Como deve ser a abordagem e o tratamento da ejaculação precoce na Atenção Primária à Saúde?

Considerações para o médico de Atenção Primária à Saúde avaliar um paciente com queixa de ejaculação precoce (EP):

  • é mandatório diferenciar EP de fato de outras disfunções sexuais. É muito comum disfunção erétil, por exemplo, ser trazida como um problema de EP, quando na verdade há uma pressa para alcançar o orgasmo antes da perda de ereção peniana decorrente da disfunção erétil;
  • uma boa história sexual deve ser feita, bem como uma boa história psicossocial. O nível de sofrimento do paciente, da parceira(o) ou de ambos é ponto chave tanto para diagnóstico como para conduta.  Além disso, a detecção de histórias de abuso sexual ou maus-tratos na infância podem ser indicativos de necessidade de abordagem psicoterápica;
  • realizar exame físico geral e genital, enfatizando a normalidade do mesmo, quando for o caso;
  • buscar identificar possíveis causas médicas que podem estar associadas à disfunção da ejaculação, como Diabetes mellitus e neuropatias;
  • exames laboratoriais são raramente necessários em homens com história de EP ao longo de toda a vida, a menos que existam fatores complicadores ou achados de exame físico anormais. Pacientes com EP adquirida (indivíduos que não têm EP desde o início da vida sexual ativa) podem necessitar de avaliação laboratorial complementar, mais focada em fatores de risco como obesidade, doença vascular, diabetes e depressão.

O tratamento pode focar num primeiro momento no uso de técnicas que objetivem retardar a ejaculação. As duas mais utilizadas são:

  1. Técnica de “start-stop”: quando o homem sentir, no período de carícias ou mesmo intercurso sexual, que está próximo do clímax deve parar de “estimular/ser estimulado” por 30 segundos; estimulação pode ser reiniciada até que chegue perto do clímax novamente, quando o “relaxamento” é repetido;
  2. Técnica de “para-comprime” (“squeeze”): durante a técnica de start-stop, a(o) parceira(o) deve exercer pressão manual na glande do pênis durante a fase de relaxamento.

A terapia medicamentosa é uma alternativa viável e que também pode ser efetiva. As principais drogas utilizadas são os Inibidores Seletivos da Receptação de Serotonina (ISRS):

  • Sertralina: 25 – 200 mg/dia
  • Paroxetina: 10 – 40 mg/dia
  • Fluoxetina; 5 – 40 mg/dia

Embora haja descrição de uso esporádico (1 cp 3-4 horas antes de intercurso sexual), o uso contínuo parece ser mais eficaz. Clomipramina é uma alternativa aos ISRSs, no entanto é menos usada devido ao perfil mais desfavorável de efeitos colaterais. Por fim, deve-se considerar o encaminhamento para Terapeuta sexual, ou mesmo Urologista, quando as medidas tentadas não forem efetivas.

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