Cetoconazol oral é indicado para o tratamento de micoses cutâneas?

O cetoconazol oral não é mais indicado como primeira linha de tratamento para infecções fúngicas. O perfil de risco-benefício do cetoconazol é desfavorável e existem outras opções mais seguras para o tratamento sistêmico das micoses cutâneas. Portanto, candidíase e dermatofitoses não são mais indicações para uso de cetoconazol oral. Além disso, o cetoconazol somente deve ser utilizado para o tratamento de micoses profundas quando outros antifúngicos não estiverem disponíveis ou não forem tolerados.

Desde 2013, a Agência Americana de Medicamentos e Alimentos (FDA), a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), contraindicam o uso do cetoconazol oral para o tratamento das micoses cutâneas. A agência europeia de medicamentos considerou que, embora as lesões hepáticas sejam um efeito colateral conhecido dos medicamentos antifúngicos, a incidência e a gravidade das lesões hepáticas com cetoconazol oral foram superiores aos outros antifúngicos. Os relatos de lesão hepática ocorreram logo após o início do tratamento, mesmo com as doses recomendadas, não sendo possível identificar medidas para reduzir adequadamente esse risco. Outros pontos desfavoráveis ao uso do cetoconazol oral são: os dados sobre eficácia são limitados, não atendendo aos padrões atuais; pode ocasionar insuficiência adrenal, reduzindo a produção endógena de glicocorticoides; possui interação medicamentosa com diversos fármacos de uso rotineiro. As formulações tópicas contendo cetoconazol não foram associadas com qualquer efeito adverso sistêmico e podem continuar sendo utilizadas.