Como fazer o diagnóstico de pré-diabetes? E como abordar essa condição?

O pré-diabetes corresponde a níveis de glicemia acima do normal, porém abaixo dos níveis definidores de diabetes. Engloba as entidades anteriormente denominadas “glicemia de jejum alterada” e “tolerância diminuída à glicose”. Indivíduos com essa condição apresentam risco aumentado de evolução para diabetes futuramente. Os critérios diagnósticos para pré-diabetes são os seguintes – sendo que a presença de um ou mais destes fatores confirma o diagnóstico:

  • glicemia de jejum de 100 a 125mg/dl;
  • glicemia em teste oral de tolerância à glicose (2 horas após 75g) de 140 a 199mg/dl;
  • hemoglobina A1C de 5,7% a 6,4%.

Embora a história natural do pré-diabetes seja variável, aproximadamente 25% dos indivíduos com qualquer uma dessas alterações supracitadas desenvolverão diabetes em três a cinco anos. Estudos de grande porte conduzidos em diferentes partes do mundo provaram que mudanças no estilo de vida são capazes de reduzir o risco de evolução para diabetes, sendo essa a principal intervenção recomendada para os casos de pré-diabetes. Entre eles, o Finnish Diabetes Prevention Study incluiu indivíduos com sobrepeso ou obesidade e pré-diabetes, submetidos à intervenção que visava redução ≥ 5% no peso, atividade física de intensidade moderada com duração ≥ 150 minutos por semana, redução do consumo de gorduras e aumento do consumo de fibras. Após três anos, o grupo da intervenção apresentou redução de 58% na evolução para diabetes em comparação com o grupo controle. O Diabetes Prevention Program (DPP) mostrou que a redução na incidência de casos de diabetes mediante o estímulo a uma dieta saudável e à prática de atividades físicas foi maior do que a alcançada pelo uso de metformina.
Além das mudanças de estilo de vida, o uso de agentes farmacológicos também pode prevenir evolução para diabetes. Metformina, inibidores da alfa-glucosidase (acarbose), orlistate e pioglitazona já demonstraram redução da incidência de diabetes em diferentes intensidades. Dentre essas drogas, a metformina seria a de primeira escolha, pelo baixo custo e comprovada segurança em longo prazo. Custo, efeitos colaterais e a falta de um efeito persistente limitam as indicações das outras drogas citadas. A relação risco-benefício e, consequentemente, as situações com indicação de uso de metformina em pré-diabéticos não são bem definidas por evidências científicas. Considera-se a possibilidade de sua prescrição para casos selecionados, com alto risco de evolução para diabetes, por exemplo: mulheres com história de diabetes gestacional, indivíduos muito obesos e/ou aqueles com hiperglicemia mais grave ou progressiva dentro da faixa de pré-diabetes.
Indivíduos com pré-diabetes frequentemente apresentam outras comorbidades, como obesidade, hipertensão, dislipidemia e, consequentemente, risco aumentado para eventos cardiovasculares. Portanto, uma vigilância aumentada se justifica para identificar e tratar esses e outros fatores de risco (por exemplo, tabagismo).

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