Como e quando indicar a profilaxia com antibióticos em valvopatas?

A profilaxia com antibióticos em valvopatas está indicada em alguns casos selecionados, com o objetivo de reduzir o risco de uma endocardite bacteriana, que é uma complicação grave, ainda hoje com grande morbimortalidade, variando de 17 a 36%. A partir de 2007 houve uma reformulação das indicações de profilaxia antibiótica para endocardite em valvopatas, agora restrita a casos selecionados de pacientes de alto risco e procedimentos de alto risco. (indicação classe I, nível de evidência C).

São considerados pacientes com risco elevado de endocardite bacteriana:
  • Portadores de próteses valvares;
  • Com histórico endocardite bacteriana prévia;
  • Portadores de cardiopatias congênitas cianogênicas ou com shunt intra-cardíaco;
  • Pacientes que desenvolveram valvopatias após um transplante cardíaco.
Os procedimentos de alto risco são:
  • Tratamentos dentários que envolvam manipulação da gengiva ou região periapical, bem como perfuração da mucosa oral.
  • Procedimentos em vias respiratórias com incisão ou biópsia da mucosa, tonsilectomia, adenoidectomia.
  • Procedimentos invasivos em pele infectada ou tecido músculo-esquelético infectado.
Alguns grupos ou serviços optam pela prescrição da profilaxia para todos pacientes com valvopatia reumática, considerando ser esta uma população de pior saúde oral. Da mesma forma, deve-se considerar a prescrição nos casos de qualquer sessão de tratamento dentário (e não apenas nos descritos acima), pois nem sempre o médico tem um conhecimento preciso de qual procedimento dentário será feito. Caso a profilaxia esteja indicada, ela será feita em dose única, com antibióticos voltados para a cobertura da flora oral/respiratória, do seguinte modo:
  • Amoxacilina 2g, V.O, 30 a 60 minutos antes do procedimento.
Pacientes alérgicos a penicilina podem usar Cefalexina 2g V.O ou Clindamicina 600 mg V.O ou Azitromicina 500 mg V.O ou Claritromicina 500 mg V.), sempre 30-60 minutos antes do procedimento. Se não houver possibilidade da via oral, os esquemas são:
  • Ampicilina 2g IM ou IV e, para pacientes alérgicos, Cefazolina 1g IM/IV ou Ceftriaxone 1g IM/IV ou Clindamicina 600 mg IM/IV.

Bibliografia Selecionada

  1. A guideline from the American Heart Association - Rheumatic Fever, Endocarditis, and Kawasaki Disease Committee, Council on Cardiovascular Disease in the Young, and the Council on Clinical Cardiology, Council on Cardiovascular Surgery and Anesthesia, and the Quality of Care and Outcomes Research Interdisciplinary Working Group. Circulation. 2007;116:1736-1754. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/17545263. Acesso em: 25 maio 2015.
  2. Diretriz Brasileira de Valvopatias – I Diretriz Interamericana de Valvopatias. Arq Bras Cardiol 2011; 97(5 supl.1):1-67 Disponível em: http://publicacoes.cardiol.br/consenso/2011/Diretriz%20Valvopatias%20-%202011.pdf. Acesso em: 25 maio 2015.
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