A suplementação de vitamina K nas gestantes em tratamento para epilepsia deve ser universal?

Não há evidências suficientes para a prescrição de vitamina K durante a gestação em todas as mulheres em tratamento medicamentoso para epilepsia, pois a suplementação de vitamina K na gestante não altera o risco de sangramento no feto.

Recomenda-se o uso da vitamina K suplementar, na dose de 10 mg, via oral, uma vez ao dia, durante o último mês da gestação, nas mulheres que apresentam fatores de risco para parto prematuro, utilizam de mais de uma droga antiepiléptica capaz de alterar o metabolismo da vitamina K, como fenobarbital, carbamazepina, fenitoína, topiramato e oxcarbazepina, ou abusam de álcool na gestação. A epilepsia é a patologia neurológica mais prevalente durante a gestação e afeta 0,5% das grávidas. Gestantes epilépticas têm risco aumentado para complicações, como préeclâmpsia, parto prematuro e aumento da mortalidade materna e fetal. Parte das complicações gestacionais associadas à epilepsia está associada ao uso de drogas anticonvulsivantes. Dentre os efeitos indesejáveis destas medicações durante a gestação está a capacidade de influenciar o metabolismo da vitamina K fetal. A depleção dessa vitamina no feto, secundária à indução de enzimas hepáticas fetais, pode aumentar o risco de complicações hemorrágicas após o nascimento. Algumas drogas são consideradas de maior risco, já que têm maior potencial de ultrapassar a barreira placentária, como a fenitoína, o fenobarbital e a carbamazepina. No entanto, não existem evidências que sustentem que o uso de vitamina K na gestante possa diminuir o risco de sangramento nos neonatos. Todos os recém nascidos recebem suplementação de 1 mg de vitamina K intramuscular após o parto e plasma fresco pode ser necessário em caso de sangramento.