Como abordar a família e o paciente idoso sobre um diagnóstico desfavorável em saúde bucal?

É necessário fazer uma abordagem de forma clara e evitando termos técnicos que possam provocar problemas de interpretação. Assim, o profissional de saúde precisa saber se comunicar com o leigo e tomar a precaução de se fazer entender (1,2).

Sempre ao final de uma consulta com um paciente para comunicar-lhe uma notícia desagradável, deve-se verificar a compreensão, observar os sentimentos e a situação emocional do paciente e colocar-se, assim como o serviço, à disposição (1,3), assegurando-lhe o atributo do acesso. Se houver necessidade de referenciá-lo para tratamento em serviços de atenção secundária ou terciária, assegurar-lhe um acompanhamento, coordenando e/ou integrando os cuidados recebidos (1).

Existem alguns protocolos que auxiliam profissionais de saúde em dar más noticias, como o Spikes: um acrônimo de Settings (Configurações), Patient’s perception (Percepção do paciente), Invitation (Convite), Knowledge (Conhecimento), Explore\ Empathy (Explorar\Empatia), Strategy\Summary (Estratégia\Resumo)(4). Os protocolos geralmente seguem um roteiro de preparação para dar a noticia, a noticia em si, o tempo e a observação das reações da pessoa e sua família, além da mobilização dos recursos para o manejo/seguimento. Assim sendo, e tendo como fundamento os princípios da Bioética, pode-se dizer que a comunicação da verdade diagnóstica ao paciente e seus familiares constitui um benefício para os mesmos (princípio da beneficência), por possibilitar sua participação ativa no processo de tomada de decisões (autonomia) (1,5). A informação e a orientação são também peças-chave nas ações odontológicas. Portanto, os idosos e seus familiares, médicos, dentistas, enfermeiros, cuidadores e toda a equipe devem estar cientes dos potenciais problemas odontológicos no idoso(6). A não comunicação só é permitida em casos de pacientes pediátricos, ou quando suas condições físicas ou psicológicas não permitam uma correta compreensão de sua doença, devendo nesse caso ser o diagnóstico comunicado à família. É, portanto, uma conduta de exceção e exige do profissional discernimento e envolvimento suficientes para saber reconhecer para quais pacientes a verdade pode ser omitida(1,5).