Como amenizar as dores de uma pessoa que tem hérnia de disco na coluna cervical?

É fundamental tranquilizar o paciente sobre a dor, esclarecendo que este sintoma é comum e, normalmente, autolimitado, ou seja, vai melhorar (1,2). É tratado predominantemente com medicações analgésicas, a critério do médico assistente. Estes pacientes devem ser orientados a permanecerem ativos e continuarem a realizar suas atividades habituais, evitando repouso prolongado. O colar cervical deve ter seu uso desencorajado, pois se associa a atraso na melhora dos sintomas (1,2). No contexto da Atenção Básica, é importante garantir que o paciente tenha um acompanhamento adequado pela equipe de saúde, verificando se o mesmo está seguindo as orientações da equipe e orientando sobre a importância da adesão à terapêutica que for instituída.

COMPLEMENTAÇÃO A coluna vertebral é composta por 33 vértebras: sete cervicais, doze torácicas, cinco lombares, cinco sacrais fundidas formando o osso sacro e quatro coccígeas também fundidas e formando o cóccix. Dentro delas há um canal por onde passa a medula nervosa ou medula espinhal. Entre as vértebras cervicais, torácicas e lombares, localizam-se os discos intervertebrais, que têm o formato de um anel constituído por tecido cartilaginoso e elástico cuja função é evitar o atrito entre uma vértebra e outra e amortecer o impacto. A hérnia de disco aparece quando parte dessa estrutura sai de sua posição normal e comprime as raízes nervosas que emergem da coluna e se dirigem para o resto do corpo (3), sendo mais frequentes nas regiões lombar e cervical da coluna, porque essas são áreas mais expostas ao movimento e que suportam maior carga. A hérnia de disco cervical causa dor e/ou formigamento que irradia a partir do pescoço, passando pelo ombro até o antebraço e mão (4). A dor pode ser tão grave que o uso do braço fica limitado (2). Dor no pescoço, rigidez e limitação da amplitude dos movimentos pela dor são as manifestações habituais (4). O tratamento da dor proveniente de uma hérnia de disco (radiculopatia) cervical envolve diversas intervenções. Na grande maioria dos casos é feito de forma conservadora por meio de medicações analgésicas e/ou anti-inflamatórias, no entanto, pode necessitar de cuidados multidisciplinares nos níveis secundário (avaliação e acompanhamento fisioterápico) e terciário (cirurgia) de atenção à saúde (1). Nas fases iniciais do tratamento do paciente com radiculopatia cervical, deve-se evitar a manipulação local, estando o papel da fisioterapia limitado a ações analgésicas e técnicas de relaxamento muscular. Com a melhora dos sintomas, a reabilitação deve ser progressivamente indicada, objetivando evitar novas crises por meio de orientações posturais, exercícios de alongamento e reforço muscular (1), ações estas realizadas por um profissional fisioterapeuta. A cirurgia está reservada para pacientes com lesão neurológica grave e progressiva, má resposta ao tratamento conservador após 8 a 12 semanas ou dor intratável persistente (1). EDUCAÇÃO PERMANENTE Atividades preventivas e de educação As correções posturais no dia a dia, sobretudo no ambiente de trabalho, são importantes na prevenção das dores na região cervical (cervicalgia). Devem-se evitar posturas sentadas ou deitadas com flexão de cabeça mantidas por longos períodos, muito comum durante a leitura e uso de computador e celular. A inclinação lateral da cabeça e elevação do ombro ao atender telefone ou a utilização do braço em elevação durante muito tempo também devem ser evitados (5). A posição para dormir também pode ser determinante na cervicalgia, sendo o colchão e o travesseiro importantes fatores para a manutenção de um bom alinhamento da coluna vertebral. O colchão deve ter uma densidade apropriada para o peso de cada pessoa, e o travesseiro não pode ser alto, deixando a cabeça fora de alinhamento. Deve-se evitar dormir em decúbito ventral (de “bruços”), pois esta postura pode provocar uma rotação cervical mantida por longo período, gerando desalinhamento entre as colunas cervical, dorsal e lombar (5).

Bibliografia Selecionada

  1. DUNCAN, Bruce Bartholow et al. Medicina ambulatorial: condutas de atenção primária baseadas em evidências. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2013.
  2. IMBODEN, John B ; HELLMANN, David B ; STONE, John H. CURRENT reumatologia: diagnóstico e tratamento. 3. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014.
  3. HELITO, Alfredo Salim; KAUFFMAN, Paulo. Saúde: entendendo as doenças, a enciclopédia médica da família. São Paulo : Nobel, 2006.
  4. HOUSER, Stephen L; JOSEPHSON, S. Andrew. Neurologia Clínica de Harrison. Porto Alegre: AMGH, 2015.
  5. GUSSO, Gustavo; LOPES, José Mauro Ceratti. Tratado de medicina de família e comunidade: princípios, formação e prática. Porto Alegre: Artmed, 2012.