A benzetacil pode ser diluída com diclofenaco para ser administrada via intramuscular?

Quanto ao uso de diclofenaco injetável (sódico/potássico), é estabelecido em sua bula que: “Como regra, diclofenaco injetável não deve ser misturado com outras soluções injetáveis”. Sendo assim, sua combinação com qualquer outra solução injetável deve ser evitada. Por isso, o uso de benzetacil diluído com ampola de diclofenaco não é recomendado (1).

Apesar de não serem reportadas interações medicamentosas farmacocinéticas/farmacodinâmicas(1) ou incompatibilidades farmacêuticas na combinação de soluções(2) contendo benzilpenicilina benzatina e diclofenaco (sódico/potássico), deve-se seguir a recomendação instrucional da bula(3,4), fornecida pela indústria responsável pelas formulações farmacêuticas usadas, a respeito da administração isolada preferencial desses medicamentos.

 

Ressalta-se que a administração intramuscular de líquidos comporta, idealmente, volumes menores que 5 ml: administrações de volumes que excedam essa quantidade aumentam o risco de reações indesejadas (como dor local e desconforto) e perda dos medicamentos, por extravasamento (com impacto potencial em biodisponibilidade, duração de efeito, etc., por perda do fármaco). Por isso, a combinação de medicamentos que resultem em volume final que exceda 5 ml deve ser evitada(5). A benzilpenicilina benzatina – que é apresentada em suspensão de cristais(1,4) – quando diluída em volumes maiores que os preconizados em sua solução própria de dissolução (mesmo que permaneçam inferiores aos 5 ml máximos preconizados para administrações intramusculares) pode apresentar aumento na hidrólise e dissolução das partículas cristalinas, que normalmente garantem a liberação controlada e ação prolongada dessa formulação. O impacto possível seria especial em parâmetros farmacocinéticos do medicamento, como menor duração de efeito consequente de maior velocidade de absorção, bem como aumento na concentração plasmática máxima e possíveis implicações toxicológicas. Por isso, sempre que possível – e na ausência de uma indicação específica de administração combinada de formulações injetáveis – deve ser priorizada a administração de soluções intramusculares de maneira isolada, em grupos musculares diferentes(5).