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Que orientações odontológicas os membros da equipe de Saúde podem passar durante a puericultura?

| 08 mar 2018 | ID: sof-37549
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Durante a puericultura toda equipe de saúde deve estar atenta para avaliar quais são os hábitos familiares e estimular, desde o pré-natal, o envolvimento da mãe e dos familiares no cuidado da saúde bucal do bebê (1), assim sendo as ações de cuidado no primeiro ano de vida devem ser realizadas no contexto do trabalho multidisciplinar da equipe de saúde como um todo, de forma a evitar a criação de programas de saúde bucal específicos para este grupo etário, para evitar que ocorram de forma vertical e isolada da área médico-enfermagem (2). O trabalho de prevenção deve estar direcionado à gestante, aos pais e às pessoas que cuidam da criança.(1,2)

É fundamental que os profissionais dos programas de puericultura disseminem as seguintes orientações:
No período da erupção dos dentes, é comum o aparecimento de sintomas sistêmicos tais como salivação abundante, diarréia, aumento da temperatura e sono agitado, mas que, não necessariamente, são decorrentes deste processo. O tratamento deve ser sintomático e, quando necessário, realizar investigação de outras causas para os sintomas descritos.(2)
Nesta fase, a ingestão excessiva de dentifrício fluoretado pode causar fluorose dentária.(2)
Aleitamento materno: excetuando-se situações especiais, deve ser feito com exclusividade até os 06 meses de idade. A partir dessa idade, deve-se incentivar o uso progressivo de alimentos em colheres e copos. É importante fator de prevenção da má-oclusão dentári.(2)
Hábitos bucais – sucção de chupeta ou mamadeira: em situações adversas, nas quais necessite dar mamadeira ao bebê, não aumentar o furo do bico do mamilo artificial, que serve para o bebê fazer a sucção e aprender a deglutir (2). Quando a necessidade de sucção não for satisfeita com o aleitamento materno, a chupeta deve ser usada racionalmente, não sendo oferecida a qualquer sinal de desconforto. Utilizar exclusivamente como complementar à sucção na fase em que o bebê necessita deste exercício funcional. Não é recomendável que o bebê durma todo o tempo com a chupeta.(2)
Algumas recomendações importantes: sobre a amamentação deve-se estimular o aleitamento materno, ressaltando sua importância para o correto desenvolvimento facial. Além da importância afetiva e nutricional, o exercício muscular durante a amamentação favorece a respiração nasal e previne grande parte dos problemas de desenvolvimento das arcadas e de posicionamento dos dentes. A amamentação favorece a obtenção de um tônus muscular orofacial adequado, que irá interferir positivamente nas funções de mastigação, deglutição e fonação.(1,3)
Já sobre a alimentação vale destacar que o consumo frequente de açúcar apresenta correlação positiva com a prevalência de cárie em crianças de zero a 36 meses. Os pais e os cuidadores devem ser orientados a não colocar açúcar em frutas e sucos, possibilitando que a criança aprecie o sabor natural dos alimentos. A idade em que a criança começa a consumir açúcar é importante, pois a presença dele na alimentação, além de facilitar a implantação de uma microbiota cariogênica, influencia o padrão alimentar futuro, criando a necessidade de consumo cada vez mais frequente do referido produto.(1,4,5,6)
Sobre o uso de bicos e chupetas é importante saber que se deve desestimular este hábito, pois a sucção da chupeta ou da mamadeira pode acarretar alterações bucais em crianças, como más oclusões e alterações no padrão de deglutição (1,7). Para se evitar o uso da chupeta, deve-se recomendar a técnica correta de amamentação, não retirando a criança do seio logo que ela já esteja satisfeita, especialmente se ela continuar sugando. Caso o hábito já esteja instalado, deve-se procurar removê-lo o quanto antes para prevenir as alterações e possibilitar sua reversão natural (1,8). Enquanto o hábito estiver instalado, orienta-se o uso de bico de mamadeira curto e com orifício pequeno e recomenda-se que a mãe não aumente o furo para dar alimentos mais espessos. Estes devem ser oferecidos com colher ou copo.(1)
No que concerne a limpeza da cavidade bucal é normalmente iniciada antes mesmo da erupção dental. Usar um tecido limpo ou gaze embebida em água filtrada ou soro para esfregar a gengiva. A escovação está indicada a partir da erupção do primeiro dente decíduo, não é necessário uso de dentifrício devido à possibilidade de ingestão pelo bebê. A partir da erupção dos primeiros molares decíduos pode-se usar o mínimo possível de dentifrício (quantidade equivalente a um grão de arroz cru). Um cuidado particularmente importante é a frequência do uso do creme dental, pois acontece ingestão do mesmo nessa idade, podendo causar fluorose. O dentifrício deve ser mantido fora do alcance das crianças. A higienização deve ser realizada pelos pais ou responsáveis.(2)

Bibliografia Selecionada

1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde da Criança: Crescimento e Desenvolvimento. (Caderno de Atenção Básica nº 33). Brasília-DF, 2012:272p. Disponível em: http://189.28.128.100/dab/docs/publicacoes/cadernos_ab/caderno_33.pdf
2. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde Bucal. (Cadernos de Atenção Básica, n. 17). Série A. Normas e Manuais Técnicos. Brasília-DF, 2008:92p. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_bucal.pdf
3. Curitiba. Secretaria da Saúde de Curitiba. Protocolo integrado de atenção à saúde bucal. Curitiba, 2004:100p. Disponível em: http://www.saude.curitiba.pr.gov.br/images/programas/arquivos/saude_bucal/protocolo_001.pdf
4. Caplan LS, Erwin K, Lense E, Hicks J Jr. The potential role of breast-feeding  and other factors in helping to reduce early childhood caries. J Public Health Dent. 2008 Fall;68(4):238-41. Disponível em: http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1752-7325.2007.00080.x/epdf  doi: 10.1111/j.1752-7325.2007.00080.x. PubMed PMID: 18384535.
5. Antunes LAA, Antunes LS, Costa MEPR. Fatores utilizados como preditores de cárie na primeira infância. Pesqui. bras. odontopediatria clín. integr. 2006 Mai.-Ago;6(2):117-124. Disponível em: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=63760202
6. Warren JJ, Weber-Gasparoni K, Marshall TA, Drake DR, Dehkordi-Vakil F, Kolker JL, Dawson DV. Factors associated with dental caries experience in 1-year-old children. J Public Health Dent. 2008 Spring;68(2):70-5. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2562928/ doi: 10.1111/j.1752-7325.2007.00068.x. PubMed PMID: 18221314; PubMed Central PMCID: PMC2562928.
7. Leite-Cavalcanti A, Medeiros-Bezerra PK, Moura C. Aleitamento Natural, Aleitamento Artificial, Hábitos de Sucção e Maloclusões em Pré-escolares Brasileiros. Rev. salud pública [Internet]. 2007 Apr [cited 2018 Mar 08] ; 9( 2 ): 194-204. Disponível em: http://www.scielo.org.co/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0124-00642007000200004&lng=en.
8. Vellini FF. Ortodontia: diagnóstico e planejamento clínico. São Paulo: Artmed, 1998.