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Preparados caseiros de xaropes (lambedores) são úteis no cuidado da tosse de crianças? Quais?

| 09 mar 2018 | ID: sof-37561
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Não é recomendável nenhum tipo de xarope caseiro feito com produtos naturais (lambedor) para crianças menores de 6 meses, e nem lambedores que contenham guaco e/ou mel para crianças menores de um ano, devido ao potencial anticoagulante da cumarina presente nas folhas de guaco (capaz de provocar acidentes hemorrágicos quando uso prolongado) e o potencial risco de transmissão do botulismo através do mel.(1,2,3)

O uso de plantas medicinais tem se destacado prioritariamente na Atenção Primária a Saúde (APS) por envolver interação entre saberes e parcerias nos cuidados com a saúde(1). A utilização dessas plantas medicinais deve ser realizada com cautela, principalmente se tratando de crianças abaixo de um ano, pois a função renal e hepática nesta faixa etária ainda está em fase de amadurecimento e a oferta indiscriminada de chás e xaropes caseiros feitos com produtos naturais (lambedor), poderá acarretar consequências à sua saúde e por esse motivo, a automedicação deve ser sempre desencorajada, visto que pode levar a consequências sérias como intoxicações exógenas e endógenas e que se não houver intervenção adequada pode levar inclusive ao óbito(1,4). No que se refere ao preparo de lambedor com efeito expectorante especificamente para crianças menores e acima de 1 ano, não há na literatura científica indicações de receita pronta. Por se tratar de um saber popular, as receitas de lambedores dependem muito da cultura de uma determinada comunidade. É importante fazer algumas considerações, como o cuidado com a quantidade de açúcar para não desencadear obesidade infantil, cárie dentária e demais complicações, pois o consumo de açúcar é desnecessário e deve ser evitado nos dois primeiros anos de vida da criança.
O acompanhamento dos profissionais da APS deve acontecer com competência técnica científica e cultural, visto que o saber popular precisa estar aliado ao saber científico para prevenir intoxicações e demais problemas aos pacientes infantis(1,3,7,8).

Algumas receitas que podem ser recomendadas:
LAMBEDOR DE HORTELÃ(5)
O lambedor de hortelã é o mais comum, pois a erva proporciona uma série de benefícios para a saúde, incluindo o seu efeito calmante. Alívio da tosse, anestésico para dores de cabeça e nas articulações, combate a resfriados e gripes, cólicas, gases, além de impedir a formação do muco nas vias respiratórias são alguns dos vários benefícios da erva alcançados com o lambedor.
Ingredientes
10 folhas de hortelã; Água; Açúcar; Cravos da índia.
Modo de preparo
Prepare uma infusão de hortelã, colocando água fervente em cima das folhas. Espere cinco minutos e coe, depois passe para uma panela. Considerando a quantidade do chá, coloque a mesma de açúcar na panela, misture e deixe ferver. Ao dissolver o açúcar, deixe esfriar e coloque alguns cravos da índia para conservar. Tome 3 ou mais colheres de sopa do lambedor ao dia.
LAMBEDOR DE ABACAXI(5)
É possível fazer xaropes de frutas e o abacaxi é um expectorante muito bom para tratar de tosse, bronquite e pneumonia.
Ingredientes
500 mililitros de mel de abelha; 1 abacaxi médio.
Modo de preparo
Descasque o abacaxi e corte em pedaços pequenos. Juntamente com o mel, leve ao fogo e deixe ferver por três minutos. Coe e tome durante o dia sempre que quiser.
LAMBEDOR DE GUACO(6)
Tem efeito expectorante, e pode ser associada a poejo, alfavaca anisada, malvariço ou mil-em-ramas. Indicado para gripes e resfriados, tosses, broncospasmo, cárie dentária e como anti-inflamatório.
Ingredientes
Folhas de guaco; açúcar mascavo.
Modo de preparo
A parte usada são as folhas em infusão, 1 colher de sopa em 1 xícara de agua, 3 vezes ao dia. Na forma de lambedor é preparado colocando folhas da planta com açúcar mascavo em banho-maria.
LAMBEDOR DE HORTELÃ-DE-FOLHA-GROSSA(6)
Tem uso como antisséptico bucal, em rouquidão, tosse e broncospasmo.
Ingredientes
5 a 6 folhas frescas do hortelã-de-folha-grossa.
Modo de preparo
A dose média é de 5-6 folhas ao dia para lambedor ou folha in natura (em estado natural), ou infusão com 2 folhas por xícara até 3 xícaras ao dia. Usar por até 2 semanas.

 

 

Bibliografia Selecionada

1. Brasil, Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Saúde da criança: crescimento e desenvolvimento. Departamento de Atenção Básica. (Cadernos de Atenção Básica, 33). Brasília: Ministério da Saúde, 2012. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_crianca_crescimento_desenvolvimento.pdf
2. Núcleo de Telessaúde Santa Catarina. Segunda Opinião Formativa(SOF). BVS-APS.  Quais as evidências científicas para o uso do Guaco na Atenção Primária à Saúde?  | 08 jul 2016 | ID: sof-25177. Disponível em: http://aps.bvs.br/aps/quais-as-evidencias-cientificas-para-o-uso-do-guaco-na-atencao-primaria-a-saude/%C3%ADgia%20Alves%20dos%20Santos.pdf
3. Czelusniak KE, Brocco A, Pereira DF, Freitas GBL. Farmacobotânica, fitoquímica e farmacologia do Guaco: revisão considerando Mikania glomerata Sprengel e Mikania laevigata Schulyz Bip. ex Baker. Rev. Bras. Plantas Med. 2012;14(2):400-409. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-05722012000200022&lng=en&nrm=iso&tlng=pt
4. Santos AA. O uso de fitoterápicos e plantas medicinais no cuidado de crianças: o papel do enfermeiro. Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) Graduação em Enfermagem da Universidade Estadual da Paraíba – UEPB, Campina Grande-PB, 2014: 26p. Disponível em: http://dspace.bc.uepb.edu.br/jspui/bitstream/123456789/7201/1/PDF%20-%20Al
5.  Movimento Popular em Saúde de Sergipe (MOPS). Fitoterapia e Alimentação Natural. Aracaju, 2016.
6. Gusso G, Lopes JMC. Tratado de medicina de família e comunidade: princípios, formação e prática. Porto Alegre: Artmed, 2012.
7. Alves AR, Silva MJP. O uso da fitoterapia no cuidado de crianças com até cinco anos em área central e periférica da cidade de São Paulo. Rev. Esc. Enferm. USP. 2003 Dez;37(4):85-91. Disponível em: http://www.ee.usp.br/reeusp/upload/pdf/157.pdf
8. Itaipu Binacional. Projeto Plantas Medicinais: cartilha informativa. Cultivando Água boa. 2012:40p. Disponível em: http://www.boaspraticas.org.br/attachments/article/196/Cartilha%20Projeto%20Plantas%20Medicinais.pdf