Como deve ser realizado o acolhimento do paciente com problemas de saúde mental?

Acolher o sofrimento psíquico é de responsabilidade de toda a equipe da ESF.
O psicólogo da ESF / NASF (Núcleo de Apoio à Saúde da Família) precisa compartilhar com a equipe a responsabilidade do trabalho em saúde mental, sendo uma das maneiras de isto ocorrer é pela capacitação desta para que a primeira escuta seja feita pelos médicos e enfermeiros. A psicologia também pode fazer esta escuta, mas não necessariamente já iniciar uma psicoterapia individual, pois deve ser dada ênfase no apoio clínico aos profissionais da APS. Este procedimento é apenas uma das intervenções do psicólogo e destina-se a casos graves de sofrimento psíquico. Assim, precisamos fazer uma avaliação antes de determinar se o sujeito realmente tem indicação de psicoterapia. Lista de espera para psicoterapia não se justifica na prática do psicólogo da APS. Se houver uma lista, esta será para avaliação dos casos.
É necessário repensar o fluxo da equipe e especialmente da psicologia. Na minha prática, tenho experimentado o acolhimento coletivo em saúde mental para adultos junto com um médico ou uma enfermeira de família e comunidade, uma vez que os demais profissionais devem se responsabilizar também por esta demanda. Também trabalho com acolhimento individual para usuários que não podem ou não querem participar do grupo. Coordeno, junto com o Serviço Social, um grupo de pais e cuidadores de crianças e adolescentes para acolher este público alvo quando está em sofrimento psíquico.
Devemos considerar também que a inserção do psicólogo na APS é recente e, portanto, ainda está em construção. Não devemos esquecer de que nosso trabalho deve ser pautado pela prática do trabalho em equipe, da integralidade, do acolhimento, da equidade, levando em consideração o território, entre outros princípios do SUS e da APS. Está preconizado que este profissional atue nas ações de promoção, prevenção e reabilitação de saúde, assim como possa atuar na formação de recursos humanos, nas ações intersetorias (ex: escola) e nos espaços de participação popular (ex: controle social, conselhos de saúde). Assim, nossa carga horária deve estar distribuída de acordo com tais demandas.
Uma maneira interessante de promover educação permanente em saúde mental na equipe é através da discussão de casos clínicos a partir do que a política de saúde mental propõe. É muito interessante também mapear a rede de recursos disponível no município e na região que podem dar conta da demanda de saúde mental (rede de saúde e intersetorial.