhuma complicação, não há restrições de métodos. A mulher pode optar por esterilização, injetáveis, implantes, DIU (podendo este ser inserido logo após o esvaziamento uterino), contraceptivos orais (iniciado dentro da 1 ° semana após o esvaziamento), preservativos e diafragmas. Não se recomendam os métodos naturais antes de restabelecidos os ciclos menstruais regulares.
Complementação: Mulheres que tiveram uma perda gestacional e engravidam em menos de 12 meses têm maior risco de desenvolver depressão pós-parto se comparadas com as que engravidaram após 12 meses.(2)
Outro aspecto importante é que no caso de aborto, pela legislação, a mulher tem direito a 2 (duas) semanas de repouso, ficando assegurados seus salários e suas funções exercidas. A comprovação legal do abortamento espontâneo faz-se por emissão de atestado médico que deverá ser encaminhado ao empregador.(1)
O abortamento é a morte ou expulsão ovular ocorrida antes de 22 semanas ou quando o concepto pesa menos de 500g. Pode ser espontâneo ou provocado. O abortamento é dito precoce quando ocorre até a 12ª semana e tardio quando ocorre entre a 13ª e a 22ª semanas.(2)
O abortamento tem como principais fatores etiológicos: alterações cromossômicas, anomalias do ovo e da implantação, placentopatias, mecanismos imunológicos, ginecopatias (malformações uterinas, miomatose uterina, alterações endometriais devido à curetagem uterina, infecções, cicatrizes cirúrgicas, incompetência istmo-cervical), endocrinopatias (diabetes, tireoidopatias, insuficiência do corpo lúteo), anemias graves, sífilis na gestação, além de doenças cardiorrespiratórias.(2)
O diagnóstico é clínico e pode ser complementado com ultrassonografia. O atraso menstrual, a perda sanguínea uterina e a presença de cólicas no baixo ventre são dados clínicos que devem ser considerados. O exame genital é de grande importância. O exame especular permite a visualização do colo uterino, para a constatação da origem intra uterina do sangramento.(2)
Pode-se em algumas ocasiões detectar-se fragmentos placentários no canal cervical e na vagina. Pode ser feito o toque pois é possível a avaliação da permeabilidade do colo. A ultrassonografia é definitiva para o diagnóstico de certeza entre um aborto evitável (presença de saco embrionário íntegro e/ou concepto vivo), um aborto incompleto (presença de restos ovulares) ou aborto retido (presença de concepto morto ou ausência de saco embrionário).(2)

Atributos da APS
Longitudinalidade: A equipe deve garantir a continuidade do cuidado à mulher e à família ao longo do tempo que não é possível determinar. Tudo se inicia com o primeiro contato com o serviço de saúde, que neste caso vai se fortalecer no pré natal e se consolida com um novo papel como mãe. Quando ocorre uma interrupção da gestação este cuidado deve ser intensificado.
Orientação familiar: A equipe deve levar em conta o contexto familiar, suas limitações e possibilidades pois desta forma pode minimizar os riscos de problemas psicológicos pela perda em si analisar o desejo de uma nova gestação antes do tempo adequado e outras condições que, que podem afetar a relação familiar.

Material complementar:
Telessaude ES. Webconferência: Gravidez de Alto Risco. Palestrante: Cleverson Gomes do Carmo Júnior (Médico ginecologista, obstetra e mastologista);Scheyla Fraga (Debatedora) . Apresentado em 21 out 2015. Disponivel em: https://www.youtube.com/watch?v=IzmJ6unfP2E
Telessaude ES. Vídeo de Webconferência : Exames no Pré-Natal de Baixo Risco (Aprox. 80 min.). Palestrante: Valesca Rodrigues Lucena (Médica Telessaúde HUCAM ); Scheyla Rauta (Debatedora) . Apresentado em 02 fev 2015. Disponivel em: https://www.youtube.com/watch?v=iPD_1Fg6jJc

 

Bibliografia Selecionada

1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticos de Saúde. Área Técnica de Saúde da Mulher. Parto, aborto e puerpério: assistência humanizada à mulher [internet]. Brasília: Ministério da Saúde, 2001:202p. [citado em 2017 set 28]. Disponível em: http://pfdc.pgr.mpf.mp.br/temas-de-atuacao/mulher/saude-das-mulheres/enfrentamento-a-mortalidade-materna-menu/parto-aborto-e-puerperio-assistencia-humanizada-a-mulher-ms
2. Brasil. Ministério da Saúde. Atenção ao pré-natal de baixo risco [internet].Cadernos de Atenção Básica, 32. Brasília: Ministério da Saúde, 2012:320p [citado em 2017 set 02]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cadernos_atencao_basica_32_prenatal.pdf